quinta-feira, 5 de março de 2009

AMOR (?!?)

Mais que o ouro, petróleo, pedras preciosas ou qualquer tipo de riqueza o ser humano busca o AMOR...idealiza o AMOR.

Talvez seja esta busca que impede á posteriori, que os seres sejam envolvidos por tão nobre sentimento, porque não o reconhecem, não sabem reconhecer.

Talvez sejam as idealizações de amores eternos, românticos e de perfeita comunhão que impeçam os mortais, não todos, mas a maioria de reconhecer quando é atingido, quando é escolhido, quando lhe é dada a oportunidade de sentir e de se sentir.

Talvez existam seres tão carentes que o que oferecem pareça AMOR e quem recebe deixa-se abraçar por esse acomodar terno.

Talvez seja o medo da solidão, o medo de não ser amado e de não amar que impele inúmeros seres para relações desgastantes ou unidireccionais.

Talvez quando o sentir chega, quando se é apanhado pelo sentimento, quando o AMOR envolve as pessoas estas estejam em relações desgastadas mas de algum modo seguras, estejam presas por algo que o medo impede de renovar, transformar ou finalizar. Presas a muito e a muita coisa.

Talvez a bolha que transporta o AMOR seja demasiado discreta e não seja fácil de reconhecer quando nos atingiu. O bem estar que provoca é tão avassalador que não nos permitimos reconhece-lo como verdadeiro mais não nos permitimos senti-lo como real. Dói.

Talvez as feridas e as marcas que ficam de pseudo AMORES passados ou verdadeiros AMORES passados, arrefeçam os sentimentos e reforcem o medo de ser atingido novamente...e de perder novamente.

Talvez a idealização de algo que se perdeu no caminho condicione o futuro do AMOR na nossa vida. Pedras no sapato, se não são tiradas...incomodam uma vida inteira. É preciso resolver, resolvermo-nos para avançar.

Talvez as cicatrizes lembrem um passado real, que nada mais foi, que um excelente, embora doloroso processo de aprendizagem. O verdadeiro AMOR espera que tenhamos maturidade suficiente para o receber. Chegará quando estivermos preparados e não quando esperamos que chegue.

Talvez o AMOR não deva ser esperado, muito menos procurado e chegará inesperado e oferecido no mais simples dos embrulhos. Aos nossos olhos será perfeito. Os defeitos qualidades, as qualidades defeitos - bi -direccional - comunhão expôntanea. É tarde para ser parado.

Talvez o AMOR seja o derradeiro processo de auto-conhecimento. Conhecendo-nos a nós próprios é mais fácil receber o outro, conhecê-lo como se mostra: nunca conhecendo totalmente, respeitando a diferença e amando-a...como amamos as nossas diferenças. Ninguém se anula.

Talvez...talvez...são tantos os talvez que levaria uma eternidade a descreve-los todos...no entanto todos tem algo em comum: O AMOR, ser atingido, levado e abraçado por tão nobre sentimento. Criar espaços comuns de forma tão natural que ao olhar parecem-nos intrínsecos ao nosso ser, à nossa vida, à nossa pele...inatos.

Para poder encontrar, viver e desfrutar o Amor partilhado, é necessário que cada ser se Ame incondicionalmente, se respeite, se conheça e não dependa ou necessite do outro para saber quem é, de onde vem e para onde vai...isso já sabe, agora quer apenas partilhar-se, construir-se numa dimensão que é feita a dois.

Cada vez mais considero uma bênção dois seres serem envolvidos simultaneamente na mesma bolha de tão nobre sentimento. É de preservar e fazer manutenção das partilhas, dos silêncios, das qualidades, dos defeitos, das conquistas e das derrotas, dos sorrisos e das lágrimas, das alegrias e das zangas, tão simplesmente da vida, das vidas com espaço comum...Um Todo...simplesmente Um Nós.

3 comentários:

Anónimo,  7 de março de 2009 às 15:35  

Tantos falam do AMOR, mas quantos o conhecerão e, reconhecerão realmente?

A forma como cada vez há mais relações "descartáveis" torna o AMOR, cada vez mais, próximo do mito, de que alguns falam e juram conhecer, e de que outros falam e juram não existir.


"Cada vez mais considero uma bênção dois seres serem envolvidos simultaneamente na mesma bolha de tão nobre sentimento. É de preservar e fazer manutenção das partilhas, dos silêncios, das qualidades, dos defeitos, das conquistas e das derrotas, dos sorrisos e das lágrimas, das alegrias e das zangas, tão simplesmente da vida, das vidas com espaço comum...Um Todo...simplesmente Um Nós."

Somos dois a considerar o mesmo!

Texto sublime, Lagarta, adorei... e disseste tudo! Overwhelming! :P

L. K. 7 de março de 2009 às 20:11  

Concordo que as relações descartaveis, banalizam o AMOR...mas se são descartaveis, não são amor :P

São juncões de seres que por um sem numero de porquês, uns conhecidos, outros desconhecidos resolvem acomodar-se a algo que mais cedo ou mais tarde rebenta, esmorece, extingue-se :(

Talvez hoje em dia a mistura dos corpos esteja demasiado banalizada e as pessoas comecem pelo fim...nunca conseguindo achar um principio sólido e satisfatorio de longevidade comum.

As pessoas hoje são pouco tolerantes, o respeito é praticamente inexistente e se há pessoas que toleram situações emicionais insatisfatorias por comodismo ou razºoes socias/monetárias...outras há que ao menor sinal de diferenças desaparecem, saiem porta fora sem olhar para trás :)

Há de tudo, e tudo são aprendizagens (espero Eu ?!?)

Obrgda por sentires overwhelming :P

Anónimo,  8 de março de 2009 às 18:57  

Obrigado eu pelo sublime texto e o partilhares, sábia Lagarta! ;)

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