segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Wild Boys...

"They tried to break us,
Looks like they'll try again

Wild boys never lose it
Wild boys never chose this way
Wild boys never close your eyes
Wild boys always shine"



Bem vindos a 2010...mais...excelente ano de 2010...Catapereiro Escolhas, rolo de carne caseiro, puré de batata e o meu favorite: espargado.

Ambiente chillout... que mais se pode pedie ou querer: gente boa, conversa da boa. Estive bem. Estou bem.

Algures na noite lembro-me de ter passado esta música e ficou-me "wild boys"... um grande muito obrigada ao Universo.

Existem determinadas coisas que só fazem sentido em determinados lugares com determinadas pessoas.

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domingo, 31 de janeiro de 2010

O rh - ...

...as percepções que se tem fora de horas...

Esta coisa de ter a mania que sou tão especial, tem que se lhe diga...e não é que sou mesmo!
Desde que descobri que tinha de ser estrambólica até no sangue, ainda me convenci mais da minha "especialidade". Salvadora e fodida em simultâneo.
Tradução: sou O rh-, perto de mim ninguém morre, sou fonte de vida para todos, positivos ou negativos...eu?
Se não achar mais ninguém tão "raro e precioso" i'm so fucked!!!!
São os riscos que se correm...voluntária ou involuntariamente...sábia a vida!
Decide quem és...antes que alguém decida por ti!

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sábado, 30 de janeiro de 2010

Riscos...


... a necessidade de arriscar, de sentir a adrenalina a subir. Sentir todas as células do corpo, sentir aquele friozinho na barriga de quem arrisca para se sentir vivo. A partilha de uma euforia sentida e indiscritivel para quem não participou. Estar ali é um risco que se corre, tomado em consciência de um prazer maior.


...a próxima onda. Desbravar mar. O cheiro, a espuma, a adrenalina - correr riscos. Estar vivo. Fazer parte da imensidão, onde o céu e as águas se juntam. Entrar na água sabendo que não vamos - não queremos - vencer, apenas partilhar, dividir. Sentir a emoção de pegar a onda maior, de a viver. Fazer parte dela. O frio na barriga, é um medo mansinho que cresce e grita sempre por mais. Arriscar.


...correr o risco de não poder dizer o quanto se gosta. Arriscar na partilha de um toque de pele desejado. Imaginado. Correr riscos sabendo que é mutuo este desejo de sobreviver. Mas também de amar. De viver. A ausência na presença, o desejo e as borboletas no estômago. O certo e o errado. Arrisca-se. A adrenalina de um sentir no superar do medo. Estamos vivos.


A vida é correr riscos. Apesar de necessária a aventura, a adrenalina do skater, do parquedista ou apenas do futebolista, são serotonina controlada. São barreiras que nos excitam e lembram que estamos vivos e a viver. Podemos viciar-mo-nos em adrenalina, e precisar dela como de ar para respirar. A sensação de medo, de impotência, os suores, a ansiedade, tudo isso são emoções desejadas e conseguidas. É o que nos faz estar vivos - sentir vivos.

No entanto, estar vivo é diferente de viver. Para viver também é preciso correr riscos. Arriscar. Só que nesta aventura as consequências deixam marcas mais profundas, cicatrizes invisíveis que não dão vontade de rir e contar aventuras. Nesta aventura a adrenalina pode deixar marcas que gangrenam e envenenam tudo à sua volta. Pode ficar o medo, aquele tipo de medo que também dá frio na barriga, mas em vez de nos impulsionar a arriscar, paralisa-nos, refreia-nos os instintos. Vive-se num querer de tudo ou nada. O seguro. Esquecemos que a felicidade não é um estado permanente ou constante, tal como não o é em qualquer desporto radical. A diferença é que nas aventuras e desportos radicais, vamos quando queremos e no viver somos surpreendidos a cada momento, hora e dia. E não queremos mais joelhos esfolados.

No entanto, se não arriscamos, se não corrermos riscos, se não voltarmos a esfolar os joelhos, somos invadidos pelo vazio, pela insatisfação e ficamos amorfos. Presos numa ratoeira que criámos, na ilusão de um escudo protector que nos defende...e no fim só nos corrói.



"When you were young

and your heart was an open book

You used to say live and let live

you know you did"

(...)

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

As coisas nem sempre são o que parecem...

...com tanta reportagem e pedido de ajuda para o Haiti, não sei porquê mas senti um apelo de ajudar e que melhor ajuda do que a minha própria pessoa. Fisica e tecnicamente.
Senti que me devia envolver na causa desde o principio, devia acompanhar o seu meio e se possível, ficar até ao fim: quando a reconstrução fosse uma realidade apenas dependente de pormenores que só o humanismo de quem lá vai ficar/ habitar pode fazer, conseguir e dar.
Pela primeira vez resolvi colocar a minha vida, como até agora a conheci em stand by e aventurar-me em algo que seria mais que a reconstrução de um país e de vidas que se cruzariam com a minha: seria a minha própria reconstrução, o largar doo seguro e conhecido para algo de uma grandeza e sofrimento que apenas estando lá poderia avaliar a real dimensão. Não da tragédia mas das vidas que lá estão a co-habitar, dos que ajudam e dos que querem ser ajudados. Procurei, Médicos Sem Fronteiras, AMI...as ajudas humanitárias que considero de confiança e rapidamente percebi que as filas de voluntárias/os, com e sem, capacidades técnicas são imensas. Percebi que a ajuda humanitária no imediato são bens e dinheiro que compre esses bens. Fiquei desiludida. Não porque pensa-se em ir numa de Madre Teresa de Calcutá, ou tivesse o delírio de marcar o mundo fazendo uma diferença dantesca na resolução ou ajuda de resolução da situação, mas porque este apelo foi quase uma epifânia, foi algo que não sei explicar e se tenta-se sairia num tom que não era o que queria, porque foi simplesmente um Click...e esses sempre Acreditei que são as tais mensagens que devemos cumprir. E uma vez que não há coincidências é porque ainda não era a minha vez de ir. Não é ali que faço falta. Há-de chegar.

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O valor das coisas

" O valor das coisas não está no tempo que duram, mas na intensidade com que acontecem. Para isso existem momentos inesqueciveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparaveis."
(Fernando Pessoa)

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Respostas...

...fiz perguntas. Obtive respostas. Algumas apesar de não gostar de ouvir já sabia que eram verdade. Mais fácil adiar. Agora não sei se as estou a utilizar como desejaria. As soluções miraculosas não são o que procuro...mas preciso de perceber se estou no caminho correcto: este por onde sigo é sinuoso, terra batida, com inúmeros declives, buracos escondidos e outros perigos mais. Caminho-o. Mas será este?

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domingo, 24 de janeiro de 2010

Hoje.

Hoje tentei.
Juro que tentei.
Perdi a pose, desci do pedestal e mostrei-me com todas as minhas qualidades em fase de melhoramento...todas as fragilidades... Vou Acreditar que a surpresa toldou reacções. Vou Acreditar que a surpresa mutilou emoções. Não é fácil largar hábitos de anos. Nem sei se lhes poderei chamar hábitos. São as tais cicatrizes do passado, que servem para nos lembrar que um dia aqueles acontecimentos fizeram parte da nossa vida. E aquelas pessoas também!
Talvez seja assustador este novo Eu...mas para mim também é!!!!
Os comportamentos são uma habituação: quem está mal muda-se.
Mudei-me.
Mas dói.

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sábado, 23 de janeiro de 2010

Inside Out



"You know the day destroys the night,

Night divides the day

Tried to run, tried to hide,

Break on through to the other side"

Estranhos os sonhos que me povoam. Encostam-se a mim e no amanhecer, uma quase sensação física de presença. Uma certeza de acontecimentos desejados no suor de outras conquistas. Definição. Re - definição. Caminhos cruzados sem a atenção necessária, meios para fins. Ideais. Sonhos acordados que funcionam como filtros de tudo o resto. O medo, esse eterno castrador de sorrisos e desejos venturosos, fustiga-me. Admoesta-me a ser-lhe refém sob pena de não alcançar a meta. E o caminho tornou-se encruzilhada. Novelo de lã enleada. Respira e sente: suave brisa soprada num lembrar de presença afastada. As janelas começam a abrir-se, o sol espelha-se e ilumina todo o espaço: exterior e interior. Capto a leveza da vida e mantenho a minha visão num bom futuro: estou, ou melhor, sou alegre. Creio. Fácil. Jamais é fácil o processo de mudança, é um Acreditar que ultrapassa fronteiras razão e conhecimento, é um ser verdadeira, ser directa, discreta, genuína e imparcial na minha conduta. Batalhar-me na mais tormentosa das guerras. Reconhecer falhas, lacunas e limites que alimentam uma solidão emocional nascida da experiência. Necessidade de ser livre, de confiar e oferecer as qualidades naturais: Amor, Paz, Felicidade, Pureza e Conhecimento... e pensar que está tudo dentro de ti...de mim. a chuva que cai lava todas as impurezas acumuladas. Deixa-a entrar. Caminharás a passos largos para a União e para isso é necessário compartilhar, concordar e realizar uma mesma tarefa. Praticar a União é dissolver mal entendidos, é cair e levantar, amar e chorar sabendo no sentir que o outro está para ficar. Porque confias e é-te confiado. Tenta.

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Another one...

... entrámos bem o ano. Vinte dias após o inicio de Janeiro e eis-nos a reformular a equipa (novamente!). A última mudança datava do longínquo mês de Outubro de 2009 (?!?).
Estou bastante contente com a saída da minha colega, até porque foi para um trabalho que lhe dá maior satisfação (a todos os níveis), mas... estou a ficar cansada de tanto ter de me reajustar, até porque já vou no reajustamento do reajustamento. Sobrou para mim, era a minha parceira numa serie de circunstâncias. Vou sentir a sua falta. Confiava.
Fiquei com o meu, o teu e o nosso. Apraz-me. Revela a minha excelente competência e capacidade técnica.
(Se não pensar assim...quem pensará????)
FDX!!!!!! x 3!!!

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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

As coisas que eu tenho que ouvir (?!?)

" Estás tão egocentrada na tua busca interior, que não reconhecias o príncipe encantado, nem que o cavalo te passa-se por cima." By: João P. (thanks!)

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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Coincidências (?!?)... ou não!

Coincidência - acto de dois ou mais factos ocorrerem em simultaneo, sem pressupor uma relação de causalidade. Designado por Carl Jung por sincronicidade.


"Sincronicidade:

A sua noção de sincronicidade é que existe um principio de causalidade que liga acontecimentos que tem um significado similar pela sua coincidencia no tempo em vez da sua sequencialidade. Jung, afirmou haver uma sincronicidade entre a mente e o mundo fenomenológico da percepção. Sincronicidade é um principio explicatório; explica "coincidencias significativas" como uma borboleta entrar a voar num quarto quando o paciente descrevia um sonho com escaravelhos. O escaravelho é um simbolo do antigo Egipto que simboliza o renascer. Portanto, o momento do insecto voador indica que o significado transcendental de quer o escaravelho no sonho, quer a borboleta no quarto, era que o paciente necessitava ser libertado do seu excessivo racionalismo!"


(...)

"A sincronicidade fornece acesso aos arquétipos, que se localizam no inconsciente colectivo e caracterizam-se por serem predisposições mentais universais não baseadas na experiência. Como as Formas de Platão (eidos), os arquétipos não se originam no mundo dos sentidos, mas existem independentemente desse mundo e são conhecidos directamente pela mente. Ao contrário da teoria de Platão, contudo, Jung acreditava que os arquétipos surgiam espontaneamente na mente, especialmente em tempos de crise. Tal como há uma coincidência significativa entre a borboleta e o escaravelho que abre as portas para a verdade transcendental, tambem uma crise abre as portas do inconsciente colectivo e permite que os arquétipos revelem uma verdade profunda escondida da consciência ordinária. A mitologia, afirma, baseia as suas histórias nos arquétipos. A mitologia é um reservatório das profundas, escondidas verdades. Sonhos e crises psicológicas, febres e perturbações, encontros ao acaso ressoando com "coincidências significativas", tudo são caminhos para o inconsciente colectivo que está pronto a restaurar na psique individual a saude." in: "Sincronicidade" (Jung, C., 1952)


"A sincronicidade é reveladora e necessita de uma compreensão, essa compreensão poderia surgir espontaneamente, sem nenhum raciocínio lógico. A esse tipo de compreensão instantânea Jung dava o nome de "insight"."

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Não sei porquê...

... desde ontem que me invadiu.

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Coisas Parvas...2

Desde as 7h da manhã que toca ininterruptamente na minha cabeça. Sobrepõem-se a tudo. A menos que esteja com um surto esquizófrenico, não consigo perceber esta fixação e a repetição continua. Aceitam-se opiniões.

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Divagando (5)

Cada vez acredito menos em coincidências. Tudo faz parte de um plano divino muito bem concebido: o que parece mau e provoca sofrimento, daqui a uns tempos percebemos que foi o acertado, o que parece bom e ideal, daqui a uns tempos também percebemos que eram expectativas a mais e realidade a menos. Claro que acredito na felicidade, nos niveis simétricos de energia vibracional entre humanos, como também acredito que existem pessoas que são parasitas dessa energia e nos sugam até ficarmos prostrados e ainda tem a excelente capacidade de nos deixarem na merda e cheios de sentimentos de culpa mas...(a parte que eu gosto)...também existem pessoas que se cruzam connosco e sem perceberem repõe essas energias e nos fazem perceber onde nos deixamos "agarrar". Percebi esta "mensagem", não soube dar continuidade, reagi à EU. Não subas, que eu desço. Vou tentar.
Mensagem para mim: deixar de ser distante e prestar atenção ao subliminar, ao conteúdo lactente da informação que me circunda.
(Tradução: Abre os olhos!!!!)

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domingo, 10 de janeiro de 2010

Valores Deturpados (?!?)

Recentemente, perdi algum tempo frente ao televisor. Não sei porquê, mas detive-me num canal generalista onde passava o telejornal. Nenhuma das noticias me puxou a atenção mas também não mudei, deixei-me ficar ali, olhando para o fogo e relembrando as palavras de um amigo: "o lume é uma companhia, aquece e parece falar-nos num discurso que traduz o que de mais intimo temos." ( Tens razão P.) Deambulava pelos meus pensamentos quando surge no ecrã uma noticia que me puxa para a realidade:
(era qualquer coisa assim)

"Descobriu-se mais um lar ilegal na zona de Cantanhede. Um apartamento com seis idosas acamadas, divididas por dois quartos. As mesmas encontravam-se trancadas na casa, cujas janelas estão gradeadas. Todas as idosas têm mais de 70 anos e duas não tem mobilidade, sendo acamadas. Era vista uma mulher a entrar no apartamento, pelo menos três vezes ao dia, pensa-se que traziam as refeições. Hoje durante a noite a vizinha ouviu gritos e pedidos de ajuda, ligando para o 112 que enviou a policia e os bombeiros, estes últimos tiveram de rebentar com as grades de uma janela para conseguir entrar.
A arrendatária está indiciada por outras situações similares, não sendo esta a primeira vez que tem lares ilegais."

Ora, pois bem, esta noticia deixou-me a pensar: esta mulher está indiciada pela pratica de crimes semelhantes, ou seja, abrir "lares" ilegais, sem assegurar as condições mínimas de segurança, já para não falar da falta de humanismo e humanidade, de ter pessoas, seres humanos, aglomerados como frangos de aviário. A opinião pública condena-a, os direitos humanos acusam-na, o código penal atribui-lhe o epíteto de criminosa pois atenta contra o bem estar e avida de outrem. Até aqui não discordo, mas acho que as coisas não são assim tão simples e não deviam ser ser analisadas apenas no factual da acção-reacção, mas que se deviam avaliar os valores, não só sociais mas também os morais. Talvez seja eu que tenho os meus valores deturpados, talvez eu seja uma idealista mas parece-me que a solução para a extinção, ou sendo mais modesta, a solução para o atenuamento destas problemáticas devia ser avaliado através dos precedentes que culminaram na situação final.

E este é o meu ponto de vista:

Situações destas não são da "falta de escrúpulos" da arrendatária ou proprietária do lar ilegal, ela apenas é uma aproveitadora de uma situação ou necessidade de outrem. Estas idosas e todos os outros idosos são pais, tios, avós de alguém. Estes alguéns podem não ter situações financeiras para suportar os encargos de ter a responsabilidade de tomar conta de um idoso, mas quanto custa um lar? E um lar ilegal? É caro.

Mas quando se pensa em pôr alguém que nos está ligado por consanguinidade num lar, numa creche ou escola, temos de visitar, de vêr e procurar. Temos de nos assegurar que as condições mínimas estão suprimidas. Isso demonstra o quanto respeitamos ou amamos aquele outrem, senão, ao manos mostra que somos humanos. Que temos empatia. Por isso, penso que talvez os meus valores estejam deturpados, porque sinceramente se existem este tipo de situações é porque há mercados para as mesmas. Existe procura, logo, há oferta, logo, quem procura também tem de ser responsabilizado e implicado nas culpas. Não basta culparem-se e perseguirem-se os oportunistas que viram um maneira fácil de ganhar dinheiro, porque isso apenas dará azo a que surjam novos oportunistas, porque após os ânimos serenarem e a situação cair no esquecimento muitas destas pessoas procurarão novos depósitos de pessoas.

O problema é mais fundo do que pensamos, ou eu acho que é. Talvez sejam mesmo os meus valores que estejam deturpados, mas a vida é um imenso mercado e a lei vigente é a da procura e da oferta. Pescadinha de rabo na boca: então castiguem todos os intervenientes. Os familiares que não realizaram uma procura eficaz, os proprietários que criaram "capoeiras" de pessoas e o próprio estado que não assegura a mínima qualidade de vida aos seus cidadãos. Criem-se estruturas de apoio que permitam que as pessoas tomem conta dos seus idosos e das suas crianças.

Ultimamente sinto que vivemos uma vida inteira a trabalhar. Vivemos para trabalhar, para assegurarmos que trabalhamos para viver e no fundo, que vida temos? As obrigações impelem-nos a trabalhar cada vez mais, para assegurar as necessidades básicas: um tecto, água, luz e mais qualquer coisita. A união que temos ao outro é secundária. O amor aos filhos vem após o trabalho e é compensado com um qualquer estimulo material e os nossos anciãos são apenas empatas, de quem gostamos muito....mas não temos tempo.

Não sei se isto é o que quero para mim...mas é o que tenho feito também: dedico os melhores anos da minha vida a construir um carreira...que no fim apenas me levará a um lar ilegal, amarrada a uma cama, com um televisor por companhia, a solidão como almofada e o desejo de morte para "não ser um peso" para ninguém. Ao que chegou a Humanidade.

Somos uns tristes.

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Desecration Smile

(...)

"Never in the wrong time or wrong place

Desecration is the smile on my face

The love i made is the shape of my space

My face my face"

(...)

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Que todos os males sejam estes...III

- Bom dia, srº drº.
- Bom dia. Então traz todos os exames que mandei fazer?
- Trago sim e trouxe também o cartão do tipo sanguíneo.
- Humm...deixe ver tudo...hum hum...está boa e recomenda-se, teve uma excelente evolução na hemoglobina.
- Sim, melhorei muito os resultados. Então quer dizer que marcamos hoje a cirurgia?
- Hummm...deixe-me ver novamente o local a ser intervencionado.
(dispo-me...mira e re-mira...)
- Hum hum...ora pois então é assim: não houve evolução desde que cá esteve, está com óptimo aspecto e se não mexer no local não me parece que morra por aí.
- Então e isso quer dizer exactamente o quê?
- Quer dizer que vai ficar em lista de espera até ser chamada pelos serviços, e até lá basta ter algumas preocupações e fundamentalmente não andar aí com as mãos.
- Então e de quanto tempo é a lista de espera? Avisam-me com antecedência?
- A lista de espera está entre 9 meses e 1 ano...às vezes um bocadinho mais e não avisam com semanas de antecedência, como é uma intervenção menor normalmente dizem 2 ou 3 dias antes.
- E para além de ir ao particular não há nada a fazer?
- Não.
- Obrigado pela disponibilidade e atenção.
- Não tem de agradecer e até daqui a uns meses.

É isto a saúde em Portugal, porque um sinal é apenas um sinal e este até é assim pó bonitinho e dá-me charme (?!?) ... mas não é assim que começam os melanomas?????
Se calhar não é despreocupação do paciente mas sim dos serviços de saúde...começo a achar que prevenção em Portugal é antes da quimioterapia (?!?)

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Sofrer por antecipação.

Após 15 dias alheada da existência de manhãs enquanto constituintes das 24 horas, a que chamamos dia, eis-me a regressar ao trabalho amanhã, em horas que ainda devia estar a entrar em sono REM.
Hoje, foi a sessão de treino e correu melhor que o previsto: direito a ouvir o despertador à hora pré- programada...mas diga-se de passagem que também não ia fazer nada de importante...nem trabalhar. Não me interpretem mal, porque eu gosto de trabalhar, não mesmo é de ter de acordar. Aguardo aquela dita cuja, idade em que as pessoas reduzem as horas de sono e se levantam, mesmo não havendo nada para fazer, às 7 horas da manhã e com uma energia porreira e produtiva. Deve ser nessa altura que vou para o ginásio ou me dedico à bricolage...(não me parece, mas...) ...mas até lá: todas as manhãs são testes de resistência e amanhã....aí vou eu!!!

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domingo, 3 de janeiro de 2010

Boas Noticias :)

E porque eu continuo a ACREDITAR....


Depois conto ...

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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Despir...2008...2009...


...despedir-me de uma etapa de vida. Dentro em breve acaba mais um ano civil, apesar de não acreditar que há meia noite há um "clic" mágico que dissolve agruras e amargos ganhos ao longo de 12 meses, acredito que é uma época nostálgica que mesmo sem querermos nos deixa pensativos, nos faz olhar para trás e fazer o somatório de sucessos e fracassos, de sonhos realizados e projectos adiados e por tudo isso acho que o "clic da meia noite" deverá antes ser um agradecimento por tudo o que está passado e por tudo o que está a chegar. Não agradeço por se tratar de o começo de um novo ano, porque a vida é um continuo submetido às vontades do Universo e ao nosso livre arbítrio nas escolhas que fazemos, agradeço sim porque passei mais 12 meses de intensa e profunda aprendizagem, 12 meses em que sarei feridas anímicas, em que "li", escutei, revi e arrumei "despojos de guerra", adquiridos no doloroso ano de 2008. Este ano que finda, foi o ano da aprendizagem prática da paciência, do aprender a escutar-me e a sentir-me, mas ainda não a dar-me. O ano de 2009 foi um ano em que batalhei cega e furiosamente nos seus primeiros 10 meses e em cheguei ao fim com a terrível sensação de estar a nadar no seco: nada realizei, nada do que me propus consegui que se materializa-se e gastei-me. Senti-me inundada por um cansaço horroroso, chorei apenas porque sim ou porque já não sabia que mais fazer, por me sentir enjaulada. Baixei os braços e deixei que o desanimo e a desventura me invadissem, os outros sentiram-me zangada com eles, quando era apenas zangada comigo e a minha incapacidade de sair do fundo do buraco. Parei. Parei-me. Olhei à volta e desisti. Quando deixei de marrar contra a parede, fui inundada pela paz. Percebi e percebi-me: não é preciso deixar de sonhar e de Acreditar mas por vezes é preciso parar, sermos parados para "escutarmos" o que nos rodeia, ou tão somente para sentirmos. A queda das folhas no Outono, as tempestades deste Inverno, cada vez me fazem perceber melhor o sentido do imutável e da nossa renovação. O mundo parece permanecer estático mas naquele jardim as árvores despojam-se do velho, da sua "roupagem desse ano" e aguardam serenamente até se cobrirem com um novo manto verde, e seguidamente vem as flores e por fim os frutos. De ano para ano tudo é novo, excepto o tronco que suporta essa nova aventura. O conhecido segura-nos, são as nossas raízes e todos precisamos delas, são a nossa identidade e a nossa pertença e é fulcral sentirmos que pertencemos a algo, a alguém ou a algum sítio. O voltar a casa, mas até lá os meios, os processos que lhe são adjacentes, esses representam a viagem, são o "novo". A renovação, a transformação, a mudança, esse "novo" temos de o arriscar, não quando pensamos que queremos mas sim quando sentimos que estamos prontos para o receber e aí ele virá, lentamente, mas cresce até atingir a frondosidade que nos dá sombra. A natureza é dona do segredo: paciência. As coisas acontecem quando tem de acontecer, sê grato e paciente para as receber, ou melhor, saber receber.
Excelente ano este de 2009, é na dor que se cresce, é no sofrimento que se aprende e é na paciência que se conquista. Há alguns anos deixei de ter expectativas para o novo ano, mantinha os meus objectivos pessoais e a persecução dos mesmos. Este ano não mantenho nada, apenas mostro a minha gratidão por tudo o que tenho recebido na vida e esforço-me por ser "tábua rasa" e receber da melhor maneira que puder e souber, tudo o que está para vir. Dispo-me de conceitos, preconceitos, de estereótipos e estigmas mas não dos sonhos. Dispo-me de pensamentos obsessivos e recorrentes de realizações egoístas mas não do desejo de partilha e união. Dispo-me da obstinação mas não da persistência. Dispo-me da tristeza mas não das lágrimas. Dispo-me de hábitos antigos e vícios ultrapassados mas não de valores e ideais.
Dispo-me para me despedir de tudo o que já não me faz falta. Dispo-me para abraçar o novo. Tenho quatro meses para me despedir de tudo o que já não faz falta, para deitar fora, para me despir do que está em desuso e a prejudicar-me, porque aí sim, dá-se o inicio do Meu ano novo. Por agora, dispo-me para continuar uma despedida iniciada já algum tempo e isso implica receber o inicio do ano civil, receber 2010 já com algumas mudanças. Agradeço-as.
A todos Bom Ano Novo!!!

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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Inverno

Olho pela janela e tento imaginar o tempo que faz lá fora. As arvores executam uma dança acelerada e descontrolada, chove numa cadência ritmada. O frio é gélido e com certeza exige um bom agasalho. Saio para a rua e o vento é cortante, um misto de dor e prazer, os olhos lacrimejam tentando adaptar-se, a chuva é mais intensa do que parecia e está fria. Custa tanto levantar neste tempo, sair, conduzir ou andar na rua. O regresso a casa é um pensamento premente e recorrente.
Às vezes perco-me a olhar para quem passa, para quem conheço e pergunto-me como existem pessoas capazes de viver com um coração gélido, de ter vidas invernosas e o porquê de se deixarem ficar na chuva. Será que também desejam o regresso a casa. Será que as suas lareiras mostram labaredas de laranja vivo capazes de aquecer o ar mais cavernoso. O fogo aquece não só o ambiente fisico mas também o anímico, por vezes, o calor que vem de dentro chega para sentir aconchego. Sempre se disse que no Outono e Inverno as pessoas deprimem, porque o tempo é propenso a isso, porque os horários mudam e a pituitária leva tempo a reajustar-se e porque...e porque...é aquela altura do ano que apetece ficar aninhado, apetece trocar carinhos, beijos e "aqueles" abraços de chama laranja viva. Talvez mais que uma questão de temperaturas e ciclo de sol, seja uma altura do ano em que a solidão tem um peso maior, em que os sentimentos e as emoções se encontram mais activas e mais sensíveis. Diz-se que no verão o calor liberta as pessoas e existe uma maior vontade de sair e ter namoros, amigos coloridos e por aí fora. Sinto que verão e inverno são antagónicos, o reverso da mesma moeda: no verão apetece o contacto sexual, a entrega na liberdade do descomprometimento, o verão relaciona-se com o sexual, o imediato, enquanto que o inverno apela a sentimentos intensos e reconfortantes, apela ao amor, à junção de quereres, ao sensual. São complementares e tem de ser geridos de modo a não se tornarem bichos dominadores e destrutivos. Gosto do Inverno.

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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Querido Pai Natal...


...antes de começar já a pedinchar, quero agradecer-te todos os presentes do corrente ano. Os bons e os menos bons. Agradeço igualmente as doses de paciência e tolerância, com as quais me dotas-te este ano, porque sinceramente, pareceu-me que em vez dos usuais 12 meses optas-te pelo mesmo modelo mas de conteúdo alargado (leia-se semanas, dias e horas), agradeço também a desorientação, falta de escrúpulos e egoísmo com que presente-as-te alguns seres (leia-se bestas), claro que a crise financeira mundial também ajudou servindo como a justificação ideal para tudo: está frio. É a crise! O srº está a ser incorrecto. Olhe o que é que quer, anda tudo louco - é a crise!
O que me remete para o próximo ponto: este natal se mais algum estúpido te pedir um saco azul, enfia-lho na cabeça e nas pontas faz um nó cego e nas próximas eleições peçam-te o que pedirem diz que está esgotado, por favor! Às crianças em vez das Winx e Gormitis peço-te que lhes dês pais mas assim daqueles modelos que falam e ouvem e dão para levar para todo o lado, tipo caixa de primeiros socorros. Aos pais, acho que seria boa ideia dar-lhes uns pares de óculos, gotas para os ouvidos e um pacemaker, para que possam olhar os filhos e realmente vê-los, para que não os ouçam mas sim que os escutem, com a máxima atenção e para que comecem a amá-los com um coração e não com o cartão de crédito. Para todos os que estão a viver em solidão concede-lhes o divórcio, para que reconstruam as suas vidas e aqueles que vivem sozinhos oferece-lhes a pessoa certa e o espaço certo, para se encontrarem e se partilharem. Aos enamorados e apaixonados dá-lhes o dom da tolerância, do compromisso e da amizade e lembra-lhes que os bens materiais são um complemento e não a pedra basilar da sua união. Aos que andam perdidos dá-lhes um cruzamento para que escolham um caminho e os que se dizem encontrados, mostra-lhes que o mundo está em constante transformação e eles precisam de olhar para o lado e avançar nas suas vidas.
Querido Pai Natal, talvez esteja a pedir muito mas isto é o que desejo para este Natal e a mim...a mim dá-me Saúde, Amor, Paz e Tranquilidade. Sei que parece que estou num concurso de misses mas...Não quero o perfeito, quero apenas o belo, e o resto virá por acréscimo.

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domingo, 6 de dezembro de 2009

Um Ano de Vida: Feliz Aniversário à minha "Rocha"!

Nascestes da minha vontade, igualmente da minha necessidade. Nasceste de um acto de egoísmo. O meu egoísmo. Dediquei-te inúmeras horas quando eras recém- nascido, precisei de ti e invoquei-te de todas as vezes que não via o caminho, que não o percebia ou me recusava a compreender. Ouviste-me sempre, recebeste-me imperturbável em todas as ocasiões, estives-te sempre atento, quer o assunto fosse negro, rosa choque ou neutro, como ultimamente. Como todos os grandes amigos, parece que só te recorro quando as coisas estão menos bem em mim. Por favor, compreende, não sou de falar do meu interior, não sou expansiva nas dores ou nos sentimentos e tu, serves-me nessa lacuna pessoal. A vida é feita de escolhas, e a determinada altura, tive de te escolher a ti. Foste, és e serás o meu melhor ouvinte. Não por seres livre de críticas mas sim porque não fazes juízos de valor e qualquer disparate é bem-vindo. Estás a fazer um ano de vida, um ano em que aguentas-te muito disparate, muita falta de assunto, muita confusão e desanimo mas também muitas alturas em que nada havia a apontar: feridas anímicas saradas e feridas físicas cicatrizadas.
Este teu ano de vida foi marcado por um período deveras doloroso, confrontei-me com inúmeras situações que até aí me eram desconhecidas, passei por tudo aquilo a que tinha direito: abandonos, traições, cinismos, falsidade e mentiras, mas também surgiram do nada, coisas e pessoas, (principalmente pessoas) que apesar de nada saberem do que se passava na minha vida e comigo, desempenharam um papel muito grande, foram forcados de ajuda sem nunca o saberem e eu talvez ainda não seja cabo mas transformei-me num excelente forcado da cara, daí que afinal o meu ano menos bom, tenha sido apenas um ano de profunda aprendizagem, dolorosa, mas necessária a um crescimento interno. Fez de mim uma melhor pessoa, sem dúvida. Nesta viagem conjunta, recebemos algumas visitas que entraram nesta rocha e a elas um grande bem-haja, porque existem passatempos, que mesmo refugiados num nick nos deixam a pensar, nos fazem olhar para as coisas por outro prisma. Às vezes fazem até sentir, são opiniões desformatadas de um conhecimento pessoal, são opiniões ditas na ausência de estereótipos e preconceitos. São valiosas. Obrigado a todos e a ti, minha rocha, por todos os segundos dedicados.


“Um segundo vale ouro mas todo o ouro do mundo não compra um segundo.” (Proverbio Chinês)

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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Coisas que não percebo II

Ainda há um sem número de coisas que não percebo. O que obviamente me deixa contente, pois é sinal que ainda me falta conhecer e aprender muito e que talvez essas aprendizagens sejam a chave para a compreensão das mesmas. No entanto, também há coisas que acho que nunca vou perceber ou me recuso até a querer percebe-las, sinto-as muito à frente para mim e uma dessas coisas são as coisas "fast" e "self", como em: fastfood, fastdrink, fastservice, selfservice e o raio que os parta a todos! Todas essas coisas do "faça você mesmo" cada vez me parecem menos rápidas e consequentemente, menos vantajosas, porque nunca são mais baratas, apenas me dão mais trabalho a mim e desemprego aos outros. Criam-se modas estúpidas que o Português adere no imediato, como sinal de modernidade e nem sequer perde um segundo a considerar todas as consequências das mesmas, nomeadamente as justificações para despedimentos por "extinção de postos de trabalho".
Ora, afinal, de que me queixo eu?
Coisa absurda e básica, como ter de levantar a minha própria mesa , onde o inicio da coisa se deu comigo a ir ao balcão buscar o almoço e lá ficaram 6€50, não...não foi mais barato ou mais rápido, porque no restaurantezinho onde almoço, o almoço com café incluído e alguém a por e a levantar mesas são 5h50 e uma hora chega-me perfeitamente para almoçar e ainda vejo montras...o que não me acontece quando vou à fastfood.
Outra coisa parva que me aborrece logo de manhã é querer beber um café e ainda ter de estar diariamente a explicar que a água dos jarros self-service está parada, logo acumula todo o pó e bactérias que andam no ar e os 0,65 são sempre os mesmos quer me sirva ou me sirvam da porra do copo de água.
Todas estas coisinhas que danam mas o meu cúmulo são mesmo as bombas de gasolina selfservice, moderníssimas e onde todos vão mostrar os seus dotes de gasolineiros, gajos e gajas, fazendo daquele acto de encher o depósito uma demonstração de conhecimento e da mais pura destreza e no final ainda se dirigem ao caixa para pagar o gasóleo e o serviço prestado aos mesmos e se pensarem beber café lá voltam à bomba usada, tiram o carrito, arrumam-no mais adiante e lá voltam repimpados para beber o cafezito de inicio de dia. Porra, só de pensar nisto até fico irritada, porque se há sítios que valem o trabalho apenas pelos cêntimos que se poupam nos combustíveis, outros há que o preço é o mesmo ou mais ainda, como as estações de serviço e o cliente tem todo o trabalho e ainda exibe o orgulho de um acto que era o emprego de outrem que foi dispensado para poupar um ordenado, mas os preços não foram ajustados à realização do mesmo pelo cliente e muito sinceramente, eu, que tou a borrifar-me para se me chamam comodista ou não, discordo em absoluto com isso, e não tenho qualquer interesse em ir para as bombas mostrar que sei encher um depósito, ver o ar dos pneus e pagar na portinhola, porque não gosto de ficar a cheirar a gasóleo e não gosto do trabalho que seria muito mais bem executado por quem de direito, a modos que evito até ao limite o conceito de selfservice, se o preço é o mesmo poupa-me tempo deixar o depósito a encher e ir tranquilamente beber o café da manhã e pagar e voltar e seguir o meu caminho com o mesmo cheiro com que saí de casa.
Bolas, qualquer dia inventam um franchising, em que o cliente vai ao frigorífico escolhe o que quer, cozinha mediante receita exposta no ecrã, chamam-lhe cozinha do autor, (que neste caso é o próprio) e paga um balúrdio na máquina tipo parquímetro à saída e fica tudo muito contente porque pagou para fazer o que não faz em casa!!!!
São coisas que não percebo, por agora, não quero perceber e que por hoje me chatearam!

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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A banda sonora de Novembro de 2009

(...)
I wish I was a sailor with someone who waited for me.
I wish I was as fortunate, as fortunate as me.
I wish I was a messenger, and all the news was good.
I wish I was the full moon shining off a camaro's hood.



I wish I was AN ALIEN, at home behind the sun,

I wish I was the souvenir you kept your house key on.

I wish I was the pedal break that you depended on.

I wish I was the verb "to trust", and never let you down.

(...)

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Mudança???

Ainda há dias pensava que ia ser assim para sempre. Hoje sei e sinto que as mudanças, as verdadeiras transformações são internas e lentas. Possuem ritmo próprio e quando nos apercebemos, verificamos que o processo, apesar de nosso, foi tão gradual que é intrínseco. Longe vão os tempos em que os dias eram de 24h, por vezes 48h ou 72h...a energia era inesgotável. A vontade e o viver eram impulsionadores de uma adrenalina que não lembrava a que dia pertencia aquele orvalho, ou que noite era iluminada por tão fantástica lua. Em 11 meses estou tão diferente e no entanto tão igual. Acredito que após tamanhas mudanças internas, tudo o resto se transforme. Este tem sido um ano estranho, um ano catártico, de descobertas e resoluções que sinto estáticas. Contraditório? Provavelmente. No entanto é o que sinto: um Eu numa transformação de 180º, mais tranquila, mais paciente, no entanto, menos social, menos extrovertida. Apesar de ter consciência de toda a mudança que se operacionalizou em mim, há algo que ainda não compreendo, ou seja, este tem sido um ano em que me sinto parada, absolutamente estática e no entanto tão cansada de lutar. Inúmeras vezes penso que talvez seja esta a resposta: larga tudo, abranda o ritmo. Talvez os meus esforços sejam um remar contra a maré e talvez esteja na altura de aprender a viver somente das e com as emoções. Talvez esteja na altura de me deixar à deriva para que as marés e os ventos me encaminhem para um porto seguro. Nada aconteceu nestes 11 meses, nem de bom, nem de mau, nem de mais ou menos, nada, simplesmente nada. O que não é mau, porque se não há nada de bom para acontecer, é preferível que não aconteça nada mesmo, o que me faz agradecer-Lhe por este período de ganhar energias, porque Acredito que verei a resposta em breve, sinto-o.

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Coisas Parvas...

Por mais anos que passem, continuo a achar que "pés partidos" só ficam bem, apenas e exclusivamente, ao Michael Jackson.
Meias de vidro nas senhoras, só com roupa formal ou chique, com roupa casual...torna-se demasiado casual (?!?).

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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Que todos os males sejam estes...II

- Bom dia, Srº Drº.
- Bom dia, então o que a traz por cá?
- Está marcada para hoje a intervenção.
- Ahhh...pois, tem razão. Trouxe consigo os exames?
- Estão aqui.
- Humm...sim...pois...já tem 3 meses.
- Sim, não consegui marcação de cirurgia para mais cedo.
- Pois...compreendo. Então fazemos assim: como estamos perto de Dezembro e é complicado para os serviços acompanharem o pós cirúrgico, vou passar-lhe novos exames e no dia 04 de Janeiro, vimos os resultados e marcamos a intervenção. Parece-lhe bem?
- Bem, bem não parece, uma vez que desmarquei a semana e adiei tudo o que tinha programado.
- Então reprograma tudo e em Janeiro iniciamos o ano em força. Prazer em vê-la e até Janeiro.
- (...) até Janeiro (...)

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domingo, 22 de novembro de 2009

Que todos os males sejam estes...

...um cliché actualizado e que me serve na perfeição para a conjuntura actual. Não sou medrosa mas sim, descuidada com a minha saúde. Sou apologista que as coisas têm exactamente a importância que lhe damos, logo não dou. Não tenho feitio para hipocondríaca, dava demasiado trabalho e ocupava-me um tempo que não tenho, ou melhor, que me recuso disponibilizar. Tal como também não dava para anoréctica ou bulimica, exige uma estrutura mental obsessiva / compulsiva e nesse aspecto, também não tenho. Pensei que este ano tinha terminado a minha dose de maleitas, mas afinal parece que ainda não, consequentemente, amanhã vou cortar "uma posta" infelizmente não é nenhuma daquelas que considero supérfluas, mas será o que tem de ser. No fim de contas, nem posso reclamar pois fui eu que "deixei andar", não dei atenção suficiente, no entanto tenho a certeza, que amanhã encerro o ciclo saúde da melhor forma possível e porque ACREDITO que todos os males sejam estes.

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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Tic Tac

Pausa..tic tac..inspira..expira...tic tac...o tempo marcado a compasso...tic tac..respira...sente...tic tac..sentes-me. Sentes.te...o ponteiro, autónomo, exige vida própria...tic tac...as ondas cadenciadas enrolam-se suavemente nos meus pés...tic tac...não me apercebo, caminho, não sinto...caminho. Molho os lábios. Salgado o gesto e no entanto tão doce. Sensação de voar...ausência de peso...Paz e... o som, aquele som...tic tac...desfasamento. Alheamento do real, uma espécie de atordoamento impulsionador do ser...tic tac...na areia um rasto, pegadas desencontradas. Uma outra pessoa, um outro tempo, uma outra vida...tic tac...sensação de poros abertos. Receptivos. Ávidos. O sangue corre nas veias, numa viagem similar a um formigueiro agridoce...tic tac...dói...tic tac...não dói...o deserto amado, a terra...o cheiro a molhado cola-se na pele, sobressaindo os instintos...tica tac...palco de vida...tic tac...palco de morte. Um querer mais de apenas querer. Sangue, ar, desejo e pele, confundem-se misturando-se numa vontade que se ergue dos recônditos da alma...tic tac...quente este dia. Lento. Acelerado o consciente. O inconsciente. Lentificado o relógio...tic tac...uma ansiedade de quem se sabe pronto. Receber. tic tac...Dar...tic tac...acelero o passo...tic tac...ouço o meu coração...tic tac... próxima...tic tac...

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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Still Alive

(...)
"Is something wrong, she said
Well of course there is
You're still alive, she said"
(...)

Espelho. Vermo-nos em espelho. Lembrar que todos temos coisas em nós que gostamos menos. Telhados de vidro. As pessoas perdem demasiado tempo a dissertar sobre a vida dos outros, fazem conjecturas, aliando ao que sabem o que pensam que sabem. Falam de mais, falam sobre os outros e fazem-no em cadeia. São pessoas desinteressantes, pequenas e mesquinhas. Este é o continuar das revelações, algo que iniciei o ano transacto. Começo a achar que o mito de Freud é mais vulgar do que aparenta, e também começo a mudar a minha opinião acerca do "ser intrinsecamente mau", ser má pessoa, o ter má índole em algumas pessoas é aprendido, noutras é um ensinamento decorrente das adversidades e em outras ainda é algo inato. É mesquinho, poucochinho e baixo, limitam-se aos seus umbigos, roubam porque nas suas opiniões, quem tem mais merece-o, mentem porque já não sabem falar verdade e deste modo, vão fazendo mal aos outros de forma voluntária, castigam-nos e adoptam a postura do ofendido: se não era para te roubar não tivesses deixado a mala junto a mim. São pessoas manipuladoras e intriguistas, cada sorriso é um golpe e cada palavra uma jogada para adquirir a confiança do outro, não tem e não conseguem ter uma gota de empatia em si. Quando confrontados usam o nome de Deus em vão e juram sobre o que lhes é "querido", e que se Ele não fosse justo, as suas famílias não sobreviviam.

Já não me surpreendo, mas continuo a não me dignar sequer a confrontar esses seres patéticos, prefiro dar-lhes o que de melhor sei dar: o meu desprezo, não existem...pura e simplesmente Não Existem.

Falem, enredem-se em encruzilhadas sem dignidade...lembrem-se que tudo na vida tem o seu retorno e por maior que sejam as mentiras, a verdade é reposta, leve o tempo que levar...eu tenho tempo e porque no fim ...

"I, oh, I'm still alive

Hey I, oh, I'm still alive

Hey I, but, I'm still alive

Yeah I, ooh, I'm still alive

Yeah yeah yeah yeah yeah yeah"

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domingo, 15 de novembro de 2009

Feliz Aniversário!!!




Hoje não lembrei. Não recordei. Mentira, apenas quis esquecer. Fingir que já não me habitas. Tentei encontrar inúmeras palavras para te dizer, algumas de saudade, outras de dor, algumas de culpa e outras tantas apenas de amor. Percebi. As palavras estão gastas, estão ditas e sei que foram ouvidas. Nem sempre são precisas palavras, já não preciso de palavras. Foi lento e suave o movimento de paz que me invadiu, transbordou-me e fez-me sorrir: não existem palavras, não precisamos delas. Não precisas delas ou melhor, eu já não preciso delas. Senti. Sinto, apenas de maneira diferente. Outro espaço, outro lugar, outro significado. À direita D' Ele, sorris-me. Retribuo. Hoje lembro. Hoje recordo. É verdade, não consigo esquecer. Amadureci, é-me suave e doce o dia. Larguei. Libertei-me. Libertei-te.

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domingo, 8 de novembro de 2009

Meditação...

... e introspecção deviam ter livro de instruções. É isto que é suposto sentir?

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domingo, 1 de novembro de 2009

Perguntas:

  • Nascemos "programados" com uma maior quantidade de emoções negativas, do que positivas?

  • Será responsabilidade da herança judaico-cristã esta apetência, humana, para exacerbar o sofrimento?

  • A paixão, o amor e o enamoramento retiram negatividade aos indivíduos?

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(Des)conversa 19

No jardim junto a minha casa. Um idoso de 78 anos (Ele 1) e outro de 60 (Ele 2):

Ele 2 - Bom dia, J.M.. Pode dizer-me as horas?
Ele 1 - (olhando para o relógio) Olha são horas de me pagares o que me deves!!

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(Des)conversa 18

Duas crianças na casa de banho das senhoras. A miúda aí com uns 10 anos e o rapaz com 7.

Ela - Eu vou a esta. Queres entrar comigo?
Ele (amuado) - Não, quero ir sozinho.
Ela - Então vai à da ponta que está livre.
Ele - Não quero.
Ela - Não queres porquê? Está livre. Vai aquela. Não espero por ti.
Ele (a ficar irritado) - Não! Aquela não quero.
Ela - Ópa mas porquê...'tá livre.
Ele (aos gritos) - Não quero...não vou a casa de banho dos insuficientes.

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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sensações...

Por mais que tenta-se sair do marasmo em que se encontrava, a saída não se apresentava nítida. Ou talvez estivesse mas a sua perturbação não lho permitisse ver. Às vezes as soluções são as coisas simples, as que olhamos no dia a dia mas não valorizamos. Ignoramos o óbvio. Sentado naquele chão os pensamentos eram invasores: controlavam os sentimentos que de repente pareciam ter ganho vida própria. Devia permitir-lhes essa expontaneadade? Saberia vivê-los ou aguentar as sensações que provocam? Nunca se tinha permitido viver nas e das emoções: era racional. Pára!! Era? Inconscientemente começava a questionar-se. Algo mudava. Chegara a mudança. Olhou para o seu lado esquerdo e apenas vislumbrava um túnel escuro, sombrio e triste, no fundo era possivel avistar um vulto. O desenho lembrava a figura humana, mais exactamente, a figura de um homem. Olhando para esse buraco que se erguia dentro de si, conseguia perceber agora, que o vulto só e escondido no fundo era ele próprio. Estava a viver com os sentimentos em espiral, terminando num gigantesco circulo. Dados viciados. Comportamentos viciados. Fácil. Defesa. Chega, porra!
Racionalizar, operacionalizar e sistematizar os factos, os acontecimentos, os sentimentos e pior: as emoções. Tinha de acabar. Acabou. Virando-se lentamente, decidiu que não olharia para a sua esquerda. Não gostava do que sentia. Aquela figura- fundo ia transformá-la numa névoa que com o tempo desvaneceria completamente. Embrenhado nestes pensamentos nem se apercebeu que se encontrava junto a um novo túnel. Portões nobres, firmes. Colossos. Olhou para o interior à medida que esses colossos se escancaravam de par em par, num movimento tão sereno, tão suave que parecia fácil. Percebeu. É fácil. Apurou o olhar, activou a audição e mais importante soltou a pele. Táctil o sentir. Não tinha medo, nada receava, sabia-se guardado e protegido. Seres de luz. No fundo deste túnel, cujas paredes são raiadas de uma luz incandescente, brota uma energia pura e vigorosa que lhe entra pelas narinas alimentando-o. Caminha seguro. Sabe. No fundo uma multidão está reunida, sentem-se os sorrisos, as palavras são carinho, os gestos ternura. Há amor. Dá-se e recebe. Tinha entrado, estava junto da multidão, com ela partilhava emoções, intuições. Ouvia-se rir, sentia-se em paz e tranquilo. Entregava-se e recebia. Soberba a sensação. Entrou no lado direito. Desbloqueada. Estava vivo.

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Perguntas:

  • Será possível ter/ viver o melhor de dois mundos?

  • Será que "trair apenas uma vez" é menos traição que um acto continuado?

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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

(Des)conversa 17

T - Lizard, és uma mulher excepcional, és bonita, inteligente, só fazes o que queres e eu já percebi.
Eu - Já percebes-te o quê?
T - Que és apaixonada por mim.
Eu - (?!?) EHEHAHAHA...IHIHIHIHI...
T - Não te rias, sei que há mais de 10 anos que me desejas mas sempre foste timida e eu percebo.
Eu - Eu é que não percebo.
T - O quê?
Eu - Se estás bêbado ou se és só parvo.
T - Não disfarces. Olha-me nos olhos e diz sem pensar porque é que é mentira.
Eu - Falta-te peso, altura, largura e principalmente QI.
T - Estás a dizer isso só para disfarçar. Sei que me desejas e queres há mais de 10 anos.
Eu - AHAHAHAHAHAHHAHAH...Ok, então a que se deve a minha timidez?
T - Porque sabes que a maioria das mulheres quer estar comigo, inclusivé mulheres casadas e as namoradas de amigos e eu sempre te respeitei, por isso é que só agora resolvi dizer-te que sei que me queres.
Eu - És autista, só pode.
T - Pronto, eu respeito a tua timidez.

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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

**Suspiro**

Um coração partido pressupõem uma dor que apenas é refreada pela necessidade incontida de repisar o assunto, um mundo de "ses", em que a mente precisa de ser treinada para se focar no real e no concreto. Nestas fases as palavras ditas são dolorosas e raramente as ouvidas fornecem o alivio necessitado. Os amigos fazem o melhor mas a dor, o desalento e a tristeza inerente superam os esforços e boa vontade dos mesmos para nos tirarem do "buraco". Nesta fase de tristeza, de luto emocional, a chuva não chega para descrever as lágrimas choradas, o sol do deserto é rudimentar face a um coração árido. Descrevemos, ao minuto, o nosso estado de espírito deprimente com imensas métaforas e hipérboles nascidas no Hades. Não existem palavras ou acções que nos façam acreditar que "aquele" estado de espírito não é o fim do mundo. A tristeza provocada e sentida, por um desgosto de amor é diferente de todas as outras, é sentida como mais profunda, quase como que mortal: perde-se peso, não se dorme, o rosto denuncia cansaço e mau estar interno, a boca ri mas os olhos - esses espelhos da alma - denunciam uma quase ausência de vida, desmotivamos e isolamo-nos. O mundo acabou. Pelo menos o nosso mundo - aquele mundo.

Quando o coração se preenche de um outro ser, que o invade e faz render numa dança de suspiros, risinhos e saudades ao segundo, o nosso humor é quase maníaco. Vivemos a flutuar, acima dos problemas terrenos. As borboletas - essas teimosas - invadem o estômago ao toque do telemóvel - "aquele toque" - ao sinal de mensagem. Facilmente ruborizamos ao pronunciarem o seu nome, até quando o mesmo, não pertence ao ser que nos faz viver sem os pés no chão. Nesta fase da paixão, do enamoramento a disposição é contagiante de eufórica, sorrimos sem razão aparente e rimos sozinhos, o rosto rejuvenesce e mesmo sem dormir - porque o amor tira o sono - o nosso semblante é de leveza, de paz e felicidade. Os outros sentem-se confortáveis ao nosso redor, são contagiados pela nossa alegria transbordante. A felicidade é tanta que um dia de tempestade, aos nossos olhos, nada mais é que um excelente dia em que o sol brilha intensamente. Nem nos apercebemos de nada menos bom ao redor. São estados de alma ambicionados e - erradamente- procurados. O mundo é sentido como belo, incansável e um sitio esplendoroso para viver. Ficamos felizes só de ver algo que o outro gosta, de ouvir a sua música na rádio ou apenas de lembrar como é o seu sorriso, o seu olhar, os seus gestos e como seria tão perfeito se estivesse ali, connosco. Como havia de gostar de dividir o momento, este, aquele, o outro...o resto da vida.

E agora? Raios ma partam, e agora? O que é que é suposto sentir agora?
Quando os acontecimentos não são de luto da perda de amor do objecto ou de luto pelo objecto, quando não estou apaixonada ou enamorada ou atraída ou qualquer outra coisa daquelas que dão borboletas na barriga, seja objectivo alcançado, viagem ou carro novo, que seja até uma mudança de vida, de trabalho ou de personalidade. Quando a situação não é traição de "amigos", conhecidos ou colegas de trabalho e não se pode sentir raiva, ódio ou desprezo. O que é que se sente?
Sinto aborrecimento mas não estou aborrecida, sinto-me chateada e as coisas chateiam-me, sinto-me instável mas já sou instável. A agressividade aumenta e a impaciência não a ajuda. Quero sentir alguma coisa. Alguma coisa que saiba e consiga identificar na paleta de sentimentos, com as quais nascemos equipados. Quero usar uma dessas coisas. Dar-lhe um nome. Dizer palavrões ou chorar ou rir ou ...ou...qualquer coisa.
Nada disso. Não sinto nada porque sinto tudo. Um nó no peito apertado que me corta o ar - suspiro - uma sensação de peso na cabeça e um cansaço permanente - suspiro - hipersómnias que se agravam no tempo, desmotivação face ao trabalho (pudera) - suspiro - um discurso arrogante e uma necessidade bélica premente - suspiro...e no fim de contas a verdade é só uma: sinto tanta coisa, nenhuma definida, que não sinto nada a não ser um vazio negro - não há sentimentos e inconscientemente suspiro, o ar que respiro não chega. As palavras, as acções, o que digo e o que ouço não chegam, não ajudam. Não sei o que sinto, o que deveria sentir. Suspiro.

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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Pormenores

Suspiro*****


Diz-se por aí que quem tem amigos "grandes" ou convive com muitas pessoas "grandes", tendencialmente, torna-se "grande" também.

*******suspiro

I'm so fucked!!!

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domingo, 4 de outubro de 2009

Opiniões

Palhaçada a uma escala menor, uma vez que a grande palhaçada foram as legislativas do passado fim de semana. Assim foi na minha terra.

Por aqui o cenário das listas às autárquicas demonstra bem o que se passa no resto do país. De 4 em 4 anos as pessoas reaparecem como candidatos em listas diferentes, deste modo, temos duas listas (PS e PSD) compostas de "independentes", uma lista assumidamente independente (?!?), sendo que a terceira, CDS-PP, ninguém sabe quem a integra e até ontem nem se sabia que estava na corrida, resta-nos a CDU que junta nas suas fileiras jurássicos e a nova elite cá do burgo. Resumindo, por aqui, o PSD é assumidamente multi cultural e feito de "jobs for the boys", enquanto o PS tem umas caras daquelas que ninguém sabe de onde apareceram e claramente estão para fazer número. A CDU continua cheia de boa vontade mas está na altura de deixar o pessoal novo contribuir activamente para a construção do programa eleitoral, os antigos fazem falta enquanto mentores mas não podem manter o autoritarismo e as ideias que os fizeram vingar no pós 25 de Abril, até porque em Portugal não se fala o suficiente do pré 25 de Abril para que as camadas jovens entendam os objectivos dos seus actos politicos. O mais grave é que a maioria destas personagens que compõem as listas nem sabem do que consta o seu programa eleitoral mas depois dão-me um folheto para eu ver (?!?).

Nesta rocha a politica não é algo que mereça destaque e pelo andar da carruagem vai continuar sem um lugarzinho para apregoar as suas demagogias "independentes" até porque este Lagarto é convicto de que só deveriam pertencer às listas militantes filiados durante um determinado número de anos e com provas dadas de trabalho em prol do mesmo. Quem entretanto mudá-se de convicções politicas poderia sair e refiliar-se num novo partido mas passaria por um período probatório que o inibia de se candidatar fosse ao que fosse e de integrar as listas. Os "independentes" deixavam de existir, não transmitem confiança ao eleitor (pelo menos a mim), porque já integraram um sem numero de listas de partidos diferentes e deixam-me sempre a pensar que são voláteis nas opiniões e crenças, logo não servem para me governar.

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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Stress Pós Traumático

Stress Pós- traumático: é uma forma de ansiedade, que se segue à experiência de um acontecimento particularmente traumático sobre o plano psicológico. A experiência “stressante” é exterior ao indivíduo, fora dos acontecimentos comuns da vida humana, como sejam as situações de guerra, tortura, abuso sexual, catástrofes naturais, desastres provocados pelo homem (explosões, quedas de aviões, acidentes de tráfego,…), situações onde a maioria das pessoas não tem capacidade de desenvolver as reacções mais adequadas. Esta situação pode tornar-se numa doença psiquiátrica crónica, marcada por surtos e remissões. As investigações clínicas apontam para a ocorrência de alterações neurobiológicas do sistema nervoso central e periférico nestes casos.
Quem está exposto a este disturbio:
As domésticas são as que apresentam mais casos (15,5%), seguidas dos desempregados (14%) e trabalhadores não profissionalizados (12%). Cerca de 10,9% dos militares apresentavam este distúrbio, ou seja 66 465 casos se extrapolados para a população geral portuguesa com mais de 18 anos. Os acontecimentos “stressantes” mais frequentemente encontrados foram: morte violenta de familiar ou amigo, ataque físico, acidente grave de viação, violação, abuso sexual antes dos 18 anos e combate.
Estou em stress pós traumático. Esta semana esmagadora, e é a crise, e as pessoas e as coisas e o mundo e o cão e o gato e o periquito e o trânsito e a parvoice e o raio que o parta e mais umas quantas merdas que me deixam num estado autista para defesa minha. Sinto que estou a atravessar um periodo de catastrofe em que tudo está desorganizado, é desorganizante e consequentemente reflecte-se na organização interna. No entanto é positivo, vivo-o em resiliência, como se interiormente aguarda-se um periodo de Closure. Oh valha-me a Santa, isto relido é incoerente. É a minha cabeça: ideias confusas, recorrentes, verborreica e pensamento acelerado que origina um discurso prolixico e descontextualizado. Foda-se, que merda de semana, que merda de dia.
Hoje é dia de GT, está decidido!!!!

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