quinta-feira, 24 de abril de 2014

Abril mês de mim

Abril mês de revolução, de cravos, sonhos, quimeras, utopias, esperança e desesperança.

40 Anos de Abril, 40 anos sobre a revolução, 40 anos de evolução que se sente como regressão. 40 anos de liberdade e 40 anos de escravidão encapotada por discursos inflamados mas meramente demagógicos. Escravos do trabalho, escravos do ter, escravos do fazer, escravos de objectivos megalómanos, de sonhos de grandeza e sucesso.

Somos escravos das nossas ambições, fazemos escolhas conscientes/ inconscientes tendo em vista o bem estar e o sucesso, perseguimos objectivos cujas viagens são tão grandes que a determinada altura não sabemos em que ponto estamos.
Os meus 40 anos são iguais aos 40 anos de Abril: um tudo que é nada, uma liberdade entravada por excesso de racionalismo, de privações e obrigações - apliquei-me a mim própria medidas de austeridade tão excessivas que a par das outras, daquelas do Estado,  me estão a esmagar.

Começa a sentir que as  expectativas sobre Abril são excessivas.
Parabéns "Abril" que sejas feliz!

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(Des)conversa 80

Afilhado com 6 anos fresquinhos
 
Ele - pardinho tu tens um bebé?
Padrinho - Não porquê?
Ele (pensativo) - mas quando é que tens um bebé?
Padrinho - Não sei mas essa conversa vem de onde agora?
Ele - de lado nenhum ... eu é que pensava que tu podias ter um bebé
Padrinho - para quê?
Ele - Porque se tu tivesses um bebé ele depois da escola também vinha para casa da tia e fazia companhia à mana
Padrinho - e a ti, não?
Ele - Não pardinho, ele é bebé já não pode brincar comigo, só com a mana, e assim ela já não mexia nas minhas coisas, e a tia já me deixava ir sozinho para o parque, porque tinha de tomar conta dos bebés.

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(Des)conversa 79

Afilhado com 6 anos fresquinhos
 
Ele - Mardinha tu tens namorado?
Eu - Não. porquê é que perguntas.
Ele mas devias ter ...
Eu - mas porquê?
Ele - Porque hoje a corrente da minha bicicleta saiu e ninguém conseguia arranjar, depois apareceu lá um miúdo de mangas curtas e conseguiu, e disse-me que assim nunca mais sai ... um miúdo muito giro, assim parecido com o Tio J., podia ser teu namorado.
Eu - mas eu não conheço o miúdo e posso não  gostar dele, já pensaste?
Ele - Já. Assim tinha sempre quem me arranjasse a bicicleta.

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(Des)conversa 78

Com parceiro de trabalho
 
Ele - já não  a via há muito tempo.
Eu - É verdade, sabe que ter dois locais de trabalho não é fácil, ando sempre a voar de um lado para o outro.
Ele - Pois é, e logo dois sítios tão grandes e cheios de problemas. Tem colegas para ajudar ou está sozinha?
Eu - Estou sozinha por isso de vez em quando, como hoje, tenho de vos pedir ajuda. Já não chego a todo o lado e estou muito cansada.
Ele - Pois é daquelas que devia ganhar dois ordenados ou pelo menos 1 e meio... você nunca foi feia mas está mais magra ou é impressão minha.
Eu (really!) - Estou na mesma ... são os saltos...
Ele - Não é não, está mais magra e ainda mais gira mas não emagreça mais, senão perde a graça.
Eu - (?!?)

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terça-feira, 15 de abril de 2014

Coisas ...

Depois de andar a trabalhar que nem uma maluca ou como me disseram "como se o mundo acabasse amanhã", eis que queimei o Tico e o Teco. Estou a rasca para me recuperar ... grande merda!

Depois dos fusíveis terem feito curto circuito, eis-me a pedir ajuda ao Sr Dr, que de útil mandou-me ir de férias, de inútil, disse-me que tinha de perder 10 kg (?!?) Alguém sabe como se perdem 10kg só na anca e rabo?

Queria ter algo para partilhar mais animado mas o meu estado anímico anda como eu - mordido pela mosca tsé tsé - e sim, estou convencida que vou ganhar um lugar no Céu - parem de me chatear.

Ando, novamente, numa daquelas fases que se pudesse comprava um par de sapatos por dia ...e há dias que comprava mais de um (suspiro) compensação afectivo-emocional? Provavelmente mas se fosse droga era pior, certo?

Concluí-se e certifica-se que não nasci mesmo para fada do lar ... porra! não há nada que goste de fazer de faxina doméstica: "Pró natal o meu presente, já sei  o que quero ... uma mulher a dias uma mulher a dias"

 

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terça-feira, 11 de março de 2014

ad aeternum

a minha família não é  a mesma: uns nascem outros morrem.
a minha casa não é a mesma e não sei se amanhã será.
o meu trabalho não é o mesmo e não sei se amanhã será.
 
seja como for acredito que nada é ad aeternum  mas algures por ai Acredito que o Universo arranjará um lugar para mim.
 
Cada vez mais as mudanças são inevitáveis, se são necessárias já é outra história mas como disse Darwin e tão bem: é a sobrevivência do mais apto.
 
 Então vamos adaptarmo-nos e criar os mecanismos necessários à sobrevivência.
 
Se é fácil? Não.
Se é impossível? Não.
 
 
Leva o seu tempo.
 
Espero tê-lo.
 
Cada vez mais me sinto uma alma velha e a definhar.

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Sol

Basta vir um raio de sol e eis que o povo sai de chinelo e manga curta.
 
Andamos tão precisados do sol.
 
Conseguirá ele repor os níveis de vitamina D, serotonina e dopamina, necessários a lidar com tudo o que de menos bom nos rodeia?
 
Aguardo.

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quinta-feira, 6 de março de 2014

Coisas ...

"Por mais que tente não consigo retirar prazer de qualquer actividade ou companhia, parece que estou morta por dentro. Tudo na minha vida é um esforço, uma luta, uma batalha, uma guerra, que às vezes ganho no ultimo minuto outras perco e fico gravemente ferida. Disseram-me que tinha de me esforçar mais, como posso faze-lo se não tenho forças?
Se pudesse deitava-me e nunca mais me levantava. Estou presa numa prisão de grades invisíveis, não sei sair, não consigo sair, não sei se quero sair. E depois fazia o quê? Quando nada sei fazer. Talvez seja uma depressão ou talvez seja apenas a vida. Chamam-me exigente e obstinada. Talvez tenham razão ou talvez seja apenas esconder-me à vista de todos. Devo afastar-me do que quero pois posso querer apenas para não ter de lidar comigo, e esta dor que me castra e destrói. Talvez. Se no fim de lidar comigo ainda quiser é porque realmente quero ... confuso? Também achei. Não existem formulas mágicas apenas pilulas mágicas que adormecem o ser. Não tenho paciência para os teus lamurios,  não tenho paciência para quem não quer ouvir, para quem se assume como estando mal mas nada quer mudar, porque no fundo, no fundo, gosta de ser assim - mesmo pela negativa consegue a atenção do outro,  a sua pena, e desculpabilização - lamento mas não tenho paciência. Na verdade já não tenho paciência para nada, nem para mim. labirinto do Minotauro, fio de Ariana partido, voltas e mais voltas, padrões reconhecíveis, irreconhecíveis, mutáveis e imutáveis, haja conhecimento, vontade e perseverança.  Não precisas de ouvir. Não precisas de ficar. Nenhuma amizade sobrevive a tanta catástrofe. Aconteceram-me coisas boas no meio do Tsunami, não te nego a razão, apenas não as consigo recordar. Chamas-lhe fatalismo e ter pena de mim própria. Talvez. Até te dou razão, e existiram algumas coisas boas mas pergunto-te: as coisas boas que me aconteceram não são a rotina, o típico, o habitual na vida de toda  a gente? Então porque é que para mim tem de ser bênçãos e tenho de estar eternamente agradecida por elas? Se te acontecesse a ti sentirias como fatalismo, pessimismo e pena de ti própria?
É fácil debitar duas ou três larachas, por ar de entendida e debitares umas quaisquer teorias racionalizadas que supostamente justificam o irracional. Deixa-me ter pena de mim própria, pelo menos não finjo que está tudo bem, que não me importo com nada, que sou de aço. Talvez não volte a falar contigo. Talvez não volte a falar com ninguém. Esta é a minha máscara, deixa-me usá-la "

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Reflexão # 5

A solidão acompanhada não é mais que a discrepância entre as relações expectadas e as relações existentes.
 
 
Esperamos demais dos outros, esperamos demais de nós próprios. É uma bitola invisível e megalómana que nos impele, ainda que inconscientemente, a ser os melhores, os mais giros, os mais felizes. As revistas trazem milhares de artigos sobre como alcançar a felicidade plena, a estabilidade e a beleza digna de Hollywood, as páginas do facebook mostram-nos, inequivocamente, que existem milhares de pessoas com vidas fantásticas, "perfeitas", e quantos livros de auto-ajuda, tão na moda, nos dão as dicas para sermos plenos, realizados e irremediavelmente felizes, e quão pequeninos, estúpidos ou ignorantes nos sentimos, por seguirmos todas as "visualizações", pensamentos positivos e outras técnicas mais, e ao invés de nos sentirmos melhores a cada dia apenas ficamos mais frustrados. A sentir que temos "um problema grave" - se as dicas funcionaram para milhões de leitores, porque não connosco - que tipo de pessoas somos, que nem um mero livro, com dicas tão simples e óbvias, conseguimos seguir?
 
Assim se vai vivendo, crédulos da felicidade alheia, como algo incontornável e inquestionável, e descrentes no amanhã e na aplicação correcta da formula mágica que resolve todos os problemas.
 
Estou em crer que a única "formula mágica" somos nós ou melhor: está em nós. A nossa capacidade de resiliência, de lidar com as frustrações, de adiar a gratificação, e principalmente na tolerância a nós e ao outro: a consciência de que onde existe mais do que um querer, terá de existir cooperação, uma solução de compromisso. Pois quem tudo cede e tudo dá, sem nada receber a determinada altura sente-se vazio, drenado, esgotado, e quem tudo recebe, sem nunca dar perde, o respeito pelo outro e pelas suas necessidades.
 
Quão imperfeito é ser-se perfeito. Quão trabalhosa é a felicidade, que vendida encadernada, vem sempre fora de prazo. Quão sós estamos no meio de uma multidão barulhenta e invasiva.
 
Nesta procura incessante de bem estar, pedem-se sinais que de tão óbvios, são enviesados para aliviar o que intimamente já sabemos: a perda, o nada, o vazio ou quimeras perdidas. Repete-se o mesmo erro vezes sem conta, sempre na expectativa de um resultado diferente. Os padrões de comportamento, de pensamento, de estar e de ser, são subtis - o problema não está no outro, nos artigos coloridos ou livros milagrosos - está em nós e nas expectativas irrealistas que nos impingimos como formula mágica: se eu fosse... se eu pudesse ... se eu tivesse ... finalmente seria feliz (?!?) 

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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Cansaço

O meu cansaço pesa toneladas. atado ao pescoço e aos tornozelos, sinto-me afundar lentamente, e sem capacidade de esbracejar e manter-me à tona.
 
Como dissipar um cansaço de alma, corpo e mente?
 
Quando o meu trabalho "vive" da minha cabeça e esta está demasiado "cheia a transbordar", como recuperar, quem outrora fomos?
 
Numa batalha contra mim mesma, sinto-me a perder. Receio  a guerra.

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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

A significância da insignificância.

A significância da insignificância.
O poder que conferimos a meros detalhes, invenções de marketing, palavras atiradas ou simplesmente ao nada que nos rodeia.
Sabemos de cor e salteado que a maioria do que nos rodeia foi pensado estrategicamente para nos fazer sentir mal: temos pelos a mais, rugas que espreitam, cabelos demasiado lisos ou demasiado encarapinhados ou apenas cabelos, somos gordos, somos magros, cagamos bem, cagamos mal ...e ainda por cima ficamos com aquela sensação de ardor no estômago ... será azia? ou estaremos apenas aziados com as coisas simples e mundanas concebidas para nos fazerem sentir abaixo dos padrões elevadíssimos e fantásticos das respectivas marcas.
 
Não sei, talvez devido à profissão exercida em registo megalómano, às vezes penso que as pessoas se deixam afectar demasiado pela pressão externa. sim, queremos pertença, enquadrar-nos no meio de um monte de desenquadrados, que como nós compram frascos de felicidade que tiram rugas, roupas que estilizam o cu e as mamas, preservativos com saber a manga/laranja para ser sensual, e bebidas que devem ser bebidas com moderação mas que nos dão estilo ... ou pelo menos atordoam uma visão que se pauta pela significância da insignificância.
 
E quando olhamos em redor, sentimos que precisamos de mais iogurtes, mais cereais, mais margarinas, daqueles que tiram o colesterol, a barriguinha e as cartucheiras ... precisamos de mais e mais, sempre um mais que nos ajude a reduzir o sentimento de impotência, de desamor e de solidão, que nos faça bonitas/os, elegantes, desejáveis em outros espelhos que não o nosso. Precisamos de ser narcisados, de ser amados, admirados e/ou valorizados, seja pelo que for ... nem que seja pelas insignificâncias que no conjunto nos fazem sentir uma qualquer significância.

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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O Universo na sua grande sabedoria

Por mais exemplos, provas e outras coisas mais, teimo em esquecer-me ou recalcar a grandiosa sabedoria do Universo ... até para as mais ínfimas coisas ou para as fúteis.
 
Dada a minha fugaz capacidade de gastar dinheiro, desde o inicio do Universo que penso o quanto preciso de comprar umas botas, e não, não é por não ter "nada" para calçar mas porque fiz uma ruptura de ligamentos num joelho e apenas posso (devo) andar de rasos ... e numa fase que só me apetece calçar altos ... é sempre assim. Dito isto, lá andei todo o inverno a queixar-me que as minhas botas favoritas estavam velhinhas, já levaram capas e meias solas - duas vezes, (o que ficou mais caro do que o preço delas) mas sou apegada às minhas coisas que querem ...
 
Hoje às 7h da manhã o Universo resolveu dar-me um chuto no cu e fazer-me ver que não dá mais - preciso de umas botas novas. E porquê a urgência e a extrema necessidade às 7h da manhã?
 
Porque lavei-me, vesti-me e calcei as minhas queridas botas, puxei o fecho até a cima, e eis que quando chego à cozinha sinto a bota direita larga ... o fecho não fechou, sim as partes não se uniram mas o dito cujo está ao pé do joelho - pânico - tentei fazer com que descesse e consegui até metade, a seguir encravou - nem para cima nem para baixo. Sem outra hipótese vim trabalhar com uma bota presa na perna dado que para  atirar vou ter de rebentar o que ainda existe do fecho ... e assim acabar com o sofrimento das mesmas.
 
Moral da história: preciso de umas botas novas com fechos a funcionar, e desta não pode passar porque não tenho outras - O Universo é sábio. 
 
Graças a Deus não tenho de me descalçar ou despir no trabalho, porque isto não são trambelhos de uma pessoa com 40 anos ... às vezes tenho curiosidade em saber se estas merdas disparatadas só me acontecem a mim ... tipo o dia em que o botão das calças se rebentou ia no comboio para Lisboa e passadas algumas horas o fecho sofreu tanta pressão que se estragou também ... e lá andei todo o dia a tentar fazer com que as calças não caíssem ... presas com um elástico do cabelo e um lápis ... Meus Deus ... será que estas coisas só me acontecem a mim?

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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

(Des)conversa 77

Ela - devias de arranjar um tempinho para falar com as colegas, que elas precisam mesmo de ajuda.
Eu -  Porquê?
Ela - Porque levamos grandes cortes no ordenado e as pessoas não ficaram bem porque imaginas o impacto que isto tem nas nossas vidas...
Eu - Tens consciência que a  mim também me cortaram o ordenado, certo?
Ela - ah ... mas é diferente porque tu andaste a estudar para saber lidar com estas situações...
Eu - (?!?) *@1# *
 
 
* tradução: (em pensamento) egoístas de merda!

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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Pergunto:

A Fé gasta-se?

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Coisas ...

Somos diferentes. Preciso de mais do que o que podes ou queres dar. Vimos de etapas diferentes que evoluem para sítios diferentes.
Não sei o que quero com isto, e tu saberás?


Pelos vistos sabes ... e, sim, tens razão: a falta de tempo é a desculpa do arrogante para não se confrontar com o que quer que seja que o incomode ... ou não saiba gerir.

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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Reflexão # 4

Comecei o ano como acabei: no hospital.

Eu sempre disse que adorava trabalhar num hospital, não ser paciente ou visita.

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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Despir ... 2013 ... Vestir ... 2014

 

Tento tirar qualquer resquício de  2013, no entanto, este é giesta e rasga-me a pele. As cicatrizes são profundas, dolorosas e algumas estão infectadas. Vai levar tempo a sarar. 
Em 2008, senti a devassidão emocional, perdi tudo, até a noção de quem era. Levei meses, anos para me encontrar e reconstruir, apesar das mazelas, das cicatrizes na alma, segui em frente, e sinto que agora estou cicatrizada em pleno. 
No presente ano, nem tempo tive para me lamentar e ter pena de mim própria, atingi o limiar, senti-me impotente, e desesperada mas com tanta coisa a acontecer em catadupa, algumas feridas ficaram por lamber. Este foi o ano em que me anulei completamente, em que nada tenho de comemorativo a titulo pessoal, para além do meu trabalho, pelo qual sou Abençoada, tudo o resto foi uma espiral descendente, com a saúde dos que amo a estar constantemente no limbo, comigo a ser governanta, enfermeira, fisioterapeuta, enfermeira e motorista - a trave mestra - disseram-me e não gostei. Existiram coisas positivas que devem ser assinaladas, as minhas tias vieram em meu socorro e só tenho a Agradecer-lhes, senão não teria conseguido "não me afogar", senti a desesperança mas não atingi o desespero.Agradeço-lhes terem-me agarrado na borda do precipício, e terem caminhado a meu lado.
2013 foi, para mim, um ano em que apenas a Fé e o meu grande Acreditar, me mantiveram erguida ou de joelhos mas a caminhar.
Ainda não terminou, e depois das últimas duas semanas em que pensei ter um período de tranquilidade, eis que sou eu a atingida - pernas físicas e simbólicas - quando não páras a vida pára-te. Já devia de o saber. Pelos vistos ainda não aprendi.
Todos aqueles com quem me cruzei e não vi, lamento mas não o conseguia, e os outros, aqueles que mesmo distantes estiveram presentes, obrigada, pois toda a ajuda é preciosa. (minha querida C. um grande Bem Haja, pelo vinho que me viste beber, as lágrimas que fingi não derramar, e os sorrisos que me fizeste partilhar; compadres que belos jantares de domingo em que posso esquecer quem sou e apenas "estar", H. e F., a vossa paciência tem sido generosa, e as As, que uma perto e a outra longe tem sido incansáveis, ninguém ficou esquecido e sei que "estão" - Desejo-vos o Melhor entre o Melhor).
Devia esperar alguma coisa de 2014, pelo menos que o Universo se alinhasse de uma forma que me fosse um pouco mais suave ou menos doloroso mas não o vou fazer. Talvez seja verdade e não devemos fazer planos para a vida para que estes não colidam com os que a vida tem para nós.


A todos um grande Bem Haja, que 2014 vos seja generoso, trazendo-vos a Paz, Saúde, Amor, Dinheiro e Tranquilidade, em doses suficientes para que a vida não seja apenas sobreviver mas também viver.
Preciso de respirar.

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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Reflexão # 3

Não me apetece escrever ou falar. Ponho em questão se continuo a saber ler. O raciocínio limita-se ao rotineiro e essencial.
Quantas vezes penso em vir aqui, em não deixar morrer esta pequeníssima parte de mim, forçar-me a manter determinados hábitos, por mais ridículos ou vazios que sejam. Não me apetece. Na verdade não me apetece nada. Houvera alguém com poderes para me conceder três desejos e não saberia o que pedir.
Já não me controlo, não domino este estado permanente de ansiedade, a sensação de não ter mais forças, de estar no limite e não saber recuar. Sei que tenho de recuar. Sei que, tal como em outras fases, se não me cuidar ninguém o fará.  
O Natal, supostamente, dá-me algum tempo para respirar e recuperar algumas das forças que esgotei mas como não podia deixar de ser: "porque é que sempre que paro adoeço?" - vá lá saber-se porquê, quem sabe é apenas a velha máxima "quando não páras a  vida pára-te" - talvez seja isso.
Por ora estou semi imobilizada pois a teimosia ganha à necessidade de repouso, e o que há para fazer não me permite exercer este direito tão banal, que é o da inércia satisfatória e necessária.

Verdade seja dita que este ano deixou cicatrizes por todo o lado - profundas e feias mas também tem sido um ano de aprendizagem extrema, de todos os dias batalhar e batalhar-me para seguir em frente. Terei conseguido?
Não sei. Sinceramente, já nem sei se me interessa saber para que lado rodo, nem quais os planos metas e objectivos que supostamente deveria traçar: Não faças planos para a vida pois não sabes quais os planos que a vida tem para ti - e na maioria das vezes são incompatíveis.

Não posso queixar-me da sorte, da Fé ou do quão Abençoada sou, pois caso contrário não teria aguentado ser a "trave mestra" que tenho sido e mantenho. Não me nego: preciso de ser "alimentada", preciso de “viver” e não apenas de “sobreviver”. Talvez o seja e talvez não.  
Vamos ver.

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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Reflexão # 2

Quanto menos dinheiro tens mais contas te aparecem para pagar.
Os eletrodomésticos suicidam-se aos pares.

Lei de Murphy: tudo o que pode correr mal, corre, e na maior intensidade possível.

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Reflexão # 1

O pior da amnésia alcoólica ... é a própria amnésia.

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