Mais que o ouro, petróleo, pedras preciosas ou qualquer tipo de riqueza o ser humano busca o AMOR...idealiza o AMOR.
Talvez seja esta busca que impede á posteriori, que os seres sejam envolvidos por tão nobre sentimento, porque não o reconhecem, não sabem reconhecer.
Talvez sejam as idealizações de amores eternos, românticos e de perfeita comunhão que impeçam os mortais, não todos, mas a maioria de reconhecer quando é atingido, quando é escolhido, quando lhe é dada a oportunidade de sentir e de se sentir.
Talvez existam seres tão carentes que o que oferecem pareça AMOR e quem recebe deixa-se abraçar por esse acomodar terno.
Talvez seja o medo da solidão, o medo de não ser amado e de não amar que impele inúmeros seres para relações desgastantes ou unidireccionais.
Talvez quando o sentir chega, quando se é apanhado pelo sentimento, quando o AMOR envolve as pessoas estas estejam em relações desgastadas mas de algum modo seguras, estejam presas por algo que o medo impede de renovar, transformar ou finalizar. Presas a muito e a muita coisa.
Talvez a bolha que transporta o AMOR seja demasiado discreta e não seja fácil de reconhecer quando nos atingiu. O bem estar que provoca é tão avassalador que não nos permitimos reconhece-lo como verdadeiro mais não nos permitimos senti-lo como real. Dói.
Talvez as feridas e as marcas que ficam de pseudo AMORES passados ou verdadeiros AMORES passados, arrefeçam os sentimentos e reforcem o medo de ser atingido novamente...e de perder novamente.
Talvez a idealização de algo que se perdeu no caminho condicione o futuro do AMOR na nossa vida. Pedras no sapato, se não são tiradas...incomodam uma vida inteira. É preciso resolver, resolvermo-nos para avançar.
Talvez as cicatrizes lembrem um passado real, que nada mais foi, que um excelente, embora doloroso processo de aprendizagem. O verdadeiro AMOR espera que tenhamos maturidade suficiente para o receber. Chegará quando estivermos preparados e não quando esperamos que chegue.
Talvez o AMOR não deva ser esperado, muito menos procurado e chegará inesperado e oferecido no mais simples dos embrulhos. Aos nossos olhos será perfeito. Os defeitos qualidades, as qualidades defeitos - bi -direccional - comunhão expôntanea. É tarde para ser parado.
Talvez o AMOR seja o derradeiro processo de auto-conhecimento. Conhecendo-nos a nós próprios é mais fácil receber o outro, conhecê-lo como se mostra: nunca conhecendo totalmente, respeitando a diferença e amando-a...como amamos as nossas diferenças. Ninguém se anula.
Talvez...talvez...são tantos os talvez que levaria uma eternidade a descreve-los todos...no entanto todos tem algo em comum: O AMOR, ser atingido, levado e abraçado por tão nobre sentimento. Criar espaços comuns de forma tão natural que ao olhar parecem-nos intrínsecos ao nosso ser, à nossa vida, à nossa pele...inatos.
Para poder encontrar, viver e desfrutar o Amor partilhado, é necessário que cada ser se Ame incondicionalmente, se respeite, se conheça e não dependa ou necessite do outro para saber quem é, de onde vem e para onde vai...isso já sabe, agora quer apenas partilhar-se, construir-se numa dimensão que é feita a dois.
Cada vez mais considero uma bênção dois seres serem envolvidos simultaneamente na mesma bolha de tão nobre sentimento. É de preservar e fazer manutenção das partilhas, dos silêncios, das qualidades, dos defeitos, das conquistas e das derrotas, dos sorrisos e das lágrimas, das alegrias e das zangas, tão simplesmente da vida, das vidas com espaço comum...Um Todo...simplesmente Um Nós.
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