sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Razão Vs Emoção

Sempre me considerei uma pessoa mais racional que emocional, no entanto, questiono-me: tenho um dilema entre emoção e razão. Expresso-me apaixonadamente quando as coisas, pessoas ou situações me estão ou são intrínsecas por alguma razão e desligo facilmente quando não me interessam, tenho a capacidade de manter o "gado todo reunido" no meio do caos. Talvez ao contrário do penso, tenho forçado a racionalidade a prevalecer em detrimento da emoção. E agora?

Sei o que preciso de fazer no entanto a afectividade tolda-me o julgamento.

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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

gOstO ....



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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Divagando ... 4

Não sei se sou "normal" ou apenas assintomática. Quer parecer-me que conceitos de normalidade andam sob valorizados, numa época em que nada é normal ou em que tudo difere do que conhecíamos e mais ainda do que ambicionávamos. A minha realidade diária foge ao normativo dos "sítios limpinhos e pessoas arrumadinhas" - há muito que perderam. Impossível. Nunca tiveram, são os "normais" que as rotulam de não ter, não ser e não parecer. Prefiro encarar estas pessoas e suas realidades como movimentos contra-culturais ou apenas como uma "wake up call". Quando nos confrontamos percebemos que não se pode usar o que nunca se aprendeu, se o modelo desconhecia, o modulado irá partir do suposto que não existe. Aliado a estes contextos alternativos por onde deambulo a maioria do meu tempo acordado, surge uma nova geração que não se identifica com nada, que não se motiva e se rege por alguns conceitos que "fogem à normalidade". Exibem graves problemas de confiança e definem amizade como "quem está no momento", sonham com amores Shakesperianos mas até lá não concebem que isso esteja relacionado com o uso e abuso da sua sexualidade. Não julgo, condeno ou recrimino, aliás nem me pagam para isso, no entanto não consigo incluir nos meus padrões mentais, não por puritanismo mas porque me assusta a exibição do instinto de morte no seu estado mais puro, até onde vão? A educação que não forma o carácter, que não primazia o juízo moral, é uma educação que potencia a desculpabilização, que não adequa as emoções aos acontecimentos, o que torna enviesado o instinto de vida. São cada vez mais as grávidas adolescentes que procuram encher um vazio que as preenche na totalidade mas que ninguém lhes ensinou como preencher, outras ainda acreditam que é aquele novo ser o bilhete para o amor eterno e uma fuga antecipada do domínio parental que os ama com um amor amigo mas pouco contentor, pouco seguro, logo, nada eficaz. Esta modernice dos pais amigos está a revelar-se perversa, quando tudo falha é bom e securizador saber que se tem uma Mãe e um Pai, saber que se chega a casa e eles nos perguntam como foi o nosso dia em vez de "a que bar vamos no sábado à noite". Não sou fatalista, não sou esquecida, tive e lembro a "minha fase da gaveta", também me achei um Armstrong por ouvir rock, sair à noite e beber mais copos do que devia ... entre outras coisas mas por outro lado sabia o que era um alpendre, não idealizava ir de férias à Península Ibérica e tinha a absoluta certeza que África não era a capital de Angola. Continua a não ser mas se continuamos neste registo, mais dia menos dia, será. Pareço uma velha casmurra a lamentar o estado da adolescência, talvez porque convivo diariamente com eles e isso tenha prolongado, de certa forma, a minha, ou talvez por conviver diariamente com eles os sinta perdidos e sem direcção, mas felizes, assim se descrevem e acredito-os - quando o modelo desconhece outras formas de vida o modelado assimila-as como perfeitas, desconhecendo que a perfeição é uma faca de dois gumes e que existe uma diferença abismal entre ter uma vida boa e ter uma boa vida.

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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Estações do Ano

Em menos de 24h passou-se da havaiana à galocha. Confesso que desde o fim de Setembro tinha deixado de calçar sandálias e de vestir vestidinhos, estava cansada de todos estes dias de canicula. Gosto do verão mas não sirvo para viver num país tropical. Prefiro a meia estação, primavera ou outono. Gosto dos cheiros e das cores, a primeira lembra-me a reconstrução, o novo; a segunda a mudança, a limpeza: deitar fora o velho e iniciar lentamente o novo. É a (suposta) suavidade da transição que me encanta. O inverno também tem o seu quê de brilhantismo, acordar com uma chuvada, olhar lá para fora e ter aquela sensação reconfortante de fim de semana, poder ficar no sofá a curtir o lume que dança na lareira, que convida à intimidade, à despreocupação. Poder preguiçar, beber chá e ler um qualquer livro que se afigure companheiro do estado de espirito. No fundo sinto que todas as estações são fundamentais, se olharmos, somos tal qual as quatro estações: temos dias em que o sol brilha em nós de tal modo que encandeamos quem connosco se cruza e outros que a tempestade é tão grande que sentimos o trovejar na alma, os raios na voz e no olhar relâmpagos; dias de meia estação em que andamos aconchegados num qualquer casaco ligeiro e o sol não é forte mas transmite segurança, é a nossa atitude que paira cálida no ar e outros ainda temos um dourado outonal a adornar a alma, mudanças subtis que num rasgo se libertam e transformam num sorriso de cheiro a terra molhada.



O tempo, que "eles" anunciam, nem sempre é simétrico ao tempo que experienciamos internamente, há quem sinta o grandioso sol de verão a inundar-lhe a alma num glamouroso dia de tempestade e também quem com 40º graus à sombra sinta nevar-lhe na alma. Somos nós e apenas nós que permitimos qual a estação que queremos abraçar e nem sempre é fácil, até porque existem dias que nascem de sol e a meio da tarde o nevoeiro adensa-se culminando num tornado ... e o contrário também.



Para mim é Outono, as árvores mudam de roupa, o sol espreita sem se impôr e no ar há um sentimento de despedida, de transformação. Quero-a em muitos sentidos, sei que a vou ter independentemente do que quero, até porque os quereres, as vontades, os desejos e as necessidades não são estaticas ou imutáveis e eu também não.



Tudo o que nos acontece é um ensinamento e todas as pessoas que cruzam a nossa vida tem uma mensagem para receber e outra a dar, com algumas dessas pessoas ainda sinto unidirecionalidade, no entanto, começo a aprender que a lição, a aprendizagem ou a troca nem sempre é percepcionada no imediato, às vezes é preciso outros acontecimentos ou outras pessoas, passar por várias estações do ano para percebermos o significado.



Sei disso e elas será que o sabem ou sentem?

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"... hE tOoK mY hEaRt I tHiNk hE tOoK mY sOuL ..."



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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

(Des)conversa 43

Eu - Estás bem? Pareces apática?

Ela - Estou a pensar e não consigo pensar mais.

Eu (rindo-me) - Queres ajuda?

Ela - Não gozes que é sério (...) acho que preciso de alcool.

Eu - Companhia já tens. Vamos lá a casa.

Ela (a passar-se) - Pois o problema é mesmo esse, não tenho companhia ... parece mas não tenho.

Eu - Está tudo bem ?

Ela - Tudo mal, uma merda valente e a culpa é minha ou nossa ou dele ... definitivamente a culpa é dele e não me venhas com merdas que desta vez não tenho qualquer cota-parte...

Eu - Acredito.

Ela - Épa não acreditas nada, nem tu nem eu nem ninguém ... perdoei-lhe e ele voltou mas farto e essa fartura está-me a fartar a mim, percebes? ... Abre mas é a merda do vinho que se penso mais 5 segundos ainda percebo que com tanta fartura, estou farta também.

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(Des)conversa 42

Na minha sala de estar.


Bixo (em lenga lenga) - Não rósto* da minha cola** ... Não rósto da minha cola ... não rosto da minha sala ... não rósto da minha sala ... a minha sala ser velha ... Não rósto da miiiiiiinha sala!

Eu - Então em qual sala gostavas de estar?

Bixo - Nesta ... Eu quê tar nesta sala.



*gosto; ** escola

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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Vale a Pena Pensar Nisto ...II

A Educação Indulgente - Daniel Sampaio


O Dicionário Houaiss define "indulgente" como "aquele que tem disposição para desculpar ou perdoar; clemente". A etimologia da palavra relaciona indulgente com aquele "que se entrega, inclinado, propenso".
Não encontro melhor palavra para definir muitos aspectos da educação de hoje. Preocupados com o (des)emprego, com alguma falta de tempo mas muito afecto, os pais de agora preferem deixar correr a tomar uma medida correctora ou a traçar uma fronteira. É certo que, na maioria dos casos, se interessam muito pela instrução dos filhos e questionam os mais novos sobre a sua vida escolar; mas esquecem que, para além da instrução, a educação se deve preocupar com a formação do carácter. E há muito de aprendido (ensinado) nessa parte da personalidade a que convencionámos chamar "carácter" ..
A personalidade de cada um corresponde a um conjunto de respostas comportamentais que caracteriza a pessoa e determina a forma como ela responde às solicitações do seu quotidiano. É um compromisso entre os impulsos e a necessidade de controlo, de modo a manter uma relação estável entre a pessoa e o seu contexto. Todos temos uma personalidade recebida, herdada, uma matriz pessoal determinada nos nossos genes; mas existe uma personalidade aprendida, o carácter, uma espécie de "segunda natureza", adquirida através da cristalização de hábitos afectivos, cognitivos e morais.
É assim que a educação pode ser definida como faz José António Marina -, como a instrução e a formação do carácter; e é aqui que a educação actual se tornou indulgente, porque lutar pela formação de um carácter forte e atento aos demais exige uma mistura bem doseada de firmeza e afecto, nem sempre conseguida pelos pais de hoje.
Os pais dos nossos dias sabem que o autoritarismo dos seus avós não pode voltar. Espancamentos, sequestros e ausência total de diálogo, tão frequentes na primeira metade do século XX, são agora raros, até porque as crianças conhecem os seus direitos e depressa os denunciam. O problema é que o autoritarismo do passado deu origem, em muitos lares, à permissívidade, a um deixar andar que não contribui para a formação do carácter.
A sociedade de hoje também não ajuda os pais na criação de limites e na educação para os valores. Ao promover, a todos os níveis, a expressão de um individualismo exacerbado, ao cultivar a cultura narcísica e a permanente superação, não fornece o contexto adequado ao sentir do outro. Cada um se quer reconhecer sempre livre e deseja viver para si mesmo, portanto não há disponibilidade psíquica para corrigir, para ajudar a perceber o que está certo e errado, o que se deve ou não deve fazer.
É evidente que temos de educar em liberdade. Não é possível voltar à educação castradora, nem à ideia de que as crianças, colocadas numa escola adequada, iriam evoluir sempre bem. A educação em liberdade, todavia, implica sempre a educação da vontade da criança e o fornecimento de um sistema ético de orientação, que permita uma escolha em cada comportamento decisivo.
Na prática, não é tão difícil como possa parecer. Junto de cada criança, basta perguntar: o que fazes agora? Por que razão estás a fazer isso? Que vai suceder a ti e aos outros se o fizeres? É esta pausa reflexiva muito simples que vai ajudar a criança a fazer escolhas e a tomar decisões adequadas, ao mesmo tempo que lhe atribui a consciência do dever e o sentido do outro.
A ternura e a exigência, ou o afecto e a disciplina como escreve Brazelton, são as bases fundamentais da educação do carácter. Postas em prática muito cedo através de uma autoridade segura e confiante por parte
dos pais combatem a educação indulgente e impedem o regresso ao autoritarismo.



in “A Educação Indulgente”, por Daniel Sampaio, Crónica “Porque sim”, Revista Pública

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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Suicídio lento ou homicídeo lento???????

Se soubesse como me chamo dizia-vos. Se não estivesse num estado dissociativo, partilhava os meus sonhos e projectos. Parece-me que é agora que devo procurar ajuda especializada, num qualquer hospital psiquiátrico - Miguel Bombarda - sempre me pareceu bem, porque gosto do nome, tem qualquer coisa de distintivo, conheço lá um psiquiatra ligado à psicopatologia do adulto, e parece-me ser menos requisitado que o "Julinho das farturas" (nunca percebi este epíteto mas agora soou bem usá-lo).

Sempre acreditei que esta crise económica é mais do que isso, é de princípios, de valores, e agora também de Fé. Em vez de as pessoas se unirem e alargarem o espírito da tolerância, da união, da compreensão, estão a ser absorvidas pelo pânico, aumentam os suicídios, a violência doméstica, a violência no geral e a desmotivação, consequentemente, um panorama que já se avizinha negro está a transformar-se num Hades tenebroso e merdoso. Claro que há motivos para preocupação, cada vez mais, a base da pirâmide está a ser comida e carcomida "até ao tutano", só espero que um daqueles génios se lembre que sem base não há topo. Algumas medidas de austeridade, contenção e o raio que os parta deveriam ser aplicadas mas a todos e começando pelos exemplos de quem "reina". Ninguém me dá ajudas de custo para para porra nenhuma, tal como acontece a um sem número de pessoas, a "culpa" não é destes comilosos que lá estão agora, estes estão "apenas a rapar o tacho", a "culpa" deriva de 37 anos de má gestão, de fuga ao regime de Salazar, de aproveitar para ser, fazer e ter diferente do que avós e pais sofreram. A culpa é de não termos aprendido nada com a história, nossa e dos outros, é não nos questionar-mos e pensarmos que o "poço não tinha fundo" ... mas tem e parece que estamos perto do lodo. Este bombardeamento da comunicação social também me aborrece, não me faço "autista" perante a temática mas começo a estranhar o facto de os quatros canais nacionais dividirem a sua programação entre noticias da crise e cenas como as " manhãs do Zé Manel, as tardes da Albertina,casa dos segredos e etc". Programas amorfos que tornam as pessoas amorfas: sinto que o público é bombardeado com Dinintel e depois com Lexotam, e fica assim numa espécie de dormência, de fim de linha, de impotência e por fim entra num estado apático, de quem já nada espera, de quem já nada pode esperar. Talvez seja este o tão anunciado "fim do mundo", a preparação para um suicídio colectivo e enquanto não acontece, uns quantos cobardes à laia de misericórdia, vão assassinando uns quantos outros - tirar a vida a alguém não é só arrancar-lhe o coração, são inúmeras as formas de o fazer e já começaram: tiram-nos o pão, a dignidade, o respeito e a Fé, e assim nos vão assassinando lentamente. Roubam-nos a vontade, os sonhos, o amor e a alma, transformam-nos em autómatos, rebanhos adestrados que temem o pastor mas seguem-no, porque à Portuguesa: "Antes assim que pior..."

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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Tipo ... merda, mesmo!

Uma semana parva, sem saber porquê ou como, tipo merda, mesmo!

Na segunda-feira a manhã iniciou-se com um trânsito caótico, o pessoal anda apressado e insano, a estrada parece uma pista de formula 1: vale tudo menos arrancar olhos. Sai às 12h30 e tive de ir ao escritório, de onde não consegui sair antes das 14h e sem resolver um cu. Fui direita ao seguro, que necessitava ser tratado até quarta-feira e estive lá até às 19h, porque o programa foi mudado e os mediadores de seguros não informados: ninguém sabia trabalhar com aquela bosta. Cheguei a casa com uma puta de dor de cabeça e de estômago que vinha verde: fui almoçar.

Na terça-feira sai de casa, apanhei um acidente gigantesco no caminho e obras em duas estradas, foda-se, já assoprava quando cheguei. Supostamente tinha a agenda "à cunha", entre pais e filhos, apareceu a das 9h da manhã e a das 17h ... brutal!!!! Ligaram-me do seguro a dizer que até às 18h30 tinha de ir buscar a carta verde: Mentira. Aquela merda não abria e estive a "aguardar que resolvessem a situação com a maior brevidade possível, pedindo desde já, desculpa pelo inconveniente" - Filhos da Puta! Aquando do próximo pagamento também devia retribuir a atenção e a celeridade. País do caralho, para pagarmos telefonam um milhão de vezes, mandam cartas seguidas e parecem furões mas qualidade ou profissionalismo: ZERO!!!!

Quarta-feira de manhã, lá vou eu preparadita para a obra pública, numa das nacionais mais movimentadas, e com o aumento das portagens e da gasolina, nem queiram saber, eis que me encontro no meio do Iraque - este foi o meu primeiro pensamento - uma dezena de carrinhas da brigada de intervenção rápida, com os ocupantes trajados a rigor de escudos, cacetetes e o diabo a sete! Do outro lado da estrada, tudo quanto é televisão nacional a registar o acontecimento: "Desgraçados da TNC estão bem fodidos - Quem não tem padrinhos morre mouro!" - eles e nós que a troika só olha para baixo, no que toca aos de cima, fica encandeada pelo sol, só pode ... porque a alternativa é o tacho ser o mesmo.

Quinta - feira, saio preparada para as obras, para os cortes de estrada e eis que sem qualquer percalço "aterro" atempadamente para a cafezada e cigarrada da manhã, até pensei: "Hoje é dia de Nossa Senhora de Fátima, espero que ela acalme os ânimos do pessoal ... e os meus também" - ERRADO!!!! - o dia começava com uma aula que me pareceu eterna, tenho uma puta de um turma de 8º ano que saiu do pré-escolar - choram e amuam - falam desordeiramente e parece um galinheiro em que nem me ouço a pensar. Terminadas as aulinhas que foram surreais, desejo afincadamente que as turmas da tarde sejam só um pouco melhorzitas - ERRADO! Barda merda para o multiculturalismo e interculturalismo, tolerância, igualdade e o raio que os parta a todos. Experimentem ter uma turma CEF com cinco brasileiros fundamentalistas religiosos, moçambicanos que falam crioulo e recordam a cada momento a guerra no seu país, ciganos e meninos de centros de acolhimento e descobrem rapidamente que a puta da adolescência é uma fase fodida em todas as culturas e que todos defendem as suas crenças/ opiniões "com unhas e dentes" como se não houvesse amanhã.

E já agora gostava de saber, quem foram e são os super génios que decidiram que as putas das criancinhas tinham que andar na escola até ao 12ºano ou até completarem 18 anos e até acontecer uma desta duas coisas NÃO chumbam por faltas e se forem de "novas oportunidades", nem por notas ... isto é facilitismo, é desresponsabilização e desenvolve o sentimento de impunidade - estamos a criar acefálos, autómatos e acredito que assim será mais fácil uns quantos cérebros dominarem o mundo, ou seja, percebo a intenção, AGORA, o que não percebo é ter gente de 18 anos no 6ºano junto com miúdos de 10 anos, e eu tenho-os e acho que os senhores do ministério deviam experimentar vir dar-lhes aulas, pois são dias MUITO DIVERTIDOS!


Pensei que a minha quinta-feira terminava ali - enganei-me - chego drenada e a deitar fumo dos poucos neurónios funcionais que ainda restavam, quando de repente um dos meus miúdos resolve assaltar o sitio onde trabalho. Estala a confusão, o menino é sociopata, juntam-se os autóctones solidários a nós e eis que a bola de neve aumenta à velocidade da luz ... nisto - e porque nestes sítios as noticias parecem rastilho - lá vem a polícia e o caos aumenta, porque nestes locais é assim: aparece a policia e sai tudo a rua e reclamar com os "porcos" ... cheguei às 21h30, apesar de já ter jantado e ter "papado" umas merdas na televisão, a minha cabeça parece uma nuvem, a minha massa encefálica transformou-se em cimento armado e os neuroniozitos esconderam-se algures e não em deixam alcança-los, até descobri que estou amnésica e disléxica ... deixa-me cá terminar isto rápido porque pressinto que, dentro de breves instantes, me tornarei disortográfica ...


Valha-me a Santa!!!

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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Divagando ... 3

Começo finalmente a perceber porque não usava relógio e porque voltei a usá-lo. Por qualquer razão que a razão desconhece parece começar a existir uma espécie de sintonia entre o meu tempo interno e o tempo real. Realmente o sossego que traz, proporciona um estado interior de paz, uma serenidade serena em todos os estratos do meu ser. Há coisas que ambiciono, que desejo ou espero alcançar mas a satisfação do momento presente inunda-me. Não sei como cá cheguei mas quero manter. Talvez um dos truques seja deixar de ter metas, deixar de ter objectivos egoístas, não sei. Talvez coloque hipóteses sobre coisas que não devem ou deveriam ser justificáveis mas entendidas como sendo assim e pronto. Sinto e sinto-me diferente, como aconteceu ou o que aconteceu, se é que aconteceu, desconheço. Recuso, no entanto, acreditar que é a idade, a menos que me digam que é a maturidade, as inúmeras aprendizagens que vamos acumulando, no entanto, soa-me quase a arrogância esta justificativa. Estar crescida não me tornou dona da verdade, não me aproximou da omnipotência ou omnipresença, ao contrário, fez-me querer saber mais, perguntar mais e consequentemente, questionar-me mais. Sempre achei que as dúvidas flexibilizam e aguçam o pensamento, tornam o raciocínio critico e isto só é possível ouvindo os outros com ouvidos de ouvir e não ouvi-los enquanto se pensa na argumentação para os refutar. Também o faço e há vezes que a persistência que tenho na argumentação em que acredito me faz parecer teimosa. Provavelmente até sou - será uma das minhas qualidades em fase de melhoramento. Aprendi, recentemente, por experiência própria que a necessidade dita a aptidão, surpreendi-me e surpreendi. Continuo.

Gosto do espelho.

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(Des)conversa 41

Mãe - Quando puderes hás-de ajudar-me a arrumar aquela mesa.

Eu - Não posso porque tenho de ir lavar o carro.

Mãe - Andas a dizer isso há meses.

Eu - Pois mas de hoje não passa ... aliás é já.

Mãe - Impressiona-me como consegues rapidamente substituir uma coisa que não te apetece fazer por outra que também não te apetece fazer.

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...



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terça-feira, 27 de setembro de 2011



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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Espantosamente perfeita

"L.K., já reparaste como a vida é um puzzle perfeito. As peças encaixam todas de uma forma absolutamente improvável mas espantosamente perfeita. Acordo todos os dias a pensar quão abençoada e feliz sou. Não sou perfeita, não tenho um marido perfeito ou uma vida perfeita mas são todas estas imperfeições que tornam a minha vida perfeita. Se parares e olhares à volta, se sentires, verás que tudo o que precisas, na altura em que precisas te surge, por vezes, até de onde parecia impossível. Pedes-me que te ensine mas não posso, porque não se ensina, sente-se. O truque, talvez seja, não esperares nada e receberes tudo, não te condicionares por nada, nem por ninguém. Principalmente, por ninguém, não vivas pelos olhos dos outros, pelo que é socialmente expectável ou correcto, não há idade certa para te apaixonares, para casares ou ter filhos, quem assim o pensar, quem se mantiver preso a situações, sem a certeza de que é onde e com quem quer estar, apenas constrói a sua própria prisão, uma eterna insatisfação por medo de arriscar o que realmente anseia. As coisas, para essas pessoas não mudam, agravam-se. Lembra-te que é incomportável fingir uma vida inteira, torna-se cada vez mais tóxico, para o próprio e para o outro. As coisas, as situações e as pessoas tem de encaixar naturalmente, sem esforço, sem tácticas, sem subterfúgios, e é esse entrosamento que impede que a insatisfação se instale e cresça até não deixar espaço para mais nada. Estás bem contigo, estás bem com os outros e às vezes não estás bem contigo porque tentas estar bem com os outros. Temos de nos libertar de nós próprios e ser, apenas ser, por isso é tão importante prestarmos atenção às pessoas que connosco se cruzam, há sempre uma mensagem: algo a ensinar e algo a aprender mas para isso, temos de estar receptivos e olhar com olhos de sentir. L.K. a vida é simples, do mais simples que há, se reparares é tão simples que não existe livro de instruções e aqueles que assim se intitulam são apenas a visão de um alguém, que teve e tem, tantas dúvidas como todos nós."

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terça-feira, 20 de setembro de 2011

(Des)conversa 40

(...)


F - Isso é válido até para aqueles casais que vivem em acompanhamento.

Eu - Em acompanhamento? O que é que queres dizer?

F - Oh filha, aquelas pessoas que não são casadas mas vivem juntas e tem os mesmos direitos.

Eu - Ahhhhh ... pessoas que vivem em união de facto.

F - É a mesma coisa, então elas não vivem acompanhadas uma com a outra.

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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

(Des)conversa 39

Durante o almoço:






Bixo - Mainha, qué mais batata e broclos e pexe ...



Eu - Credo! Estás esganado mas que fome é essa?



Bixo - A cola* dá muta fome.






*escola


Depois de ter demorado 1h a acordar da sesta:


Eu - Então, pá, estás cheio de sono porquê?


Bixo - A cola dá muto sono

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Não Compreendo ...

... porque é que de vez em quando se tomam atitudes que de tão parvas nem deveriam ser comentadas ... mas vou comentar.


Estive num jantar na sexta-feira, daqueles comunitários em que se combina antecipadamente o que cada um leva. Neste caso, cada individuo, deveria levar um pacote de batatas fritas, uma bebida, 200g de carne para grelhar e uma sobremesa. Até aqui nada de extraordinário e todos cumpriram ... ou parecia. Inicia-se o jantar e o meu colega, a determinada altura pergunta-me se não há mais batatas onduladas, ao que respondo que ele deveria ver no caixote das batatas e ao que me responde: "Não L.K., ali só há lisas, só tu é que trouxeste onduladas mas já acabaram".


Isto passou, pensei ser uma questão de preferências até me perguntarem se não havia mais costoletas, e novamente perguntar se mais ninguém tinha trazido costoletas e a resposta lá veio: "Não L.K., trouxemos todos febras, tirando a M. que trouxe frango". Voltei a ignorar. Até estarmos sentados à mesa e perguntarem se não havia mais compal de frutos silvestres. Na minha ignorância resolvi perguntar porque é que tinham trazido coisas que não apreciavam e já tinham comido as minhas - Claro que para "Perguntas idiotas, respostas cretinas" - porque era o mais barato.


Não compreendo porque é que num jantar, em que também participamos e comemos, não levamos o que gostamos e sim, o que é mais barato. Faz-me confusão porque não levo vinho que não bebo (tipo haver 5 garrafas de branco e uma de tinto - que eu levei!), não levo comida que não gosto, porque eu também janto e não curto que me façam o mesmo. Será que depois morfar tudo aquilo que se gosta e que foram outros que levaram é mais bonito?


- "Então se trouxeste era para todos, certo?"


Certo! Mas supõem-se que todos preferem comer daquilo que levaram: porque também se supõe que levaram daquilo que gostam, certo?


No próximo jantar levo ervilhas com ovos e uma saladinha de tomate, a mim sai-me de borla, e pode ser que alguém leve alguma coisa que eu aprecie.




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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Divagando ... 3

Se tenho alturas que o tempo parece não passar, outras acho que foi depressa demais e nessas, por vezes, lamento não ter tido mais atenção, talvez não ter sabido, apenas estar onde estava. O meu "bixo" entrou hoje para a escola, estava super entusiasmado e expectante face a esta nova etapa da sua vida. Estive com os pais dele antes de o irem acompanhar neste processo. Eu também queria ir mas não fui, fiquei ali, comovida a olhá-lo a partilhar o seu entusiasmo e inocência e a pensar como estava crescido. Até à semana passada, ele era apenas o meu "bixo" um bocadinho mais crescido: sem fraldas e quase a falar português. Sem palavras, sem pedidos, o meu irmão, que partilha comigo o "bixo", apareceu à hora de almoço curioso para saber como tinha sido o seu primeiro dia de aulas, a minha mãe estava preocupada, orgulhosa e babada. Crescemos e tornamo-nos todos os dias um pouco mais autónomos e consequentemente mais distantes. É o ciclo da vida: quando se ama deixa-se partir, dá-se a liberdade de voar mas também de voltar ao ninho.


Tenho pensado muito ultimamente, sobre o facto de não querer mais pensar, tenho pensado sobre esta minha ausência de objectivo Major e conclui que talvez não deva ter nenhum. Vou dar-me uma oportunidade de ter o futuro em branco e poder preenche-lo com o que aparecer, com o que me parecer ficar bem num espaço reservado ao imprevisto. Admito, que esta decisão me levanta alguns medos: nunca vivi sem objectivos muito definidos e muito desejados. Se várias vezes senti que esta persecução se pautou pela obstinação e persistência o que me criou alguns constrangimentos e perdas, outras sinto que era um caminho a ser percorrido, que tudo aconteceu e encaixou nos devidos lugares, mesmo quando o lugar me foi estranho e doloroso.

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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Que estopada ...

Findei as férias há, apenas, dois dias mas o que sinto é uma sensação de nunca ter chegado a ir. Que estopada desde ontem, meu Deus, que tornado passou naquele serviço que deixou tudo e todos virados do avesso. Ficámos penduradas nas laterais do poço e mantemos a cabeça à tona de água num esforço que rezamos não seja em vão ou inglório. Sinto que a Lei de Murphy nos atacou em todas as frentes. A queda das politicas sociais que durante anos contiveram os "bairros" levantou questões que se agravam de hora a hora, faz de conta que alguém chegou ao Jardim Zoologico abriu as jaulas dos animais selvagens e os atirou para o meio da cidade, apenas com a frase: "Agora desenrasquem-se" ... quem está de fora não imagina os focos infecciosos que existem e começam a purgar ....suspiro ... Disparou o número de suicidios e pior, de homicidios/ suicidios, ninguém reparou ainda que as pessoas estão abandonadas com a lógica do "é a troika, são as medidas de austeridade", em vez de se cultivar e propagar a compaixão e a misericórdia de forma saudável e em forma de suporte social (Teoria Ecológica de Bronfenbrenner), estas manifestam-se em "homicidios de misericórdia" (quando as pessoas atingem o limite e o desespero matam quem amam e suicidam-se por acreditarem que o futuro não existe ou é ainda mais doloroso) ... suspiro ... Ainda por cima estou em formação, que está a ser uma seca devido à "areia que nos atiram para os olhos" - que me interessa que o governo tenha elaborado o IV Plano Nacional contra a Violência Doméstica se não tem dinheiro para implementar as medidas que ele próprio criou? Que me interessa que esteja escrito que o agressor passa a usar pulseira electrónica e as vitimas a serem geo-referenciadas se ainda não se aplica por falta de mecanismos e meios técnicos? Continuam-se a fazer campanhas de prevenção, a fazer acções de formação sobre a temática mas depois não existe maneira de passar à prática, a burocracia é tanta, o desconhecimento dos mecanismos reais da nova Lei maior ainda e fica-se como se estava para além de tudo o que se passou durante o processo e que na maioria das vezes ainda agrava a situação da (s) vitima(s) ... isto é desgastante para quem todos os dias assiste a este tipo de situações, lê jornais ou vê televisão e depois assiste a "conversa para boi dormir" ... enfim, parece que é, o país que temos - Destrói-se o rés de chão na esperança que o 1º andar mantenha a sua opulência e grandiosidade, certo é que nunca vi nenhum edifício erguer-se sem cabocos ... mas também é certo que não sou engenheira civil, pedreira ou sequer trolha, apenas "treinadora de bancada" ... estou fodida com esta merda toda!

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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Divagando ... 2

Um verão, (leia-se: quando entrei de férias), que teve um início inesperado e se manteve durante quatro dias. Há imenso tempo que não me encontrava num estado de dormência, que permitisse aliviar um superego retrógrado e ultrapassado, mesmo assim, o estupor não se "deixa ir em cantigas" e entra em "coma" ... pronto que recalcasse já não era mau. Não, nem um estado comatoso ele alcança, fica mais manso, menos restrito mas é só.


Este foi um ano de vários funerais, o que me arrasa emocionalmente, deixando-me quase prostrada pelos medos que me levanta. Tento dominá-los mas mesmo assim fico reactiva e debilitada emocionalmente, por isso decidi que não volto a ir a funerais, excepto aqueles que tem mesmo de ser e mesmo assim ainda será de ponderar. Sou uma mariquinhas. Que fazer? Viver um dia de cada vez o melhor que posso e sei e rezar por protecção. Rezo.

Por falar em óbitos, esta merda do Facebook começa-me a chatear à séria: Foda-se qual é que é o problema dos meios de comunicação tradicionais? Não falo em sinais de fumo, pombos correios ou telegrafo mas existe alguém que ainda se lembre do telefone, telemóvel, mails, cartas e afins? Como é que é possível que uma amiga tenha de se lembrar que eu não tenho Facebook e me tenha ligado a informar do falecimento do pai de outra amiga, que ela por acaso, teve conhecimento pelo Facebook da lesada (?!?), será que andamos todos doidos e as relações humanas alteraram-se para relações virtuais? "Há distância de um teclado e de um monitor está o mundo: junte-se a nós, faça parte da gigante família virtual. Garantimos que não apanhará qualquer IST, infecto-contagiosas ou até uma simples gripe - Vai ver que o seu organismo agradece ;) " - Foda-se, pelos vistos para "passar a existir" ainda tenho de me render - vou fazer prospecção de prós e contras. (Suspiro x 3)


Felizmente, o balanço do "meu verão" é positivo: alcancei algumas metas pessoais, ou melhor, estou a alcança-las e a adorar. Estou realizada em termos de objectivos estabelecidos até este ponto. Sabia que não ia ser fácil ou simples, o que também me é caracteristico e penso, estar intrinsecamente ligado à impaciência e ao desfazamento entre os meus timings e os do Universo (?!?). Ter alcançado estes objectivos também me fez olhar para trás e perceber alguns erros cometidos - assumo o mea culpa, até reconheço um certo egoísmo - foram escolhas apesar de inconscientes, o que também me demonsrou que apesar de algumas vezes conscientemente fazermos determinados movimentos, a nossa essência está sempre presente na comunicação subliminar ou implicita. Respeito-as.


Não sei porquê sinto este mês de Agosto como um período de transição, talvez de mudança, apesar de não o saber explicitarr ou justificar, é algo de positivo ou eu sinto-o assim, em igual proporção assusta-me. Seja como for, haja o que houver lidarei com isso e procurarei percorrer no maior equilibrio a linha ténue que separa o Yin-Yang, até porque a realidade vivida e percepcionada é fluída e em constante mutação - espero ter a capacidade de caminhar no arame, retirando o melhor de todas as experiências sentidas e vividas. A Espiritualidade. Este é o estado de espirito com que espero regressar ao trabalho: lembrando-me a cada instante que sou apaixonada pelo que faço.


Formam-se na minha mente e alma novos objectivos ...

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terça-feira, 16 de agosto de 2011

(Des)conversa 41

(por sms)


Ela - Queres vir jantar cá a casa?

Eu - Não sei se posso porque tenho cenas para fazer. Se calhar apareço só para café mas digo depois, pode ser?

Ela - Pensa ... estamos de férias e vou fazer Carl para o jantar.

Eu - Carl? O que é isso? Acho que nunca comi (?!?)

Ela - Caril.

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Quais as probabilidades ...

... de no mesmo dia passar quatro vezes nos corredores do estacionamento do Dolce Vita, sem lá conseguir entrar, não encontrar o caminho para o IKEA Loures e no fim da noite ir parar a Almada?




a seco, eu diria poucas ... no acto diria: óbvio.


E ainda tive de me manter calada porque há 3 anos ofereceram-me um GPS todo XPTO (e com o qual não sei trabalhar), com a seguinte instrução: A PARTIR DE HOJE NUNCA MAIS ME PERGUNTES NADA!




Resta-me a consolação de ser UM GAJO que ia a conduzir ... Grande H.P., eu não faria melhor :P

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...




"Lá porque cai uma folha, não quer dizer que seja um sinal. Pode ser apenas outono"




Queremos saber sempre tanta coisa, queremos mais do que o que temos e não descansamos, nem damos descanso com tanto porquê. Uns dias acordamos com o cu virado para a lua e tudo é fácil, ajustado e pacifico e outros dias é a lua que nos vira o cu e parece que o sol não brilha, que é difícil acordar, mexer um dedo, pensar ou qualquer outra coisa. As expectativas e metas que estabelecemos no dia antes começam a desvanecer-se e a deixar um aperto no coração, uma angústia de distancia percorrida mas insatisfeita. Vivemos na beira do precipício e há dias que é tão difícil manter o equilíbrio e outros que saltar é o mais fácil. Procuramos respostas a perguntas que não existem e sinais utópicos que nos tranquilizem no caminho que levamos - vimos o que queremos ver ou o que precisamos de ver?


Estar com o humor deprimido não é simples, nem facilita a tarefa diária, real ou imaginária, pois somos expectantes em sintonia com o humor. Estar feliz, alegre, tranquilo é meta a alcançar, no entanto, o medo de não merecermos, de ser de mais, do seu término ou a espera do "que será que ainda ai vem" intranquiliza-nos, deixando-nos defensivos e preparados para o der e vier. Não sei o que é o correcto. Não sei em que lado devemos permanecer, ou até se devemos permanecer. Nada esperar será, sem dúvida, o melhor: evita as expectativas, as metas e as variações de humor entre o melancólico e o maníaco.


Já me aconteceu ter "certezas absolutas", daquelas que vem do estômago, e no fim sair tudo ao contrário da minha "certeza absoluta" e isso frustra-me e deixa-me aborrecida e sem vontade para empreender, seja o que for. Desmotivo e levo tempo a dar a volta e no fim, arrumo na prateleira porque já não me apetece mais passar novamente pela desilusão do não alcançado, já não me apetece mais ser "forcado da cara", apetece-me ser desistente e oca. Outrora encarava tudo o que se apresentava como um desafio a mim própria, como quando estive hospitalizada, de futuro incerto e resolvi, no imediato, que seria o guerreiro que vence a guerra e não o soldado que perece na batalha. Assim fiz. E voltei a fazer todas as vezes que me senti ameaçada ou impotente ou magoada ... e continuo a fazê-lo "against all the odds" e para quê? Para ter o orgulho ignóbil de auto-suficiência, de tudo o que sou, faço ou tenho, se dever única e exclusivamente a mim? De ninguém poder opinar sobre a minha vida porque em nada contribuiu?


Grande merda ... agora quero o contrário ... a dependência ... a ajuda ... a partilha ...




... só me resta aprender. Rendo-me.

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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

(Des)conversa 40

Eu - Que grande merda, ando cheia de dores nos joelhos e tenho as pernas cheia de nódoas negras ... nem sei como é que faço isto ...


Mano - Eu sei ... é pela mesma razão que nunca achaste dinheiro ...


Eu - Não percebi a analogia (?!?)


Mano - Se andasses como às pessoas normais e de vez em quando olhasses para o chão, já não te esgalhavas toda ... e podia ser que ainda achasses qualquer coisa ...

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(Des)conversa 39

Há um mês ...


Ela - Preciso que me ajudes a encontrar casa.

Eu - Então? O que é que se passa agora?

Ela - Vou-me divorciar. Está decidido. Tenho 20 anos desta merda, não aguento mais.

Eu - Ok, mas pensaste bem nisso?

Ela - Claro, ontem, decidi que era o melhor para mim e para os meus filhos e até para ele.

Eu - Então vamos lá ver isso, se souber de alguma coisa digo.



Há 3 semanas...

Eu - Queres ir este fim-de-semana jantar fora e beber um copo?

Ela - Não posso. Vou de férias sexta-feira.

Eu - Vais de férias com os miúdos?

Ela - Sim, vamos todos.

Eu - Todos?

Ela - Ele já tinha marcado casa e é chato estarmos a perder o dinheiro ... mas arranjar casa ainda está de pé. Não desisti ... adiei.

Eu - hum hum ...



Ontem ...

Ela - Não encontraste nenhuma casa, certo?

Eu - Não ... sinceramente, nem pensei mais nisso. Desculpa.

Ela - Não, ainda bem. Já não me vou divorciar.

Eu - As férias fizeram milagres ou é por causa dos miúdos?

Ela - Foram as férias ... porra, eu não o aguento é no dia-a-dia ... chego a odiá-lo ... mas depois fora de casa gosto de estar com ele ... a todos os níveis ... percebes?

Eu - Sim, acho que fazes bem ...

Ela (ar pensativo) - Achas que era muito mau divorciar-me e mantê-lo como amante?

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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Pessoas

Gostei de falar contigo, de saber que estás onde queres e que estás bem. Disseste-me que a felicidade é uma montanha russa e que é necessário perceber se os loops superam as zonas flat. Haja alguém que domine os segredos do matrimónio. Percebes-te e ainda bem: fico feliz que estejas feliz ou que todos os dias te aproximes um pouco mais. Mereceste. Merecemos todos. Subtilmente chamaste-me a atenção para a minha noção de "espaços": "dás demasiado espaço, o que causa constrangimentos a quem te rodeia pois não se percebe se queres ou não que entrem no teu". Ri-me. Sei que sim que falho nessa partilha. Confesso: não sei o limite e se há quem peque por excesso, fá-lo-ei por defeito. Mensagem recebida.


As escolhas que tiveste de fazer, as decisões que tiveste de tomar fizeram com que a sensatez superasse a insanidade do espontâneo - dizes. Não sei se concordo. Creio que a sensatez surge das aprendizagens, do acumular de informação em nós que não conseguimos, simplesmente, colocar no lixo, como um qualquer traste inútil. Talvez também surja da necessidade ou simplesmente é inerente à maturidade que adquirimos, mesmo sem nos apercebermos, ou querermos. Infelizes dos que lutam contra a sensatez proveniente de lição aprendida, perdem-se em si próprios, criam um desfasamento interno na adequação ao real e ao outro. Falar contigo faz-me sempre divagar, coisa fácil em mim, provocas para me ouvir, e eu não me importo - sei que o precisas. Talvez to deva.


Sei que não voltaremos a falar tão breve porque é verão e depois porque é outono e depois o inverno e no Natal trocamos mensagens estereotipadas e passa mais um ano e quando houver novo interregno no silêncio, voltas a dizer-me que estou igual. Confesso: não estou.

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Fácil? O que é isso?

fácil
adj. 2 g.
1. Que não custa a fazer.
2. Que se consegue sem grande trabalho.
3. Claro.
4. Simples, natural.
5. Provável.
6. Brando, dócil.
7. Acessível.
8. Precipitado, que reflecte pouco.
9. Complacente.
10. Muito susceptível.



Ora aí está um adjectivo que não se incorpora em mim e na minha vida. Sempre que alguém me diz que determinada coisa, situação, ambição ou objectivo foram "fáceis de concretizar", sinto que sou leiga perante o conceito de "fácil". O que é isso: fácil?


O que é difícil para uns será o fácil de outros? Serei exigente e considerarei tudo dantesco? Não sei ... mas se há coisa que esta "viagem" não tem sido é fácil. Nada que não consiga ou tenha conseguido ultrapassar mas gostava de saber o que é conseguir algo de forma "fácil". Pelo menos uma vez apetecia-me ter "o cu virado para a lua". Ficaria espantada e render-me-ia às evidências ... se as houvessem. Estarei eu apta a acreditar na dita "facilidade"? Dizem que o esforçado trás o saber da vitória umas vezes é verdade, outras estou demasiado cansada para o sentir: sangue, suor e lágrimas. Habituei-me a sentir "a dificuldade" como "a lição" que tenho de aprender no momento e se tenho aprendido, (Bolas!!!).


Sou abençoada e Peço que quando me necessário tenha o discernimento de saber aplicar de forma justa e correcta tudo o que aprendi nas quedas e no erguer-me.




Encontro-me em mais um momento de aprendizagem, em que me volto a questionar: serei demasiado exigente?


Sacrifico-me em consciência, são as consequências das minhas acções e decisões: eu sabia isso. Saltei. Precisava e preciso. Não duvido que alcançarei os resultados que ambiciono mas ...




... Foda-se! se para os outros é sempre tudo tão "fácil" porque é que acho e sinto tudo tão difícil. É sempre o cabrão do tempo ... leva tempo ... tenho-o: a bem ou a mal.

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Valeu a pena ...



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sábado, 30 de julho de 2011

(Des)conversa 38

Eu - Olha tens um berbequim daqueles que faz buracos redondos grandes?

Mano - Quando descobrires um berbequim que não faça buracos redondos avisa-me.

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(Des)conversa 37

Mano - A que horas é aquilo no domingo?

Eu - Às 9h30.

Mano - Tens a certeza? Já foste ver?

Eu - Não mas acho que foi o que vi no horário ...

Mano - Ah ... então porque é que estão a mandar levar protector solar, para não te queimares com a lua, deve ser.

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(Des)conversa 36

Ele - Já falei com o otorrinolaringologista para me pôr umas palhetas no nariz.

Eu - Palhetas no nariz?

Ele - Sim, por causa do ressonar.

Eu - Credo, mas ressonas assim tão alto?

Ele - Tenho de dormir noutro quarto para ninguém acordar.

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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Dias assim ...

Uma manhã quase igual a todas as outras ... das últimas três semanas: acordei atrasada porque não ouço o despertador e isto porque passo as noites a sonhar com cenas estranhas, no caso da noite passada, programei o trabalho para quinta-feira. Acordei e escrevi. Sai a voar de mansinho porque me lembrei que não tinha gasóleo. Não me aborreci, apenas tive de parar para abastecer logo Não ouvi o telefone, logo Não o atendi, logo Não levei o que fazia falta mas continuava de bom humor. Pode-se dizer que o início do dia era um vislumbre do resto ... mas eu ainda não o sabia.

No meio de toda a azafama matinal, sentia-me tranquila, no entanto, havia um pensamento recorrente que não me largava desde o dia anterior e desde o dia anterior que o desvalorizava. Tive uma manhã de trabalho assolapada e fiz asneira que dei conta assim que a fiz mas como em cima de leite derramado não se chora ... optei por me rir e deixar nas mãos de Deus o resultado do meu disparate. E o dito pensamento começava a causar-me ansiedade, como se algo se estivesse a passar e assim, resolvi aliviar a minha maluqueira provando-me a mim própria que tudo estava bem e era um disparate unilateral: confirmei. Na interacção de palavras que surgiu com o alvo do meu pensamento emergente, lembrei-me de uma expressão que utilizo (em relação a mim própria) e disse-lhe: "As vezes é bom estar no fundo do poço porque ganhamos forças para nos segurarmos às laterais e fazer o caminho ascendente" - Claro caso de projecção involuntária que em breves momentos se iria aplicar a mim própria. Fui ... desencadearam-se uma série de acontecimentos no meu trabalho e em relação ao mesmo, que a determinada altura pensei que era a personagem principal de um filme burlesco. Juro que até ouvi os violinos e vi as faíscas do curto-circuito dos meus neurónios. Desliguei-me, como se a "centralina" que me faz mover tivesse queimado e saí como se fugisse, melhor me desvanecesse para longe, numa (clara) frustrada tentativa de salvar a sanidade mental. Incomodou-me, aborreci-me, afligi-me e amolguei a frágil paz interior que construo a passos de lesma. Recomeço.


Lição: ignora tudo o que possas, cinge-te ao real palpável e sem expectar mais do que as certezas - tipo almoço e jantar. Deste modo evitamos dias assim ... tipo merda ... mesmo!

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terça-feira, 19 de julho de 2011

(Des)conversa 35

(No ginásio)


Instrutor - Boa tarde, Dona A., então o seu filho hoje não vem?

Dona A. - Não ele hoje não pode ... não tem a depilação feita.

Instrutor - (a rir-se) não tem a depilação feita? Trazia umas calças.

Dona A. - (séria) ele não gosta de vir ao ginásio ou à praia sem a depilação feita, tem vergonha e eu acho bem. (mais baixo) e ele não gosta de se ver de calças no ginásio.

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segunda-feira, 18 de julho de 2011

É possivel ...









... transformar o "velho" em novo e sentir novamente a adrenalina. Ter aquele brilho nos olhos que combina com um sorriso de puro prazer.



Recuso que me tirem os sonhos, a mágica do pensamento e dos sentimentos. Não me conformo que a vida seja apenas isto. Eu não serei "apenas isto". Chamas-me diferente e ris quando dizes que o mundo não está preparado para mim. Eu não queria ser diferente, eu queria ser igual a todos os iguais que me rodeiam. Queria não ansiar, não desejar e não sonhar, estou grata pelo que sou e tenho mas queria estar conformada. Acordar para trabalhar, beber uns cafés, fumar uns cigarros, em noites de loucura beber uns copos ou meter umas merdas maradas para provar que ainda sou fixe, ir à praia ao domingo ou ao shoping mas depois ... depois chegar a segunda feira e estar tranquila: queixar-me do que não passei, do que não lavei, do que não estendi .... tudo em harmonia - yin/ yang ...





Mas não isso era demasiado simples para mim: assim Acredito que é possível pegar no antigo, nos clássicos, nas rotinas e dar-lhes um sabor novo, nova roupagem e gostar tanto como da primeira vez ... basta mudarmos o olhar e deixarmos de fingir que somos "normais".



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domingo, 17 de julho de 2011

... Deixa-me a pensar ...







Repetes as mesmas palavras, chamas-lhes "a verdade", dizes-me: "Não são para te ofender mas para te deixar a pensar. Considera uma forma de melhorares como pessoa."




Sempre que alguém diz: Não te ofendas ou não leves a mal ... já o está a fazer!



Talvez tenhas razão quando me chamas "menina" e dizes que recuso crescer, talvez o que dizes faça sentido mas não me parece a melhor forma de o fazeres: de me ajudares a crescer. Já pensaste que o meu Eu crescido seja ainda menos funcional? Acreditas mesmo que preciso de limites?




Desta vez, apesar de continuares a usar as palavras menos adequadas, fizeste outro sentido. Talvez, antes, não fosse a altura certa para me confrontares daquela maneira ... nem sei se agora o é ...







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sábado, 16 de julho de 2011

(Des)conversa 34

(ao telefone)


Eu - O que é que estás a fazer?

F - A limpar a casa desde as 2 da tarde.

Eu - Humm ... e o que é que vais jantar? Sei que o H. não está cá.

F - Vou fazer uns bifinhos de peru grelhados, com arroz e uma saladinha.

Eu - Credo homem mas tua ainda andas a contar calorias?

F - Claro e hoje fui ao P.A. a pé.

Eu - Pronto está bem ia convidar-te para vires jantar comigo umas linguiças assadas, uns queijos e assim uns patés ... mas se estás numa light ...

F - Oh mulher caganisso, não é por um dia que me vai fazer mal e se fizer, olha leva-me ao hospital que eles dão-me uma injecção para o colesterol.

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terça-feira, 12 de julho de 2011

Passei o dia a pensar nisto ....









Esta é a banda sonora de algumas "aves raras" ... só que ainda não sabem ... cada vez gosto mais de reuniões ... são um mundo de curiosidades e improdutividades!

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segunda-feira, 11 de julho de 2011

Fico a pensar ...

e concluo: o melhor é não pensar.
Não tenho bola de cristal (mas gostava), os meus "insights maravilhosos" não me têm como alvo e as epifânias costumam dar-me depois dos acontecimentos e não antes como deviam - não pensar é o caminho.

Como é que se faz? Superego "filha da puta!")

Hoje perguntaram-me o que é que se passava comigo que para além de "uma crise de reactividade" não era normal esta compulsão por uma determinada limpeza. A questão exacta foi: o que é que andas a querer limpar ou desinfectar na tua vida?

Não sei.

Curiosamente não tenho a mais pálida ideia. Poderá um acto banal, ser apenas isso: banal?
Sonho com o assunto: limpo e esfrego mas a sujidade aparece e sonho com outras coisas que simbolizam mudanças e novos começos e que me assustam porque as quero e as temo. Porque as desejo mas não sei como as alcançar. Ou talvez saiba e necessite de um empurrão para re-adquirir skills há muito esquecidos pelo desuso - tipo Lei do uso e desuso de Lamarck.


(suspiro)


a minha paz está ansiosa e voltei aos períodos áureos em que a minha cabeça é uma centrifugadora. Começo a ficar cansada, será que isto nunca mais acaba? Que mal me pode fazer um pouco de estabilidade nos cinco pilares que nos sustêm? Ter um desequilibrado é normal, agora continuar com os cinco almareados, é dose!




Gostava de perceber o que faço de errado para corrigir.


Calma, é preciso calma ... blá blá blá ...


Eu sei.



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domingo, 10 de julho de 2011

"O Fado é que Induca e o Vinho é que Instrói"


Este sábado encerrámos a temporada. Há imenso tempo que não dedicava tanto tempo a um hobby que sempre me foi terapêutico. Naquele palco exorcizo-me, limpo os fantasmas do sótão e deixo-me ir. Algumas das minhas melhores noites nasceram de feridas que me impediam de verbalizar o que sentia e como o sentia, mas quando o pano abria e não era eu que ali estava mas um outro alguém que estava emprestado na minha pele, tudo ficava simples e as lágrimas caiam sem esforço. Quantas personagens, ao longo dos anos, me emprestaram as suas vidas para que eu me psicanalisasse da melhor forma que podia e sabia. Resultou tantas quantas falhou. Equilíbrio. O que não exorcizei em palco, fi-lo em copos e risos de comemorações pós-cena.

O palco vai de férias. O fado é a melhor educação que podemos ter, quando o deixamos irromper à desgarrada ... mas até para vivermos o nosso fado, de quando em vez, necessitamos de domesticar o nosso superego, esse Juiz castrador, que me usa e abusa, para tal nada melhor que o vinho para o instruir nas benesses de apenas: ser.

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sexta-feira, 8 de julho de 2011

(Des)conversa 33

(ao telefone)


Ela - Olá, é só para te dizer que te estive a ler.

Eu - Olá. Agradeço mas não deve ser só para dizeres isso que ligaste. Qual é a constatação?

Ela - Que não concordo quando te chamam mimada.

Eu - Obrigada. Por acaso também não.

Ela - Pois ... porque o que tu és mesmo é orgulhosa e teimosa como a merda.

Eu - Não me parece que tenha apreciado mais essa alternativa.

Ela - Eu sei que não mas o que essas pessoas realmente te queriam dizer era isso: és orgulhosa e teimosa. Tens problemas em receber mas não em dar, logo não és mimada és orgulhosa e teimosa.

Eu - (risos) Já percebi, vou trabalhar-me para melhorar.

Ela - Olha e em relação à ajuda que disse que te dava? Sempre queres que te empreste o dinheiro?

Eu - Épa ... ainda não atingi o desespero. Quando precisar peço-te.

Ela - Vês: orgulhosa e teimosa.

Eu - Ligaste só para te provares a ti própria que tinhas razão.

Ela - Sim. Até logo.

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(Des)conversa 32

Vizinha - Boa tarde, precisava de lhe dar uma palavrinha.

Eu - Diga vizinha.

Vizinha - Queria pedir-lhe se não voltava a usar esses desinfectantes da casa porque me incomodam e fico com dificuldades em respirar. Além disso a menina ficou a sentir-se mal e teve de ir para o hospital.

Eu - Estou em limpezas grandes, tenho de usar desinfectantes senão não são limpezas.

Vizinha - Pois ... eu percebo ... mas até quando colo as próteses de manhã fico com o sabor dos detergentes na boca.

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(Des)conversa 31

(...)

Eu - Crescer é uma merda e ser crescido é outra. Quando pensamos nos 18 anos, tirar a carta e ser "livres", esqueceram-se de nos dizer: "bem vindos ao 1º dia do resto das vossas vidas".

S.C. - Podes crer. É só contas e responsabilidade e mais responsabilidade, posso dizer-te que nesta fase não tenho medo do fim do mundo ... tenho medo é do fim do mês.

Eu - (risos) Podes crer . Se há 10 anos me dissessem que hoje era reclusa das amarras que eu própria criei, ria-me e apostava que não. Agora eis-me a odiar ser crescida e a lembrar que antes a minha única preocupação era ir à escola e pensar onde beber café a seguir.

S.C. - Já viste como nessa fase o que não falta são amigos para fazer tudo e mais alguma coisa ... até o que não devíamos (risos) e agora conto pelos dedos de uma mão quem está presente quando preciso ... parece que o Universo fez uma escolha: tu sais, tu não mereces, tu ficas ... estranho ...

Eu - Acho que são as limpezas Carmicas ... não sei ... penso que é quando evoluímos espiritualmente e há pessoas que deixam de acompanhar e outras, apenas, de fazer sentido. Seja aquilo que for - Crescer é uma merda! Dou comigo a pensar em cenas sem assunto e a tentar perceber se há verdade naquilo que disseram ou se é só mesquinhez.

S.C. - Sério? (ri-se) Então o que é que te disseram que te deixou assim?

Eu - Chamaram-me mimada três vezes. Pessoas distintas, situações distintas, à terceira fiquei a pensar, e claro: amuei.

S.C. - Deixa lá a mim disseram-me: tu não és independente és egoísta!

Também amuei.

Eu - (suspiro) então parece que somos mimadas e egoístas ...

S.C. - Alguma coisa tinha de sobrar da adolescência ...



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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Desassossego.

Espelhei-me.


Os olhos, outrora límpidos e fosforescentes, eram agora um vazio. Dois buracos cheios de nada, a abarrotar do tanto que já viveram, para tão pouca idade. O sorriso forçado, a crença de estar feliz não apagaram o desassossego da alma. Menti. Disse-me fascinada pela imensidão e grandeza do que via. Mas estas portas da alma não acompanharam a voz que saía segura, de uma segurança que só tem quem se ludibria. Olho para estas fotos e apetece-me apagá-las, fingir que não era eu. Não o fiz. Não o faço. Espelho-me e recordo quão abençoada sou, quão satisfeita devo estar pela minha viagem, a rudeza da mesma, mascarou a limpidez dos meus olhos mas acrescentou-lhes uma serenidade ansiosa por tudo o que desejam ver, partilhar. Guardo as imagens daquele eu na memória, qual álbum empoeirado, esquecido num qualquer sótão, de uma qualquer vida. Esta é a minha.


Conseguimos reter as lágrimas, conseguimos oferecer gargalhadas e dar um pouco de humor a quem nos rodeia, conseguimos sorrir quando cada músculo se retrai em dor mas não conseguimos mudar o olhar. Vazar a magnitude do nada que é um tanto que transborda à alma do outro. Só não vê quem não sabe ver, só não sente quem não quer sentir. Mais uma daquelas verdades veladas que guardamos bem fundo e ansiamos que ninguém tenha a gentileza de comentar, pois ao faze-lo, corríamos o risco de partir o espelhado, e deixar os olhos contar uma história que sabemos qual é mas guardamos embrulhada em arame farpado para que doam ao ponto de não conseguirmos olhar de frente. Olhar de alma.


Gosto de olhos e olhares. Gosto dos meus olhos e do meu olhar. Gosto quando têm vida em si. Quando transparece e quando isso acontece dou-me à vida sem medos. Reflectem o que a minha alma não consegue, não quer ou não pode dizer.


Não sei o que dizem os meus olhos agora mas hoje ao olhar para aquelas imagens lembrei o que nunca mais quero que digam.


Que o desassossego tenha um fim.

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sábado, 2 de julho de 2011

Viver

- Achas que sete semanas é pouco tempo para conhecer alguém, namorar, viver junto e casar?



- Não, não acho.

Respondi de alma. Senti-a agradecida. Talvez apoiada.


Acho que não existe um balizamento de tempo. Não deveria existir. Muito ou pouco tempo? Conceito espácio-temporal sobre valorizado. Será o gostar um contrato com "início a 01 de Julho 2011 e terminus a 30 de Junho de 2013"? Haverá prazos, tempos certos ou timmings perfeitos para além daqueles que o nosso instinto, a nossa alma designa. Esperamos pela construção de um bem maior ou pela finitude do todo, que temos agora, para avançarmos para o que desejamos. Perguntaram-me se eu acreditava em "clics" - tirando o da meia noite da passagem de ano - SIM, acredito. E se acreditava na construção do amor. Sim, chamo-lhe manutenção do Eu, Tu e Nós - riu-se satisfeita - senti o alivio brilhar nos seus olhos. As pessoas são julgadoras da decisão alheia, seja o que for, curiosamente, está sempre errado: se namoram 10 anos e não casam, está mal, um deles tem um problema, o outro é "coitadinho"; se namoram e vivem juntos em 6 meses, está errado: são uns precipitados, com medo de ficar sozinhos. Quem somos nós para saber o que os outros sentem, o como e o porquê da decisão tomada. Quem somos nós para saber que um namoro de 8 anos dará uma melhor e mais duradoura união, do que um namoro de 1 mês ou 15 dias. Que pretensões são estas e porquê julgar os outros pelos nossos padrões de moralismo bafiento, cujo único uso dirige-se a terceiros - voltou a sorrir: namorou 8 anos e em momento algum teve estes desejos e esta vontade de se partilhar. Acredito-a. Não se explica mas deve viver-se, porque afinal: tudo é eterno enquanto dura. E nessa eternidade podemos ser e viver o que a alma nos pede - casa - se para a semana.



Desejo-lhe toda a sorte do mundo, nem sempre é fácil encontrar a bilateralidade nos "clics" mas quando se encontra acho que "against all odds" deve-se vivê-los, deixar que essa energia que se encontrou e vibrou em uníssono, flua.


É difícil explicar-se um "clic", difícil de o assimilar, quando todas as células ficam à toa. Percebemos que as sensações despoletadas são diferentes, quase maníacas. Os sentidos vibram num desejo de pele e toque. O sorriso é fácil, inconsciente e perpetuo. As energias convergem e fundem-se, criando a sensação de nos conhecermos desde sempre, tornam-se fáceis os movimentos e os discursos, deseja-se que o café seja eterno. Tenta-se racionalizar, as borboletas no estômago, refreia-se o desejo de tocar, enquanto se absorve os cheiros, os gestos e os movimentos, bebe-se dos seus lábios e questionamo-nos sobre o que nos está acontecer, se o outro sente o mesmo, que nós, se o "clic" é unilateral ou bilateral. O tempo passa e protegidos por uns "eternos óculos de sol", acobardamo-nos, sentimos medo de nos colocar a nu. Verbalizar é incómodo pelo sentimento de pequenez e ridículo, pelo receio da perda do que não se tem e dominamo-nos. Um domínio arcaico e desprovido de sentido pois os pensamentos são expontaneos e arrancam-nos sorrisos no meio de reuniões ingratas, a imagem do outro aparece-nos e reclama um tempo de atenção que não queremos, não podemos dar, pois as incertezas são certas, no entanto, o pormenor do seu cabelo rebelde, do sorriso iluminado e perfeito, das palavras sábias e coerentes, o seu andar, as suas mãos, o modo como bebe o café, tudo isso é recordado. Desejado. É assim que se sabe, "sabe-se" um "clic", quando tememos que as palavras nos traiam e os olhos, essas portas autónomas, nos denunciem, é desejar a pele do outro, desejar conhecer o seu corpo num todo explorado e partilhado. É querer mas encetar uma fuga para a frente ou ficar paralisado, sem saber o que fazer e o que dizer, o discurso explicito difere do implícito, pois todos os poros gritam: Quero-te, quero-me ... Quero-nos.


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