sexta-feira, 22 de maio de 2009

O melhor de mim???






O melhor de mim???

O que é o melhor de mim ???

Dou-te o melhor de mim e não o recebes. Não tens de o receber.

O meu sorriso. A minha perseverança e o meu Acreditar. O meu sol.

Sou uma espécie de sacarose. Hermesetas. Sou o que tirares de mim. Talvez não me mereças.

Cinzento???? Não sei o que é. Vivo nas cores do arco íris. Preto. Branco. Definido.

Terei um melhor. Conseguirei dar-to?? Quererás recebe-lo???

Sinceramente não me interessa.

O teu cheiro. A minha pele na tua. Os teus beijos. Os nossos sorrisos. O teu olhar, quando me olha. Porque não falas??? Quem és??? Quem sou??? O melhor???

Se quero??? O melhor de ti...Sempre.

Que te dou?????....O melhor de mim.

Se perco...se ganho???

O que é ganhar e o que é perder???

Talvez o meu melhor seja o que de pior já viste...mas sou eu. E talvez o teu melhor seja isto... e isto não me agrada.

O melhor de mim???? Sou apenas eu...

Ninguém tem o melhor de mim...excepto eu...A minha liberdade é o que sou...pegar ou largar...

mas confesso...o melhor de mim...somos nós.

"Is someone getting the best,

the best, the best, the best of you?

Has someone taken your faith?

Its real, the pain you feel

Your trust, you must

Confess

Is someone getting the best,

the best, the best, the best of you?"


Read more...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

By: John Dryden

"Há na loucura um prazer que só os loucos conhecem."

Read more...

Formação







Não gosto de dar formação a adultos. Falta-lhes plasticidade mental, o medo tolda-lhes a capacidade de transformação estão "moldados" a um conhecimento prévio que adequam aos seus dias e fingem-no verdades absolutas e inquestionáveis. É mais fácil.
Há uns tempos falava com uma amiga que numa destas formações a adultos sobre Igualdade de Género se degladiou com um Srº Muito Macho e muito ciente da sua condição e direitos (de macho) levando a uma queixa contra ela. O que me leva a concluir, que salvo raras excepções, a maioria das pessoas estão nas formações por imposição ou necessidade laboral e não por necessidade interna de aprofundar e alargar conhecimentos.

Dar formação ou acções de informação/ sensibilização a adolescentes (15/20 anos) é uma coisa que me dá um tremendo de um prazer e que me diverte. As formações são activas e interactivas, não há medo do ridículo , não há um estereotipo de "a idade é um posto de saberes" e existe uma plasticidade mental que conduz não só ao Insight mas também ao questionamento despretensioso e interessado. Gosto de começar as formações com um levantamento dos conhecimentos prévios dos indivíduos acerca dos assuntos e dai partir para os conteúdos programáticos planeados. Aborrece-me aquela atitude soberba de : está a ser paga para nos dar informação logo não tenho de saber, nem responder. Não vim aqui para pensar porque é a si que lhe pagam para isso...isto seguido de: ouça sou professor (a) há 30 anos sempre soube fazer o meu trabalho e já era assim, ainda você não tinha nascido eu já falava sobre estas coisas.
O que demonstra a incapacidade da maioria dos indivíduos de lidar com o novo ou com o velho reformulado. O medo.

Os crescidos tem medos maiores que os adolescentes, tem medo de saltar no vazio de perder as suas verdades absolutas e incontestáveis. Ficam à deriva. Perdidos.
Também tenho medos. São adaptativos quando saudáveis e pontuais. Quando não interferem com a vida dos indivíduos e lhes permitem ter certezas relativas. A verdade é relativa porque o conhecimento é evolutivo. É necessário ter consciência critica de modo a equacionar toda a informação absorvida e transmitida e ter a humildade de adequar os esquemas há medida que temos nova informação. É preciso não perder a "idade dos porquês", a criança curiosa e questionadora que existe em nós. A humildade de admitir que não se sabe, até se necessário escudando-se na atribuição de culpa externa: é por isso que vim à formação porque não tinha conhecimento suficiente sobre alhos ou bugalhos.

A culpa não é dos adultos nem dos adolescentes. Temos um sistema de ensino que assenta na cultura Judaico-Cristã e que não permite o desenvolvimento de consciência critica. Desde que existe um sistema de ensino obrigatório e acessível a todos (???) que os alunos são ensinados a absorver a informação transmitida, sem questionar o professor e assimilando as suas palavras como verdades absolutas e inquestionáveis. Por isso é frequente alunos de origem Inglesa ou Alemã com frequência de escola no país de origem chegarem às nossas escolas e reprovarem ou terem notas mínimas para passar. Isto porque a pessoa que se licenciou em Inglês na Universidade de Ciências da Educação em Lisboa e que nunca visitou um país de origem Inglesa ou residiu lá não suporta a afronta de ter alguém a ser melhor. Mas também não compreende que o seu filho ao frequentar a escola Portuguesa noutro país também não seja bom aluno na disciplina. Chama-se arrogância que é o argumento do ignorante.

Nem todos os adultos são estáticos nos seus esquemas mentais e nem todos os adolescentes tem sede de informação, no entanto a experiência demonstra-me que é mais fácil aguçar a curiosidade dos adolescentes ao apelar à sua consciência critica, ao valorizar os seus pensamentos e ideias, mesmo que incorrectos ou menos correctos. Fá-los sentir importantes, com atenção e valorizados. São as bases familiares que lhes faltam para colmatar a acomodação e desenvolver o espírito critico construtivo.

Agora vou preparar a minha formação para professores que será exactamente...Amanhã :(

Read more...

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Novo Acordo Ortográfico




De fato, este meu ato refere-se à não aceitação deste pato com vista a assassinar a Língua Portuguesa.

Por isso ... por não aceitar este pato ... também não vou aceitar ir a esse almoço para comer um arroz de pato ...A esta ora está úmido lá fora ... por isso, de fato lá terei de vestir um fato ...

Concordas com o modo de escrever acima exemplificado?Se não concordares, clica na imagem que se segue e assina:


Read more...

AC/DC

Estamos em contagem decrescente....

Read more...

(Des)conversa 11

Numa sessão de informação/sensibilização sobre a II Guerra Mundial:

Eu: Durante a segunda guerra mundial as pessoas, nomeadamente os Judeus eram levados em camiões e vagons de comboios como animais. As condições eram desumanas. Alguém sabe explicar para onde eram levados?

P.: Para os calabouços.

R.: Para a prisão onde haviam campos para trabalhar.

P.: Já sei ..já sei...para os fornos humanos.

Eu: Alguém já ouviu falar em Campos de concentração?

I.: Eu já.

Eu.: Então explica ao grupo o que eram?

I.: Eram campos para onde eram levados para meditar.

Read more...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Sem assunto...

Ando mesmo sem assunto...sabes??








Ando sem assunto. Não me apetece falar, ter debates muito ou pouco interessantes, ou sequer pensar. A minha mãe chama-lhe a minha fase de mutismo. Não respondo às pessoas porque não me apetece dar-me a esse trabalho. Não respondo e pronto. No entanto não me apetece estar sozinha, apenas não me apetece conversar. Tenho sono, durmo mal e sonho toda a noite merdas estúpidas. Não me apetece concentrar-me ou dar atenção seja ao que for. Não me apetece ir trabalhar e ando a fumar de mais. Não estou ansiosa, triste ou aborrecida, simplesmente não estou nada. Sinto um cansaço estúpido e crónico. A cabeça a rebentar. Tenho a sensação permanente que trabalho de mais até quando chego ao fim do dia e não vejo trabalho feito ou pelo menos aquele que programei. A minha equipa está desmotivada, depressiva, agressiva e em fase de resistência. Acho que inconscientemente estou a absorver o espírito. A minha chefe goza e diz-nos que até parece que é a desorganização dela que nos afecta (???) e continua a arranjar-nos projectos megalomaníacos para ontem. As semanas são intermináveis e as pessoas andam loucas, saturando-nos e invadindo o nosso espaço sem regras ou respeito.

Estou sem assunto. Apetecia-me falar sobre as novas regras de indumentaria que foram acrescentadas ao estatuto do aluno e que impedem o uso de saias curtas, decotes e calças de cintura descaída, entre outros e que derivou das directivas do notário (???) de Faro. A crise está a afectar a sociedade de formas castradoras e a favorecer o autoritarismo da parte de quem detém algum poder. A crise está a servir como desculpa e a dar azo a uma repressão social que surge de forma subliminar e implícita. Apetecia-me divagar sobre isto mas estou mesmo com falta de vontade de pensar. Não me apetece ter consciência critica. Sou carneiro. Apetece-me sê-lo. O Porto ganhou novamente o campeonato nacional e nem aborrecida fiquei deixei apenas de contar com a existência de um 1º lugar em disputa. Não que o futebol me diga alguma coisa...mas é um assunto que...não tem assunto. E eu ando sem assunto.

Ando mesmo sem assunto. Desleixada em coisas que me dizem respeito directamente e que devia tratar m local apropriado com urgência. Não me apetece, não estou com disposição para repartições publicas e requerimentos urgentes que demoram no minimo 90 dias apenas para me dizerem se aceitam o pedido ou não. Não me apetece fazer relatórios porque acho que são um assunto que não dizem respeito a quem não se interessa um ano inteiro. Ando desligada do que é importante. Será que é?? Na verdade as coisas tem a importância que lhe damos. Não me apetece fazer disso assunto ou aborrecer-me sequer a pensar nisso. O que já penso. Tudo está tranquilo, gosto muito do meu trabalho apesar das adversidades e excluindo algumas personagens...sem assunto. A minha vida está numa fase soft, vulgo em equilíbrio, que é o que se deve chamar quando não se passa nada de novo ou velho ou bom ou mau. Simplesmente nada. O que me deixa feliz de uma maneira muito própria e absurda. Talvez o mutismo e a falta de assunto derive deste equilíbrio: a ausência de desafios, de luta...Não me parece. Demasiado cansada e cheia de uma falta de vontade que toca a desmotivação. Apetece-me explanar, comer caracóis e bejecas (apesar de não apreciar as mesmas). Apetece-me beber um gin tónico numa esplanada à beira mar e fazer a fotossíntese de forma relaxada e tranquila. Apetece-me esquecer por momentos a minha realidade e deambular numa em que apenas haja hedonismo livre de esteriotipos e estigmas. Apetece-me uma realidade alternativa. Gente alternativa. Eu alternativa.

Já estou farta deste assunto. Fico-me na minha jornada de mutismo. Introspecção e dias sem assunto.

Read more...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Não chores por mim...

Não chores por mim
Porque ainda não morri
Sou raio de sol que faz as flores brotarem
Sou o vento que abana o trigo
Sou água que alimenta arrozais.
Não chores por mim,
Porque ainda não morri
Sou onda que beija a areia
Sou o rio que corre serenamente,
Barragem que acolhe visitantes.
Não chores por mim,
Porque ainda não morri
Sou tempestade de inverno,
A folha que cai no Outono,
Sou um soalheiro dia de verão,
Campo lavrado na primavera.
Não chores por mim,
Porque ainda não morri
Sou o sorriso da criança,
A segurança do adulto,
Sou a timidez da adolescência
E a sabedoria do idoso.
Não chores por mim,
Porque ainda não morri
Sou a lágrima no teu rosto
A felicidade do teu olhar
Sou quem te diz “Amo-te”
Quando o caminho queres encontrar.
Não chores por mim,
Porque ainda não morri
Sou orvalho na madrugada,
Cacimba na escuridão
Sou sol que brilha na janela
Sou calor na solidão.
Não chores por mim,
Porque ainda não morri.

Read more...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Potes

Os sentimentos são algo de estranho. Magoam-nos tanto como nos dão prazer.
Instinto de morte/ instinto de vida. Principio do prazer/ Principio da realidade. Se no primeiro a necessidade de gratificação é imediata o segundo, pauta-se pela capacidade de adiamento da mesma. Ao longo da nossa vida tentamos aprender a gerir ambos de forma a termos um funcionamento dito normativo.
Fugimos à dor e corremos atrás do prazer.
As coisas simples são sempre as mais difíceis de alcançar. É tão difícil dizer "gosto de ti" e igualmente difícil lidar com a rejeição, com o não ter tido a ousadia de mostrar que se gosta. Criamos barreiras, afastamo-nos e surge a meta-comunicação como estrutura defensiva do Ego: "Nem reparei na tua ausência" em vez de "Tenho saudades"; "Talvez" em vez de "sim, quero"; "Faz o que quiseres" em vez de "Fica comigo". A palavra atirada, jamais será recuperada.

Como já referi inúmeras vezes não lido bem com o luto - calcanhar de Aquiles.
O meu amor desde sempre esteve dividido em potes e arrumado em prateleiras. Cada pote pertence a alguém, alguma coisa, objecto ou actividade. Guardo-os religiosamente e faço a sua manutenção...até ao dia em que se partem. Hoje partiu-se um.

Cada pote partido é um lugar vazio na prateleira, nada voltará a ocupar esse lugar. Parti-me. Ao longo dos anos tem-se partido alguns potes que acabam a moldar de forma negativa quem sou. Alteram o meu Eu, perco alegria e crença. Resta-me a fé...é grande...Acalmo...perco-me e luto para me encontrar.
As perdas, a dor e as desilusões são necessárias à homeostasia da mente e do corpo. Aprendemos a sobreviver e a valorizar sentimentos que se não fossem postos à prova nunca teriam verdadeiro significado e força. Mas também aprendemos a fecharmo-nos, a isolarmos os que restaram e precisamos de conservar a bem da sobrevivência. A nossa sobrevivência. A minha.

Esta luta desgasta-me, faz-me avançar e recuar sem rumo. Objectivo ou mito. Real ou imaginário. Utopia ou palpavel. Apenas defensivo. Defesa a minha. Quero dar-me mas não quero mais perder. Risco. Medo...ou simplesmente cobardia emocional. Penso, repenso. Martirizo-me e recuo. O que será menos doloroso? Arriscar nova perda ou recuar antes de haver hipótese de perder? Escolho a segunda, por falta de coragem para a primeira. Segura, básica. Instinto de sobrevivência. Adiamento da gratificação. Principio do Prazer obtido unicamente através de coisas que controlo e domino. Não me atingem. Sou melhor fria.

Hoje partiu-se outro pote. Não o recupero...não o quero recuperar. Dói e não gosto. Enfraquece-me e deixa-me vulnerável...Fico a sentir-me pessoa...pior...pessoa e banal. Analogia: O meu humor. Amor. Uma taça de água estável, equilibrada e parada...abanam a mesa e a água oscila, todas as particulas alteram a sua posição. Nenhuma volta ao estado inicial. Como se faz para voltar?
Merda de semana. Merda de dia.

Read more...

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Comunicado






Tem sido uma semana de loucos. Tempo contado ao segundo, vindas a casa somente para dormir à pressa, banhoca e trocar de roupa. Sou refém do trabalho e para ajudar problemas de comunicação com o mundo virtual.

Espero vir mais assiduamente a este meu espaço, que tem como intuito a minha auto-terapia, o que me leva a concluir: que se o ritmo continua assim os efeitos serão contrários aos desejados. Gabo a minha sanidade, os meus movimentos maníaco-depressivos em prole da conservação da mesma e os meus rasgos de delírios e alucinações que fazem de mim a excelente pessoa normal que sou.

Senti falta de despejar as minhas prateleiras que mais um pouco são um sótão desarrumado e confuso. Mantenho-me a tona fazendo o que faço de melhor: agarrando os toiros de caras, treinando a custo a minha (im)paciência e resistindo estoicamente às investidas de alguém que é insustentavelmente narcisico e me paga o ordenado. Não está fácil a gestão. Para ajudar os meus devaneios mantém-se mais intensos e activos que nunca. apetecia-me explanar, apanhar sol e fumar um cigarro comigo própria. Conversarmos à séria e ouvirmo-nos com atenção.Fez-me falta vir cá.


Tinha saudades minhas.

Read more...

domingo, 3 de maio de 2009

Forever Young




Está na alma. Vem da alma. Não se aprende...é um estado de alma...Eu quero.

Read more...

Fiesta





Cheira a verão. A festa e a sorrisos. Existe uma alegria nas ruas contagiante. Ou sou eu que me sinto contagiante. Fazia-me falta. Sinto-me viva. VIVA.

"Vejo um fandango batido
Ouço um fado bem gemido
Vejo alegria e desejo
Vejo um campino destemido
Com o seu traje bem garrido
Vejo assim o Ribatejo


Passa um toiro tresmalhado
Deixem-no ir vai picado
Que aquele campino o picou
Teve mesmo que o picar
P'ra sua vida salvar
Sua vara lhe atirou


Vejo uma camponesa bonita
Com uma blusa de chita
E sua saia rodada
Vai dar agua àquele campino
E p'lo seu olhar ladino
Ela ficou enfeitiçada


Vem o campino valente
Bebe a agua segue em frente
Lança-lhe um olhar de carinho
Mas tem que seguir o novilho
Põe ao ombro o seu pampilho
E lá segue o seu caminho


Vejo searas d' encantar
Vejo manadas a pastar
Nestes campos verdejantes
E p'lo pão a lutar
Vejo ranchos a trabalhar
Como papoilas ondulantes


Vejo um fandango batido
Ouço um fado bem gemido
Vejo alegria e desejo
E reparei afinal
ue o orgulho de Portugal
É o meu lindo Ribatejo."





(Piedade Salvador: Como eu Vejo o Ribatejo)


Read more...

(Des)conversa 10

Numa largada de toiros, um destes dias:
M. - Vamos fazer um brinde.
Nós - Boa. A nós e às largadas de toiros.
M. - Às largadas de toiros e à (...).
Eu - O que é que ela disse? Percebi às pilas.
S. - Também eu.
A. - Desculpa mas não percebi. Disseste pilas ou pílulas?
M. - Oh mulheres: aos toiros e à bebida.

Read more...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Ano Novo - Abril mês de mim

Feliz Ano Novo!!!!

Descobri...Senti...Sorri e Relaxei...tempo que é tempo num tempo diferente do que sonhei...do que desejei...mas afinal é apenas o meu tempo.

Os ponteiros giram num tempo muito próprio, com um ritmo frenético e endoidecido que quando estagnado nada mais é que simultâneo ao bater do meu coração. Na sua pesporrência exigem deter o poder da verdade, uma verdade única marcada por dois senhores obsoletos, seguros da sua posição e domínio. Aliam-se. Maldito calendário que num ritmo constante dão razão aos srºs ponteiros que marcando o tempo brincam com quem na impaciência aprende o ritmo da paciência: a espera.
Existem segundos que parecem dias e dias que passam em segundos. O tempo de espera não é unânime e ponderado. Lágrimas que duram dias, meses e anos e sorrisos tão breves como um arco-íris. A mesma intensidade em ambas as emoções: os mesmos 10 minutos de loucura cega e sofrida. Se não lembro épocas felizes e surpresas agradáveis, recordo amarguras, entraves e tristezas que parecem intermináveis...ou não. Habituada a pele às intempéries, uma tempestade mais não é que um chove não molha num terreno que necessita estar seco para as primeiras flores de primavera. O tempo parece-me estagnado e as pessoas mal fadadas de um mal-estar generalizado na desunião e inveja de bem estar alheio. Sorrio. Conseguem acompanhar?
Lágrimas salgadas que tocam feridas mal saradas e lembram-nas frescas e desconfiadas, sorrisos e gargalhadas dispersas num tempo partilhado que se torna infinito ao perceber que é só teu. Aqui estou. Aguentas seguir-me?
Sei que a duvida te paralisa e tolda os sentimentos num risco que é arriscar nisto que eu sou: um tudo que é nada, um muito de ser tão pouco, um breve sorriso que se torna incandescente, um fogo que arde no gelo, um deserto de multidões estarrecidas ou uma tempestade de areia em pleno pacifico. A minha fé ninguém me tira, é mais do que o que tenho - temos. O tempo passa e ri ao ver toda esta parafernália de tentativas de compreensão, de justificação - sobrevivência. Gargalhada - sou eu que mando - não me interessa como o sentes...aprende a senti-lo como real: nem tão apressado, nem tão estagnado - apenas dois aliados: relógio e calendário. Olha-nos. toca-nos. Sente-nos. Vive.

Feliz Ano Novo...Feliz Ano Novo...Feliz Ano Novo...Feliz Ano Novo...Feliz Ano Novo...Feliz Ano Novo...

Read more...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Strange Days





Uma semana estranha e alucinada. Passou tão depressa, que passou por mim. Senti-a na pele. Ainda a tenho.
Não sei se é a crise, se são as pessoas, se sou eu. Que é o mais provável.
Numa altura em que se comemoram os 35 anos de Abril parece-me apenas protocolo. Os árabes exigem a retirada da história da segunda guerra mundial dos manuais escolares e a Europa obedece. As alegações dos árabes são a previsão que o General Eisenhower fez há 60 anos: O Holocausto não existiu.
Temos um professor de ensino básico que molestou alunas de uma turma de 22 e quando confrontado apenas alegou: "Gosto de as sentar no meu colo, são tão queridas".
Sócrates processou a TVI por difamação no caso Freeport porque "é uma cabala" para o destruir (isto vindo do homem que se licenciou a um domingo na Universidade Independente); a namorada despediu-se porque não se "enquadra" na TVI24; o José Eduardo Moniz processa o Sócrates por repressão na liberdade de imprensa e afirma que Cancio foi "um erro de casting"...Vão estrear mais algumas novelas mas a Rita Pereira cortou um braço num restaurante e desmaiou (não percebi a relevância nacional mas se deu no telejornal das 21h deve ser importante).
A UEFA preocupa-se com os cânticos racistas das claques (que são mais xenofabos que racistas) e penaliza os adeptos. A AutoEuropa reabriu mas não tem encomendas suficientes do novo mono volume que permita pagar aos trabalhadores, a Salvador Caetano de Gondomar tem as linhas de montagem paradas e tem de dispensar trabalhadores. A SIC está preocupada com as corridas de toiros em Portugal e o Presidente da Câmara de Viana do Castelo não tem mais com que se preocupar no seu Município e proíbe as mesmas no seu concelho. Os pais de Maddie Mcann continuam com a sua saga e vamos na 14ª edição da choradeira e consequente angariação de fundos para achar quem nunca se perdeu. Enquanto isso, o Ocean´s Club e toda a população os culpa do termino da restauração e empreendimentos turísticos. Uma anorectica é eleita Miss Austrália, quando todo o mundo se "preocupa" com disturbios de comportamentos alimentares...E duas das minhas miúdas tentaram o suicídio, esta não saiu no jornal porque somos coerentes e chega de noticias deprimentes por esta semana.

Amanhã comemora-se o 25 de Abril de 1974, a restauração da liberdade em Portugal. Comemora-se a revolução dos cravos. Salgueiro Maia ia ficar deprimido se assisti-se ao resultado da sua intervenção. Ainda mais do que ficou no pós 25 de Abril.
Não tenho mais capacidade de pensar. Fico-me com Abril de mim...o meu está quase...vamos ver ;)

Read more...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Nem sei que diga :/

Michel Platini, presidente da UEFA, defende a interrupção dos jogos quando se escutarem cânticos racistas nos estádios.


"Vamos recomendar que os jogos sejam interrompidos durante um período de 10 minutos quando situações dessas [cânticos racistas] ocorrerem. Serão também feitos avisos através da instalação sonora dos estádios", revelou hoje em conferência de imprensa. "Se a situação continuar o jogo será suspenso. É necessária coragem nos casos em que existir racismo por parte dos adeptos presentes nas bancadas. Essa é a missão da UEFA".

Esta tomada de posição de Platini surge após a Juventus ter sido condenada a jogar um encontro à porta fechada depois de adeptos da "Juve" terem entoado cânticos racistas ao avançado do Inter de Milão, Mario Balotelli, na partida de sábado, entre os dois clubes, que terminou empatada a um golo.Balotelli tem 18 anos e marcou o primeiro golo do jogo entre os dois primeiros classificados da Liga italiana, escutando de seguida cânticos por parte de adeptos da Juventus que diziam: "Italianos pretos não existem". Balotelli é internacional sub-21 italiano e nasceu em Palermo, sendo descendente de cidadãos ganeses.

O presidente da Federação italiana de futebol, Giancarlo Abete, afirmou aos jornalistas que as regras existentes sobre a luta ao racismo no futebol italiano serão alteradas: "Neste momento, a legislação já permite que as autoridades suspendam um jogo se forem exibidas tarjas que incitem a discriminação racial. Naturalmente que vamos reforçar estas normas."
In: http://desporto.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1375645
Nem sei que comentar. Estaremos a ficar assim tão sensíveis???
O que é que vai ser proibido e considerado crime a seguir??

Já estou a imaginar a próxima manchete d'A Bola:

Quem chamar nomes ao arbitro, será identificado através de câmaras ocultas colocadas nos estádios e incorre num crime de difamação e injuria com intenção de dolo incorrendo em pena de prisão até 5 anos e multa entre os 10000 e 50000 euros. A federação internacional de arbitragem considera que os insultos por parte dos adeptos estão a provocar danos gravosos na saúde mental dos profissionais de arbitragem levando os mesmos a cometer erros de avaliação e arbitragem que prejudicam o futebol nacional e internacional.
Com tanta politiquice e sensibilidade está-se mesmo a ver que os jogos vão passar a durar no minimo 3h...Haja paciência.

Read more...

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Coisas que me enchem o Ego.

Sou narcisica, q.b. ...gosto do que o espelho mostra, até quando a roupa encolheu no armário.

Há coisas que por mais que tentemos é impossível encontrar as palavras que as traduzam como foram sentidas, ou que se assemelhem ao sentido. Tenho estado em ensaios para duas coisas diferentes mas com igual sensação de bem estar, brilho e ego cheio. A primeira teve lugar no sábado e a segunda irá decorrer na noite de 24 para 25 de Abril. Há 11 anos que faço ambas e sinto sempre algo semelhante: Diva.
Para quem nunca pisou um palco, a única coisa que lhe ocorre é a vergonha de estar "sem rede" perante um publico que ali está para ver um espetaculo mas também para avaliar o nosso desempenho. A critica tem os seus efeitos, se positiva leva-nos a querer mais, quando negativa pode levar ao aperfeiçoamento mas se for perjorativa fará, concerteza, mossa no alvo.

Pisar um palco é uma sensação indescritível, o medo mistura-se com a adrenalina, até o pano descer é como fazer arte de uma realidade surreal, um misto de pânico e orgulho. No fim os aplausos descontraiem e coroam o êxito de uma noite. Foi o que aconteceu no sábado. Não sou profissional, antes uma amadora, uma apaixonada que poderia levar mais a serio e dedicar-se um pouco mais, mas para mim há 16 anos que o palco, o teatro é o meu psicodrama, a minha terapia individual. No palco exorcizo-me, exorcizo os meus fantasmas. Já chorei muito em palco e a determinada altura já não chorava a minha personagem, mas projectei na mesma as minhas dores e o publico chorou comigo. O meu momento alto, que irei recordar para sempre. O cheiro das bambolinas, os nervos da espera nas bocas de cena, os imprevistos, os enganos e as amnésias de texto, as improvisações, as luzes, as cores, a preparação e os ensaios. Tudo é especial e único.

No sábado estive como apresentadora de uma Gala, eu e duas profissionais, estive a altura, superei-me, ovacionaram-me de pé...encheu-me o Ego, que posso dizer, não me apetece ser humilde ou revelar falsa humildade, quando a noite foi minha e porque foi esse o feedback do publico... lembrei-me novamente porque amo tanto o palco.

Sexta- feira o registo é diferente. Teatro de rua, a 11ª encenação do 25 de Abril de 1974.
Tenho um carinho muito especial por esta representação, o passar ao actual a nossa História. No entanto é estranho, porque ao fim de tanto tempo o real e imaginário já se confundem: já recriei tantas situações, acontecimentos e pessoas do pré 25 de Abril que por vezes esqueço-me que ainda não era nascida na altura. Sinto-o, vivo-o. O publico vive-o connosco, comigo, partilha as suas angustias, os mais velhos revivem as suas historias e as lágrimas continuam a cair-lhes ano após ano...é o seu momento de exorcismo - exorcizam todos os fantasmas que povoam as suas memorias e em muitos casos os seus sonhos. A minha terra foi muito castigada durante o pré 25 de Abril, Salgueiro Maia é daqui perto, o Rádio Clube Português fica mesmo cá...foi daqui que partiu "E depois do Adeus" e "Grândola Vila Morena" - as gentes tem-no tatuado na alma e na pele. Está tão vivo e eu vivo-o tanto, que o facto de ter lugar de 24 para 25 de Abril ainda vem conferir mais realismo ao meu sentimento de revolução vivida.

No fim, quando os dias são menos bons, as noticias não são as que esperávamos e a nossa vida não está do jeito que queremos, subir a um palco é vida, é respirar, sentir, amar e os aplausos a coroação, a medalha, o reconhecimento. Adoro senti-lo...sentir-me, transformar-me e entregar-me a uma dimensão que por horas é a minha.

Read more...

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Sociedade Moderna (?!?)

Excelente debate o de hoje na SIC - "Filhos do divórcio".
Gostei particularmente das opiniões e intervenções da Drª Ana Sampaio e da Drª Maria Gameiro. A primeira por finalizar o mesmo com a necessidade de se dar "voz e ouvidos" às equipas de terreno...a segunda por ter um discurso que sugere conhecimento de terreno.

Hoje foi aprovada uma nova lei de regulação do poder paternal partilhado que dá igual hipóteses de guarda e simetria temporal da mesma a ambos os progenitores. O focus do debate incidiu sobre o facto de os pais não conseguirem a custodia das crianças, sendo a mesma atribuída às mães com base no pressuposto que são as figuras cuidadoras primárias e que já vem equipadas com uma espécie de GPS no que concerne à educação/ formação dos menores.

Os juízes tomam decisões de atribuição de poder paternal baseados na sua imparcialidade e conhecimentos teóricos, mas levando em atenção consideração a opinião de alguns técnicos especializados que "pesquisam" as condições de parentalidade, sócio- económicas e alienamento prejudiciais ao bem estar do menor (?!?).
Ora pois bem, esta posição do excelentíssimo srº Juiz é deveras curiosa, exactamente por ser irreal ou melhor dizendo falaciosa - as "pesquisas" quando existem derivam de relatórios de técnicos afectos ao menor por solicitação de um dos progenitores ou por denuncia de maus-tratos realizada por quem se apercebeu dos mesmos. É salvaguardado o bem estar da criança presumindo que será com a mãe e é atribuído ao pai um valor de pensão de alimentos. Vejo-o diariamente...infelizmente para mim.
Se aumentou o pedido de poder paternal por parte do pai não posso afirmar ou infirmar pois não conheço nenhum estudo empírico realizado em Portugal, mas se assim é não poderia concordar mais - Parir é dor, criar é amor. A minha realidade mostra-me diariamente o contrário, abandono. Não só do pai, apesar de ser o mais normal mas também da mãe.

Nos últimos anos alteraram-se os paradigmas sociais, o que de origem à mudança dos papeis sociais. Consequentemente perdeu-se o estruturalismo social que assentava em hierarquias familiares e sociais constituídas por valores e normas comuns a todos. O pai perdeu o seu papel de figura de autoridade e cuidador do lar porque um ordenado não alimenta tantas bocas, a mãe para contribuir para a economia familiar relegou nas creches, amas e infantários o seu papel de cuidadora primária, bem como o seu lugar na educação/formação dos menores. As horas laborais aumentaram exponencialmente devido à necessidade de se aumentarem os rendimentos e os horários passaram a ser rotativos, por turnos e incluem fins de semana. Entramos na época do capitalismo e consequentemente na cultura do materialismo e afirmação de status pelo mesmo. O tempo que se passa com as crianças é tão pouco que não há coragem para as repreender, para as frustrar, para ensinar o adiamento da gratificação e o reconhecimento do outro enquanto ser individual que merece respeito e equidade de tratamento. Perde-se o tempo para os filhos, então é porque o tempo de casal há muito não existe.

O indivualismo e arrogância de vazio dos indivíduos é tão grande que não se tolera nada ao outro. Não se tem um parceiro para partilhar e amparar mas para competir, o mesmo em relação aos filhos: não dispensam 10 minutos a jogar à bola mas perdem 2h no centro comercial à procura dos ténis da marca "x ou y" porque não são menos que o filho do vizinho. Ao fim de um tempo de vida conjunta apenas coabitam dois estranhos com algo em comum: filho(s). Alguns tem o discernimento de acabar com a batalha campal e seguir caminhos separados mas com a manutenção de um bem (maior) em comum, outros nem por isso - as contas não permitem a saída de nenhum mas...mais vale um bom casal separado que um mau casal junto. Quando a decisão é tomada e salvo raras excepções está implícito que o menor fica a cargo da mãe e passa a ser usado como joguete na relação de adultos. Sempre aconteceu em menor ou maior escala apenas variando nas nuances.

A experiência que tenho é de trabalho à qual alio a minha opinião, e reforço que é única e exclusivamente a minha opinião de acordo com as vivências laborais.

Se há 30 anos quando um casal se divorciava estava assumido que a mãe ficava com os filhos a seu cargo e o pai se tornava ausente e distante, há 20 anos iniciou-se a guarda conjunta em que, implicitamente, também estava assumido que a mãe ficava com os filhos mas os pais podiam usufruir de tempo com os mesmos de 15 em 15 dias...o que se tornava espaçado e amiúde até desaparecer quando (re)construíam família. O objectivo não é a generalização comportamental mas infelizmente é a maioria é para efeitos estatísticos é essa que conta e é devido a essa maioria de comportamento abandonico da figura paterna e da presunção de que a mãe é cuidadora por excelência que "nasce" a lei aprovada hoje e com a qual concordo em absoluto: a guarda deve ser partilhada e consensual em beneficio das necessidades do menor tendo em vista o seu desenvolvimento enquanto ser adaptado social e emocionalmente, ou seja, o papel de encarregado de educação deve ser atribuído ao progenitor que não use o alienamento familiar para manipular o outro, salvaguardando deste modo o equilíbrio e desenvolvimento harmonioso do menor.

Desejo que cada vez mais homens peçam a custodia dos seus filhos e os assumam a seu cargo, porque cada vez me assusta mais assistir a situações como as que se tem tornado banais desde o inicio de 2009: os pais juntos ou separados a pedirem a retirada para casas de acolhimento dos filhos e com justificações tão imbecis como: "não me entendo com ele/a"; "já não faço nada dele/a, só me dá é problemas" e a melhor para mim foi no dia em que ouvi "agora cada um de nós tem uma família nova e a Y não se está a adaptar então achámos que era melhor entrega-la a um colégio"...

Será a Y que não se adapta às novas famílias ou serão esses novos lares que não a estão a fazer sentir-se como pertença, amada e desejada?
O egoísmo e alienação social mortificou valores estruturantes para dar lugar a uma sociedade "fast-food" em que numa primeira fase os idosos se tornaram descartáveis e criaram-se depósitos para esperarem a morte e neste momento são os filhos que são descartáveis e são colocados em depósitos para que se recomece a vida do "zero" sem attachments, obrigações ou prisões...A partir do momento em que o menor entra num centro de acolhimento já nada liga aqueles dois indivíduos...a responsabilidade passa a ser do estado e eles...solteiros e livres novamente: reconstroiem a sua realidade.

Como é que se constroi um prédio começando por fazer o 1º andar?
Como se vive na ausência de valores tão básicos como o Amor?

Acho que não estou a conseguir adaptar-me a esta sociedade...melhor...Não Quero!!!!

Read more...

terça-feira, 14 de abril de 2009

Até Já...





MISS YOU


Passaram 9 anos que na minha pele são sentidos como 9 meses; no meu olhar são vistos como 9 dias; pelo teu cheiro em mim, apenas não te vejo há 9 horas e o gosto da tua boca na minha lembra-me que só passaram 9 minutos, apesar do meu peito gritar que apenas passaram 9 segundos.

Cumpri tudo apesar de nada pedires ou sugerires. Cumpri por mim, por minha vontade embora algures no caminho, quando precisei de força, de ver o sol e levantar-me do chão, foste tu com as tuas sábias palavras que me lembrou que havia amanhã. Recordei inúmeras vezes as tuas palavras, o que dizias e como o dizias, quando achavas que passava pela vida a brincar. Aprendi e agradeço a forma como acreditavas em mim. Sei que ainda Acreditas. Tudo o que aprendi e vivi contigo foram apenas pormenores que contribuíram para a edificação deste "todo" - o meu todo. Orgulho-me de mim, de ti.

Segui em frente. Sabes que sim. Não olho para trás quando fecho a porta. Sabias isso.

Foste Amor maior...ainda és - um amor tranquilo, seguro, certo, idealizado, sonhado...desejado. Por mim. Voltei a amar, a dar-me. Voltei a partilhar-me. Perdi e agradeço-te, porque sei que o sabes - sentis-te e sofres-te-o comigo. Respeitas-te e amparaste-me.

Agradeço em mim o sentir de ti...agradeço em ti o sentir de mim.

Não te digo um verdadeiro Adeus, nunca disse e não quero dizer. És história - a minha história. Não me despeço, não há partida em mim - de mim. Levo-te no meu caminho. A minha gaveta arrumada, trancada e selada a lacre. O meu mundo, a minha redoma. O meu mundo secreto - mundo de "nós". Construi-te em mim quando a tua vida parou, recusei apagar-te. Vens comigo. Não esqueço - será que algum dia se esquece? Será saudável esquecer?

Esquecer é querer reescrever a história - a minha história. A minha história contigo. Apagar-te seria ignorar uma cicatriz que cresceu e maturou connosco. Que bela ficou, não achas? Não a olhar seria fingir que não existis-te, que não vives-te e que não te amei - que não me amas-te - que não nos amamos e tatuamos um percurso comum em nós.

Meu querido, doce lembrança. Melhor amigo - a nada te tens negado. Sobes comigo e apanhas-me nas quedas. Transformei-te. Dei-te um novo lugar na minha vida, nossa vida. Talvez seja responsabilidade a mais mas confio em ti - sempre confiei. És Anjo da Guarda porque sei que cumpres.

Até logo...parece-me bem...as despedidas tem a distância que quisermos: 9 anos...9 dias...9 horas...9 minutos...9 segundos...ou um até já.

STILL...

Read more...

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Padrões de Beleza





A beleza quando vivida através do olhar do outro, dos padrões ditados pelos média pode levar a erros de percepção que custam a vida. Não só a vida do interveniente como a dos que o rodeiam ou consigo se cruzam. As imagens, as fotos e restantes artigos publicitários que apelam a um ideal feminino de perfeição deviam ser penalizados e censurados, ou explicados de modo às pessoas menos seguras e com baixos níveis de auto-estima, auto-conceito e motivação perceberem que não passam de imagens manipuladas por programas informáticos.

Não é o peso que temos ou a imagem que faz com que alguém nos ame mais ou menos e se essa for a razão do amor de outrem por nós em breve se extinguirá.


A anorexia, bulimia e dismorfofobia corporal assentam as suas bases em padrões estereotipados de beleza com os quais somos bombardeados diariamente. Ditam modos de vida e gastos, não só monetários como emocionais. Exigem que as pessoas se sintam desconfortáveis na sua própria pele e criam adolescentes deprimidos pela ausência (?!?) de uma beleza "Morangos com Açúcar", que irão dar origem a adultos insatisfeitos e fóbicos com a idade cronológica e a idade que ambicionam passar.

Desmistifique-se que os homens preferem mulheres "cadáveres", sem celulite, sem pêlos e sempre com ar Elle Macpherson, bonecas vazias, desprovidas de amor -próprio, logo incapazes de o dar também ao outro. Numa vida em sociedade é preciso mais que um ar de capa de revista, é preciso ter personalidade, ter empatia porque são essas as qualidades que precisamos para nos relacionarmos com os outros. A beleza física e a perfeição física podem ser facilitadoras de aproximação com o outro, mas no convívio passa para 2º plano, NÃO é a razão pela qual se está com alguém...será apenas o bonús que acompanha quem se ama.

Se a magreza e a beleza são sinónimos de sucesso e amor incondicional porque é que as grandes actrizes de Hollywwod também são abandonadas e se divorciam, se deprimem e tentam suicidar...há mais para além da beleza fisica, essa é efémera e como dizia a minha avó: Quem o feio ama, bonito lhe parece.

Read more...

Abril, mês de mim

"Abril é o quarto mês do calendário gregoriano e tem 30 dias.
O seu nome deriva do Latim Aprilis, que significa abrir, numa referência à germinação das culturas. Outra hipótese sugere que Abril seja derivado de Aprus, o nome etrusco de Vénus, deusa do amor e da paixão. É por esta razão que surgiu a crença de que os amores nascidos em Abril são para sempre. Outra versão é que se relaciona com Afrodite, nome grego da deusa Vênus, que teria nascido de uma espuma do mar que, em grego antigo, se dizia "abril" ." (Wikipédia)

Abril é por excelência o meu mês. O início real do meu ano. Talvez seja essa a razão que me faz ver Abril como um mês de transição, um mês equilibrado em temperaturas e harmonioso nos suspiros primaveris com que nos brinda. É quando têm inicio as festas e comemorações pagãs no Ribatejo e por todo o lado cheira a festa e boa-disposição. As pessoas saem à rua com o espírito do sol e da aproximação do verão.
Abril é o mês de semear, as terras são lavradas para receber novas sementes e originar vida. Talvez por viver no Ribatejo esteja mais sensível a todo este estado de vida dos campos e me embeveça com o transformar da natureza, com os seus cheiros, as suas cores e o burburinho continuado dos pássaros que celebram diariamente a vida, nos seus cantos.

A minha relação com Abril é mais abrangente que a agricultura: divide-se em dois campos distintos e em dois momentos antágonicos. Em Abril e até dia 21 reina Carneiro, o signo da aventura, destemido, impetuoso, obstinado e teimoso, a partir de 21 e até ao fim de Abril, reino Eu...ou seja reina Touro, o signo da perseverança, da força, da obstinação e teimosia mas também da lealdade e do equilíbrio. Fogo e Terra dominam Abril e os seus dias são reveladores destas influências ancestrais e planetárias. Touro é regido por Vénus, o fim de Abril, presenteia-nos com campos floridos, verdadeiras obras de arte que apelam aos sentidos, despertando-os e tornando-os mais sensíveis logo mais partilháveis.
Apesar de ser também influênciada pelos sorrisos de Abril tal estado de espírito apenas me surge no fim do mês: a altura do meu aniversário, o balanço real do ano transacto. É nostálgico o inicio de Abril pelas memórias que me traz e que se balançam em mim com sorrisos e lágrimas. Sorrio porque te amei e tenho as melhores recordações tatuadas a fogo na alma e chora a mesma por tua partida inesperada. A véspera é um dia nostálgico em que recordo o teu sorriso e palavras quando me olhavas, o teu jeito de caminhar e de me abraçar... e a minha cara, o que senti quando me comunicaram a tua partida. Sei que tinha de ser e que não houve escolha. Para mim também não.

Exorcizo-me diariamente num exercício de nostalgia e bem estar por saber que olhas por mim. Anjo da Guarda. Em Abril que é mês de resnascer e nascer, recordo com saudade tudo o que foi, lembro tudo o que é e projecto-me no que quero que seja. Recordo-te ternamente, como algo intrínseco a mim, sorrio ao lembrar-te, ao lembrar-nos. O luto está feito e integrado como mais uma cicatriz que me recorda o passado, já não doí mas é bom olhar para ela, é doce e fortificante.

Dentro de dois dias o inicio de Abril como mês primaveril, mês de Vénus e Afrodite, mês de paixões e construção, nascimento...sementeiras férteis...mês de revolução e comemoração...mês de mim.

Read more...

Ilusões de óptica


O calor sentido à superfície, ao primeiro olhar nem sempre se coaduna com o que sustem tamanha estrutura. A solidez e o conforto que a primeira aparenta, inúmeras vezes é sustida por um frio glaciar que evita a derrocada. É de ouro a temperança.

Read more...

Margareth Mitchell em "E tudo o vento levou"

"Bem - pensou seriamente -, eu tenho algo que as outras mulheres não têm, mesmo as mais bonitas...Tenho uma cabeça que tomou uma firme decisão."

Read more...

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Dias I

(...)

As manhãs nunca tinham sido fáceis, por mais que tenta-se odiava o despertar, a azáfama de ter de se despachar para sair de casa, o que invariavelmente levava a que saísse sempre atrasado…até quando se tinha levantado cedo. Hoje apesar de ter acordado revigorado e bem-disposto, como há muito não acontecia, deu consigo a tomar o pequeno-almoço e a pensar que era realmente um ser peculiar: assim que acordava ligava o rádio em algazarra, no entanto não suportava que falassem consigo. Precisava daqueles momentos de update para depois se reiniciar e enfrentar o dia. Largou-se a rir, nem sequer gostava de computadores, achava-os apenas necessários e utilitários no dia-a-dia. Quando se apaixonara, estranhamente durante algum tempo, as manhãs pareciam mais agradáveis, menos difíceis mas até isso mudou e a determinada altura passaram a ser iguais a todas as manhãs da sua vida, não tinha deixado de gostar ou de se sentir apaixonado, preferia pensa-lo como o “conforto da rotina”, quando deixa de haver cerimónia com o outro. Quando ela já não corria para a casa de banho mal acordava, o que fazia com que fosse sempre antes de ele acordar e se penteava, lavava e aparecia com um ar doce e angelical, como se nunca se desgrenha-se como o comum dos mortais. Ele sabia-o e no entanto adorava isso nela, a importância que dava a certas coisas. Soubesse ela como amava o seu ar desalinhado e birra da manhã. Tornou-se rotina, perderam-se os cuidados de agradar ao outro, de esconder as imperfeições, não tinha achado mal. Amava na mesma.
- Que estupidez, acordei tão bem disposto e estou em frente a uma chávena de café a tornar uma manhã fantástica em momentos nostálgicos.
Olhou para o relógio e viu que estava atrasado. O passado tinha-o novamente atrasado. Mais um ponto a limar, o passado está resolvido, a porta fechada e ele nunca olhava para trás.
Vestiu o casaco, armou-se com o seu melhor sorriso e saiu para a rua. Tal como esperava, o sol era só seu, sentia-se egoísta e apetecia-lhe pensar que detinha o poder de pôr o sol a brilhar só para si, uma cumplicidade ou um miminho do Universo, como preferia chamar-lhe.
Desceu a rua e chegou à esplanada, sorria a todos, pediu o seu café e nesse dia até brincou com a senhora que o costumava servir. Apetecia-lhe gritar ao mundo que estava feliz, que era feliz, que tinha sorte e agradecia a Deus todas as bênçãos, todas as alegrias e principalmente ter-lhe concedido o maior dom: saúde. Riu-se de si próprio, estava um sentimentalista, tinha-se concedido uma nova graça: usufruir dos seus próprios sentimentos, entrega-los a si e desfrutar dos mesmos, como uma criança a quem deram o gelado preferido. Ele tinha o gelado preferido, agora sabia-o.
Enquanto o sol o abraçava num abraço terno e quente deu consigo a fazer analogias em relação a si próprio:
- Sou como um sobreiro, tenho um tronco largo protegido por uma carapaça dura que me protege das intempéries, das agressões do exterior. Tenho a certeza de quem sou e de onde estou, as minhas raízes são longas, sólidas e fortes o suficiente para me manterem fixo ao meu caminho, no entanto a minha cabeça é sonhadora e tal com a copa de um sobreiro sorri ao ver o vento, deixa-se levar por ele e dança freneticamente ao som das suas vontades. É confiante, é forte, sabe que se pode deixar levar na loucura do vento pois o seu tronco e raízes mantêm-no no real, seguram-no às metas estabelecidas. Assim sou eu.
Sacudiu a cabeça pensando que estava em solilóquio, agora é que iriam ter a confirmação plena do seu desequilíbrio e riu como se houvesse quem partilha-se deste seu estado de humor. E havia… ria-se de si e consigo, haverá coisa melhor, pensava.
- Arrgh…bolas…agora é que estou mesmo atrasado.
Levantou-se e saiu a correr. Entrou no carro e sentiu aquele quente típico dos carros a colar-se à sua pele. Sentiu-se novamente abraçado. Hoje o dia vai correr-me muito bem – pensou. A manhã tinha-se iniciado como naqueles primeiros tempos de vida em comum, estava novamente apaixonado. Tinha descoberto que a maior paixão tem de começar em si, por si. Não o voltaria a esquecer, não voltaria a dar-se, sem se ter primeiro, não voltaria a duvidar de si ou das suas qualidades como pessoa, como homem e principalmente como companheiro. Definitivamente tinha percebido que não era, nem nunca poderia ser o que ela procurava porque era o dobro do que merecia. Como ser imperfeito que era tinha a suas qualidades como perfeitas e procurava no outro o mesmo: apaixonar-se pela perfeita imperfeição.
Ele não vivia em mentiras, em histórias de encantar e situações de faz de conta, agora percebia o porquê de amar o seu ar desalinhado, a depilação por fazer e a sua desarrumação: essa era a pessoa real.

(...)

Read more...

Touro

ABRIL

AMOR: Vuestra exuberancia les permitirá realizar todas aquellas cosas que han omitido. Serán inconstantes y volubles, traten de entender que cosa quiere vuestra pareja.

TRABAJO: Sentirán el peso de las responsabilidades como una roca a causa de vuestro cansacio pero también de las consecuencias de una elección equivocada. Pidan un consejo.

SALUD: Son probables migrañas que os procuráis solo porque complicáis la vida. Intenten vivir en forma más sencilla y natural.

Read more...

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Desert Rose




Como qualquer Lagarto que se preze sou apaixonada pelo deserto. Fascina-me, faz-me voar e acreditar em luas mágicas, estrelas que guiam homens até ao sonho. Acredito em justiceiros do deserto e nas suas aventuras. Se o mar me fascina pela imensidão, o deserto leva-me a viajar nas suas areias, a ter pensamentos romantizados por um qualquer Lourenço das Arábias que surge de uma tempestade de areia trazendo no coração a coragem do guerreiro e na alma a verdade de quem muitas horas passou a acompanhar-se numa travessia desejada e idealizada.

Um dia irei ao deserto, um dia terei a experiência tatuada na pele e na memória. Talvez não falte muito, talvez falte tudo. É um querer de muita vontade, é um desejo da alma, do coração e da cabeça. Um dia vou ao deserto, os sonhos que carrego são secretos e adrenergicos de tamanha vontade. Um dia vou ao deserto...contigo ou sem ti.

Read more...

domingo, 5 de abril de 2009

(Des)conversa 9

Sexta - feira à noite discoteca Twins Lx:

Eu - Se faz favor quando puder quero um vodka black com sumo de limão.
(O empregado não tendo mais de 20 anos acaba a garrafa que estava a serviço.)
Barman - Olhe desculpe mas não há mais.
Eu - Está outra garrafa na segunda prateleira atrás de si.
Barman - Ahhh...pois está, não tinha visto.
(acaba de servir-me e entrega-me o copo)
Barman - Pode dar-me o seu cartão, sff?

Após vários minutos em "guerra" com o cartão e a maquina finalmente consegue registar a bebida.

Barman - Desculpe lá o tempo que levou mas já estou um bocado bêbado.

Read more...

(Des)conversa 8

Ele 1 - Tenho duas noticias para te dar: uma boa e uma má.
Ele 2 - Então?
Ele 1 - A boa é que deixei a droga.
Ele 2 - E a má?
Ele 1 - É que não sei onde é que a pus.

Read more...

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Blood Brothers



Crise de valores. Crises pessoais, sociais e morais.

Blood brothers, já ouvi e conheço até a exaustão. Utopia.
Sou básica até ao limite da ignorância, é tão fácil surpreenderem-me que até eu me surpreendo. Não é uma surpresa de "Ahhh..." mas uma surpresa de "foda-se isto é mais cá conta"...Enfim, não são as pessoas que nos desiludem, somos nós que nos iludimos com elas. Demasiadas expectativas sobre as mesmas e muito altas ou como diz o meu irmão mais velho: és muito exigente com os outros, queres que eles tenham os mesmo valores que tu, minha menina o teu erro é avaliares toda a gente pelas tuas acções: se nunca farias tal coisa à partida não o esperas dos outros. Nem toda a gente é assim, antes pelo contrário.Habitua-te, cresce e aprende a lidar com isso, não o sintas como "surpresa", sente-o como é isto e apenas isto: nada a esperar, nada a apontar, nada a dizer ou a modificar. As coisas são aquilo que são e não o que gostariamos que fossem. Sem expectativas não há ilusões ou desilusões, apenas pessoas.
Jantei um dia destes com alguém que me é muito querido e que tem o à vontade para me dizer tudo sem me saltar a tampa. Reafirmou-me o grande defeito que não aprecia em mim: não ver o óbvio quando as pessoas me são próximas e minimizar os defeitos que tenham. Mais uma vez fui surpreendida pelo óbvio e estranhei a minha ignorância, a minha ausência de capacidade de absorver e observar o real próximo. Também me garantiu que nunca me iria magoar ou decepcionar. Quis acreditar mas já não consigo. Vamos ver onde vou parar, se algum dia recuperarei a confiança na humanidade. Até lá sei que só posso contar comigo, na guerra e na paz, na subida e na descida, na ausência e na presença. Gosto das pessoas, algumas pessoas mas de maneira diferente, um gostar cauteloso de quem pode escorregar mas não cair.

Read more...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Dupla Percepção




Tu dizes que é um sapo, e eu juro que é um cavalo!
(Teoria Gestalt)
Este desenho ensina-nos claramente que devemos sempre respeitar as outras opiniões. É necessário esperar e ouvir atentamente os outros porque eles também têm o seu ponto de vista. Respeitar a opinião dos outros é olhar para a mesma verdade e saber que esta poderá ser vista de forma diferente por cada um.
Assim, certamente, não serão cometidas injustiças com as precipitações.

O interessante do desenho e a sua lição enigmática está no facto de que na história nada muda, mas, mesmo assim, tudo é completamente diferente.



Read more...

Dias

Estava em guerra mas não sabia o porquê. Já tinha acordado assim e o decorrer do dia não lhe trouxe melhorias. Quanto mais tentava retirar importância ao assunto mais este parecia adquiri-lo. Começava a sentir-se perseguido, mais, sentia que o mundo nesse dia conspirava contra si. Olhava pela janela, tão reconfortante em outras alturas e não gostava da imagem reflectida: Bolas... hoje não conseguia embalar-se nos pontos luminosos que assinalam no horizonte um qualquer centro urbano. Os pontos que dançam ignorados por quem ao lado lhes passa e pensa-os como dado adquirido. Merda!!! para ele o seu rosto também era já dado adquirido.
Zangado afastou-se da janela, colocando-se num sítio onde a mesma não o pudesse ver e confrontar com o que hoje não lhe apetecia.


Sentado num cadeirão, olhou em volta e as paredes de tão cheias pareceram-lhe vazias: de que adiantava o orgulho que tinha na sua colecção se não havia ninguém com quem o dividir, ninguém que o quisesse dividir. Hoje não era mesmo um bom dia. A guerra tinha começado e há tanto tempo que empreendia esforços de mediação para manter a paz, pelo menos para que existisse um terreno neutro onde circula-se à vontade. Hoje não dava, ouvia demasiada coisa e demasiado ao mesmo tempo, a cabeça ecoava ensurdecedoramente, o toque era do alarme de ataque aéreo. Acendeu um cigarro e deteve-se a olhar para o borrão. Tão tranquilo, tão sereno o arder, lento e constante. Porque não podia a sua vida ser assim também. Constante, calma e sem esta guerra interior que se tinha instalado e aumentava o conflito a cada reunião de esclarecimento. Puxou outra fumaça e encheu o peito com aquele fumo tóxico e simultaneamente tão libertador.
-Porra, devia deixar de fumar...que se foda, esta guerra mata-me mais que o tabaco.


O racional e o emocional tinham novamente declarado estado de guerra, tentava as tréguas, já tinha utilizado todos os argumentos e a dúvida cada vez se adensava mais. Afinal qual era o seu problema, já tinha colocado tudo na balança e o mais correcto era não se meter mais em emoções e partilhas e merdas.
Levantou-se e atravessou a sala em passo largo. Quem o observa-se pensaria que estava a ser perseguido ou no meio de uma violenta discussão.
Acendeu mais um cigarro, quem queria enganar: estava no meio de uma violenta guerra, num verdadeiro campo de batalha e era atacante e atacado.
-Foda-se...não é justo se de um lado existe razão, no outro não é menos verdade.
Nesse instante parou, respirou fundo e continuou o seu cigarro: de hoje não passa, tenho de tomar uma decisão.
A campainha tocou. Salvo por agora.


Convite irrecusável para jantar, o que tinha a decidir podia ser adiado. Só a si lhe dizia respeito, pensou. Agarrou no casaco e saiu de casa. Hoje iria quebrar o jejum de álcool que tinha estabelecido a si próprio, o estado de espírito merecia-o, precisava de aguentar, de ver com clareza o que se passava, a origem de tamanha guerra. Merecia e pronto.
Durante a noite não conseguiu acalmar o bombardeamento que existia dentro de si. Qual era a dificuldade, afinal era feliz, tinha feito uma escolha, tomado uma decisão e assumido as consequências. Estava onde queria e como queria. Acendeu outro cigarro. Olhou para o céu e reviu-se na lua, que espelhava o esplendor e imensidão da terra, de repente apeteceu-lhe ser novamente criança: era tão mais fácil.
Regressou a casa, cada passo era mais moroso que o anterior. Mas de que fugia?
-O que é me amedronta que prefiro ficar neste desconforto a enfrentar-me a mim próprio?


Abriu a porta e suspirou: agora já não podia adiar o inadiável. Colocou o seu CD preferido a tocar, serviu-se de uma bebida e sentou-se na varanda. O céu mostrava uma lua redonda e perfeita, ilumina o céu, pensou. Quantas pessoas a terão por única companhia. As estrelas acompanhavam esta obra de arte, aperfeiçoando-a…sentiu-se minúsculo e insignificante afinal a sua guerra era apenas um ponto no universo.
Há muito tempo que tinha tomado a decisão de não voltar a apaixonar-se e amar então era surreal, apenas acontecia nos filmes. Estava magoado e não o negava, a melhor maneira de não voltar a acontecer era redireccionar a sua atenção e concentrar-se em coisas que controla-se. Tomar tamanha decisão não tinha sido fácil mas ser despojado do seu Eu também não tinha sido uma escolha consciente e era ele que assumia as consequências do efémero. Auto-impôs-se uma espécie de celibato que a determinada altura se tornou teimosia, bandeira de convicção e afirmação de quem era. Defesa.
Agora via-se no meio desta guerra interna: se o seu racional o aconselhava a não se partilhar, o emocional sentia a falta do calor de outro colo. Não podia ceder, não queria ceder. Que loucura era aquela, ainda lhe escorria na alma o amargo do último adeus e tinha a certeza que não queria repetir a experiência. Tornava-se perturbadora esta necessidade do outro. Não cederia, não podia ceder, não foi esse o acordo que estabeleceu consigo próprio. Estava bem, sabia-o, então para quê complicar, dar importância a sentimentos que aparecem tão rapidamente quanto desaparecem. Em si não desapareciam tão facilmente e ele sabia-o. O epicentro da guerra, da sua guerra.
Não aguento mais, pensou. Mais um cigarro, um último copo, um olhar para o exterior e cama…amanhã será outro dia.
Nessa noite sonhou e espelhou-se no imaginário. Tranquilizou-se e percebeu que era apenas um sonho, nada tinha a temer. Ninguém lhe interessava, nem tinha aparecido outro ser que desperta-se os seus sentidos, ninguém despertava o seu interesse...sorriu, estava a salvo. Estava a sofrer de antecipação.
Nessa manhã acordou com um sorriso, estava bem-disposto, sentia-se bem, sentia-se imortal e feliz, respirou fundo e levantou-se para enfrentar mais um dia, este seria diferente, tinha percebido. Não há perigo, não há ninguém, ninguém o ameaçava. Era apenas um sonho, nada mais que um sonho e os sonhos não são reais. Estava a salvo.

Read more...

  © Blogger templates Psi by Ourblogtemplates.com 2008

Back to TOP